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O Barco e o Rio

por José P. Santos, em 03.04.15

 

Um pouco de historia sobre o Rio e o “barco” .

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Texto de: Belarmino Batista

 (Pesense radicado no Canadá)

Devo sublinhar que nesta época existia no Peso, assim como noutras povoações vizinhas como Alcaria, Barco, Silvares, Barroca do Zêzere etc., uma embarcação que ligava as duas margens do Rio Zêzere ás povoações do outro lado, neste caso ao Pesinho, para transporte de pessoas, animais e mercadorias. Quando chegava a Primavera e o caudal do Zêzere era mais diminuto, eram postas umas tábuas, (passadeiras) no lugar onde hoje se situa a Ponte, que em muitas ocasiões ainda eram levadas por alguma cheia imprevista. No caso do Peso, esse barco e o direito de exploração pertencia ao “ Passal” uma instituição ligada á Igreja.

As Tábuas e o Barco, nessa altura eram a Ponte Peso - Pesinho

 Assim era “arrematado” o barco, nome dado ao acto de arrematação para a exploração do mesmo durante um ano. Dos grupos interessados que houvesse, a exploração seria dada a quem mais oferecesse. Como havia e há uma grande afinidade familiar e social entre os habitantes do Peso e Pesinho e a necessidade de ir ao Mercado e Feiras do Fundão, vender ou comprar animais como suínos, jumentos gado caprino e até juntas de bois, alem de se abastecerem de outros produtos que só encontravam no Fundão, como árvores , couves , sementes, etc., quase toda a gente pagava essa avença aos Barqueiros, para poderem utilizar o barco. (Como tudo se modificou em uma ou duas décadas!)

O Barco ancorado do lado do Peso e do lado do Pesinho

Depois pela época das colheitas esse homens que tinham ficado com a exploração do barco, iam de porta em porta, no Peso e no Pesinho, cobrar uma certa quantidade de milho, creio que um alqueire, medida de (20 litros), ou mais tarde, azeite, quem não tivesse milho, para assim poder usar o barco quando fosse necessário.

Quando aparecia alguém de outra terra que necessitasse de usar o barco, pagavam uma quantia, á descrição.

                                                       ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

----Voltando ao título, sei que era dia e Natal, teria eu os meus 10 a 12 anos tinha chovido bastante toda essa semana e o Rio começava a transbordar para os “lodeiros” nome dado, ás terras de cultivo adjacentes ao Rio.

Como era dia de Natal havia gente do Pesinho e Peso em ambas as partes do Rio e pela tarde, depois das visitas familiares, seria o regresso ás suas terras. Entretanto como era hábito muitas dessas pessoas juntavam-se na zona central da povoação, onde existiam as tabernas, únicos lugares onde as pessoas da aldeia congregavam para socializar.

Assim ao fim da tarde era frequente e considerado normal, alguns sentiam os efeitos do álcool, demonstrando-o nas mais diversas formas. Os “barqueiros” eram normalmente bem tratados neste sentido e nunca lhes faltava a bebida oferecida pelos utentes do barco, pois era conveniente ter sempre os “barqueiros ‘ na mão par se poder atravessar o rio quando necessitassem e sem muita demora. A dose habitual para estes homens era os “meios/quartilhos” nome dado aos copos de ¼ de litro.

Se não pudessem beber na altura a bebida ficava paga para ser bebida noutra oportunidade. Consequentemente ao fim da tarde já teriam uma dose considerável de meios – quartilhos, principalmente aos fins-de-semana e dias de mercado no Fundão, (segundas feiras).

 Mas entretanto o caudal do Zêzere devido ás chuvas que tinham caído durante a semana quase sem cessar, continuava a aumentar consideravelmente, quase sem as pessoas darem por isso. E ao cair da tarde quando queriam regressar ás suas casas procuravam os “barqueiros” para a passagem ao outro lado. Entretanto estes, já tinham mudado o barco do paredão das “tábuas”, onde normalmente estava ancorado, para o paredão da “pontaria” mais acima, mas a uns 100 a 150 metros desviado do leito do rio amarrado a uma arvore, pois junto ao leito tornava-se perigoso, por o paredão começar a estar coberto de agua. Entretanto durante a manha já alguém tinha gritado do lado do Pesinho.  Ó... Barqueiro! Era assim que se comunicava oralmente duma margem para a outra, não havia telefone. Ainda me lembro..., ao fim da tarde fui a casa dos meus avós maternos (no Adro da Igreja) e daí pude ver com mais precisão toda a extensão da cheia.                             

