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Recordar é Viver

por José P. Santos, em 13.05.15

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 Belarmino Batista e amigos de Infância

 

Tendo passado a minha infancia em parte, até ao final  da década de 1960 numa aldeia rural como o nosso Peso, brincáva-mos na rua por vezes até a noite se fechar, para depois irmos 'cear",  comer a refeiçâo da noite, mas por vezes comia-mos mais do que isso, por nos termos demorado mais na rua e onde as nossa mâes precisavam de nós para ajudar a tomar conta dos irmâos mais novos enquanto se preparava o jantar.

 

No meu caso como era o mais velho de 6 irmâos, a minha presença era mesmo necessária.Eu tinha mesmo o terreiro em frente da porta e era aí o meu passatempo, tendo ainda que tomar conta do estabelecimento que meus pais tinham, ao mesmo tempo que brincav.Como nâo havia jogos electrónicos, os jogos que usava-mos para nos devertir,eram jogos que iam passando de  geraçâo em geraçâo ( de crianças ) e que eram usados consoante a época do ano.Por exemplo no Outono e Inverno brincava-se ao piâo.Fazia-se um circulo e cada um punha lá dentro um piâo velho ou uma "pendonça",( piâo rudimentar feito à mâo, mas que tinha que trabalhar ou nâo seria aceite) e depois  cada um por sua vês jogávamos o piâo de forma a  a fazer saír o piâo do adversário  fora desse circulo.Por veses até eram escavacádos, quando algun lhe acertava em cheio. Havia outra forma de brincar com o piâo, que era jogado e apanhado à mâo e depois era jogado sempre a rolar de encontro a outro, até esse atingir um determinado sítio.

 

Igualmente se faziam "alcatruzes" assim se chamava um brinquedo que era feito, salvo êrro, de pau de sabugueiro, que se trazia das margens do rio, tiravasse-lhe o miôlo de dentro e arranjava-mos outro pau que fosse direito e que coubesse dentro do mesmo e com uma bolinha de estôpa ou de pano e até de papél, fazia-mos esse brinquedo que depois usava-mos contra a nossa barriga, forçando a sua passagem por dentro do orifício, que produzia um som duro e sêco (um poom) que se ouvia a lguma distancia e assim quanto mais forte fosse esse som, mais orgulhosos nós ficávamos.Claro que todo este tempo de arranjar esteaparato, tambem era brincar, podia levar alguns dias a fazer, conforme as circunstâncias.


No inverno brinvcava-mos tambem á "bilharda" e ao "espéta pau," fazia-se tambem um circulo na terra  que servia de base para os paus que se usavam. Este jogo era feito no Inverno,  para se podererem segurar os páus na terra lamacenta.


Na Primavera quando o sólo ja estava mais sólido e enchuto, começava-se a jogar o "belindre" que era uma bolinha de     ou de vidro, (se a tivésse-mos) e com um pequeno buraco na terra tentàva-mos atirá-la lá para dentro, se nâo conseguisse-mos,continuaria-mos a fazê-lo com os dêdos até conseguir-mos. Jogava-mos ainda outra modalidade, que consistia em empurrar um berlinde com outro, para o lugar desejado.


Era nesta época que jogáva-mos outros jogos, como o " ferro/quente" onde se escondia um cinto nos inúmeros buracos das paredes e o primeiro a encontrá-lo seria quem ganhava e iria escondê-lo novamente.

 

Quando já era-mos adolecentes, jogáva-mos ainda os "Cábos", que consistia um dos intrevenientes, com as mâos dádas, abarcadas uma à outra, teria que apanhar qualquer um dos outros, que quando apanhado seria ele a ír fazer o mesmo, tentar apanhar outro.Este jogo era um dos mais populares entre a malta já mais adolescente e chegava-mos a juntar grupos de toda a vizinhânça, pois era só entrar no jogo. Assim começando na Rua principal era o Tó dos Santos , O Zé Vaz, o Joaquim e Vicente Maláto, Eu, o Tó e Jaime Broa, Tó Fatela, O Manuel Fernandes, Raul Paródia Tó Corneta, Tó Custódio, Tó Pinheiro,etc.Lembro'me que uma dessas noites, estes jogo era sempre jogado á noite, apanharam um morcêgo, que voava entre a malta e arranjaram um cigarro que lhe puseram na bôca, até ser todo fumado.E assim acabou a noite.


Tinha-mos ainda a "Cabra céga" o "Lourênço, aqui fica o lênço" e outros mais cuja finalidade era adivinhar o que se procurava. Na Primavera iamos aos ninhos, que tantos havia nos quintais e predios em volta do pôvo.  . Pobres aves que acabavam quase sempre pôr nos morrerem nas mâos.  

   
 Quem se nâo lembra do célebre jogo dos "3" aos Domingos, no recinto da Sra Sallete. Era aqui que se arranjavam os primeiros namoricos, pois havia mais contactos entre rapazes e raparigas. Bons tempos e bons sonhos !


Lembro-me que enquanto no recinto da escola do Cabouco no tempo da (D.Blandina), jogáva-mos outro jogo a que chamava-mos a "Barra", que consistia em recrutar 5 ou 6 companheiros para cada lado, que ficáva-mos estacionados dentro dum rectangulo ? e um de nós provocáva  o outro grupo, que enviáva outro ao encontro e se se deixasse tocar, teria que vir para o nosso lado onde ficava prisioneiro  e seria posto em frente do nosso grupo, para ser tentado apanhado novemente, bastava que um seu companheiro lhe toca-se , por isso tinha que estar sempre guardado. Uma nota interessante é que o  que tivesse o direito de saír primeiro, era intocável, qualquer um do adversário se lhe tocá -se , ficaaria prisioneiro do grupo, assim o propósito era nâo se deixar apanhar.

 

Por mencionar a D. Blandina ( minha professora) nos fins de Maio princípios de Junho, no fim da escola, íamos jogar a bola para o “estadio” da Barroca do Bicho e como tinha-mos que estudar para o exame da 4ª classe, ela ía espreitar no címo da barreira, quem lá andava e no próximo dia éramos chamados à palmatória, porque nâo tinha-mos estudado para o exame..

 

Se alguem souber melhor as regras destes jogos, seria optimo que o participá-se, pois eu já nâo me recordo de certos pormenores.

 B.B.

http://www.lusosnadiaspora.net/pesoterranatal.htm

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publicado às 12:10




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