Ainda me lembro perfeitamente de todo aquele barulho arrasador (soava) como lhe chamavam que as águas do Zêzere faziam naquela situação de cheia.     As mesmas tinham chegado à estrada do Peso e do outro lado à fonte do Pesinho que estava parcialmente submersa     

   

As Pessoas e o Barco          

Aliás foi dessa visão da cheia e desse sussurrar assustador e delirante do Zêzere que, ainda jovem, me ficaram na memória as bases para esta crónica.

 Com o movimento habitual desta data festiva, nem barqueiros nem passageiros utentes do barco, se davam conta do perigo que poderia resultar o atravessamento do Zêzere.     

 Avaliando as circunstâncias hoje, confesso que era precisa ter coragem... (ou efeitos de alguns copos) para se aproximarem do leito do Rio naquelas condições.

Assim os barqueiros Joaquim Augusto e José Cortiça, este ultimo natural do Barco mas casado no Peso, apelido este de Cortiça, vinha-lhe do facto de ser destemido para o rio. Como a cortiça nunca ia ao fundo, daí o nome porque era conhecido.

Assim lá foram esses 4 ou 5 homens, ignorando todos os perigos, tentar a travessia do Zêzere. Lembro-me de algumas pessoas se concentrarem em lugares para observar esta tentativa de travessia do Rio, pois obviamente receavam o pior.  E a travessia fez-se da seguinte maneira.           

Começaram, por levar o barco ao longo do paredão, para se aproximarem do leito do rio.  Aqui trocaram as varas, normalmente usadas para chegarem ao fundo do rio, pelos remos, pois as varas, que teriam aproximadamente uns 5 metros não chegavam ao fundo do leito. Por aqui poderemos avaliar a fundura que o Rio levava. Puxando o barco para cima o mais possível, foram deixando descair o mesmo, ao mesmo tempo remando contra a corrente e tentando segurar a proa (frente) do barco sempre para nascente, assim o barco foi puxado para a margem do Pesinho, até que se aproximou das margens da outra banda, mas vindo parar cá para abaixo mesmo frente ao sitio dos Barros, levando-o em seguida pelos lodeiros até mesmo ao fundo do Pesinho. O barco não regressou ao Peso esse dia, mas sim no dia seguinte com as aguas já a baixar.

O Zêzere tinha sido vencido mais uma vez por este punhado de homens destemidos e habituados aos perigos do mesmo.

Como se fazia o transporte para a outra margem

Quero recordar uma nota trágica, em que o Zêzere nem sempre era transposto com segurança. Foi por alturas de 1958/59 em que na travessia de Alcaria para o Dominguiso, numa segunda feira de Inverno, já noite cerrada, um grupo de jovens raparigas dos Vales do Rio, que trabalhavam numa fabrica de colchões em Alcaria, ao regressarem a casa depois de um dia de trabalho, ao chegarem à margem direita o barco foi de embater um tronco de arvore parcialmente coberto de agua e com o balanço do choque, duas jovens foram cuspidas para as aguas e nunca mais foram vistas. A tragédia tinha acontecido e o povo dos Vales do Rio correu aos gritos com lampiões e outras luzes que puderam arranjar e indiferente à chuva que caía copiosamente e tinha caído todo o dia, dirigiu-se para as margens do rio sem saber exactamente o que tinha acontecido e quem tinha desaparecido. Já era tarde de mais para que alguma ajuda fosse útil., pois as duas jovens tinham desaparecido, para serem encontradas, uma, dias depois para os lados das margens da Coutada e a outra algumas semanas mais tarde, cá para as bandas de Dornelas do Zêzere.

Cheia no Rio nos dias de hoje

Eu lembro-me... eu estava nos Vales do Rio, conhecia bem estas jovens que o Zêzere roubou tão tragicamente na sua juventude e assisti a estes momentos trágicos das famílias a quem estes ente queridos tinham sido tragados pelas aguas impetuosas do Zêzere.

Este Rio que trazia riqueza a estes povos pelas terras que banhava, trouxe também a tragédia. Aqui a refiro para que não caia no esquecimento das gerações viventes.

Nomes dos Barqueiros mais conhecidos. Joaquim Augusto, José Cortiça, António Pereira, seu filho Joaquim Pereira, José Travanca, João...? (homem da Ti Patrocínia Madeira)

Peço desculpa em mencionar alguns nomes pelos apelidos (alcunhas) pois não sei outros.

 

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