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Blog direccionado para a recolha de Fotos, Trabalhos, Documentos, Vídeos etc. sobre " O Passado, Presente e Futuro do Peso" . Procuramos dentro do possível, transmitir o que de mais relevante se passa no Peso e ser um elo de ligação entre os residentes e ausentes. Colabora e envia o que tiveres de interesse sobre o Peso e suas Gentes Agradecimentos - Pela colaboração na cedência de fotos e outros trabalhos às seguintes Pessoas : Rui Morão,José Batista Vaz Pereira, Família de José Pereira Santos, Tó Aníbal, José Batista, Família de João Abrantes Ferraz, Família de José Pires Simões, Vicente Olímpio dos Santos, Família de Manuel Afonso Oliveira, Yoann Manuel Pereira, Maria Pires Serralheiro, António Madeira Varandas, Maria Leonor Ferreira Pires Morão, Ramiro Morais Valentim, Francisco Madeira (Lisboa), Família de Carmelina Ferreira Morão, Patrocínia Proença, João Abrantes dos Santos, Joaquim dos Santos, Joaquim Proença Rebelo, José Mateus Casteleiro, Júlio Mendes Silva ( Morador ao pé do Santuário), Elvira Morais, Artur do Santos Pereira (Ourém), Maria Casteleiro, Maria \"Caraia \", Beatriz Pires, João Mateus Casteleiro, Carlos Casteleiro ( França ), Família de José Guilherme, Humberto Morão (Covilhã), Margarida Maria (Covilhã), Belarmino Batista ( Canadá ), Ângelo Agostinho, Margarida Pires, José dos Santos Vaz, Família de João Sardinha ( sacristão), António Mingote, Mariazinha Lobo, António Pinto ( França ), António Proença ( Barreiro), Álvaro Olímpio, Fernando Morais Valentim ( França ), Sofia Bento ( França ), Família de José Alfredo Aleixo, José Honório Rodrigues, Família de Joaquim Abrantes Ferraz, Rui Machado (Pesenses no Brasil ), Rosa "Cortiça" ( França ) .Se eventualmente omitimos alguma pessoa pedimos desculpa pelo facto e agradeço informação. José P. Santos O nosso Email - aldeiadopeso@sapo.pt A nossa recomendação: Qualquer reprodução dos seus conteúdos deve ser sempre feita com referência à sua autoria.

Recordar é Viver

por José P. Santos, em 05.11.16

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MEMÓRIAS DO PESO ... Como tudo na vida, tem começo, meio e fim ( ... ) eu, neste desfiar de recordações, memórias e registos, quis lembrar no que escrevi o silêncio das quebradas, os tristes ecos e murmúrios de uma brisa vinda da serra da Estrela, ou a cantilena dos regatos que corriam para o Ribeiro do Braçal ou ainda para o rio da minha infância, e aspirar as grandezas das calmas solidões vividas no Chafarizito ou Fonte dos Namorados. Aonde tu e eu amigo, pudesse- mos, esperar e reagir às coisas simples e cristalinas que falassem das lágrimas já esquecidas, e pudesse- mos matar, a sede de uma saudade eterna ( ... ) Sempre estive fiel aos olhares perdidos no longe dos caminhos, por onde partiram aqueles que queriam ficar no Peso ( ... ) Tenho ainda muitas memórias dentro de mim, que guardei ( ... ) já escrevi uma parte delas, as outras aguardam oportunidades. Vejo nelas um pouco das Cinzas do Meu Passado. No vago Outono da vida,/ quando cai a folha morta,/ De quanta ilusão perdida/ a saudade nos conforta! As coisas são o que são, e não o que deviam ser, foram estas as recordações que ficaram de um juventude que foi rude, e numa sagrada visão, que a vista alcançou esbatida, no roxo-azul da distância, voz de longa ressonância, que ouvimos por toda a vida ... Minha ambição é pequena/ não sou rico nem faminto,/ tenho de fortuna uma pena/ para escrever o que sinto.... Gosto de ser capaz de compreender e amar sinceramente as pessoas - e também de ser compreendido e respeitado. Bem-haja Amigo José Pereira, por esta oportunidade, e digo: O Peso e a Poesia são como o ar, que respiro. Oásis de fantasia meu sorriso e meu suspiro.( ... ) Um abraço. FIM

 

PESO - VARANDA VIRADA AO SOL NASCENTE .. Esta varanda encantava toda a gente, tinha umas vistas de sonho, desde o verde até outras lindas paisagens e dali se viam , com o rio sempre ao longe. Morava nessa casa o Ti Zé Figueira marido da Ti Ana ( Broa ), o casal tinha o filho Zé da mesma idade que eu, fomos grandes amigos ( ele morreu ainda muito jovem ) por perto morava o Ti Luís( Broa ) e o Ti Manuel ( Broa ) que por perto tinha a sua grande paixão a Ti Carmina ( Chapa ) Manuel e Carmina eram solteiros mas já entrados nos 50 anos de idade e este romance deu origem a que no Peso se cantasse: Ontem fui ao rio aos peixes com uma podôa, encontrei a Carmina Chapa, aos beijos ao Manel Broa. Um belo dia de desfolhar o milho nessa varanda , ouvi dos presentes a seguinte lenda: Era uma vez um casal tinha uma filha Um dia o casal foi à missa, e a mãe disse à filha que ficasse a guardar os figos que tinha a secar dos pardais e não deixasse comer nenhum. Quando veio a mãe , ela estava a chorando - Então quantos figos comeram os pardais, comeram dois. Deixa estar que as vais pagar. Fez uma cova no quintal e enterrou lá a filha, e lá ficou. Veio o marido e perguntou, , então a Maria? .Foi à mestra. No outro dia: Então a Maria? Mandei-a a um recado. Um dia o marido manda o criado, vai ao quintal cortar erva para as ovelhas, começou a ceifar, e ouviu debaixo da terra uma voz : Não me cortes o cabelo, que meu pai me penteou, A minha mãe me arrastou, nesta cova me deitou, por via de um passarinho. O criado foi contar ao patrão que mandou cavar e apareceu a filha. Ela disse a verdade, e o pai atou a mãe ao rabo de um cavalo e correu por montes e vales. FIM

 

 

RECORDAR É VIVER, DIZ O POVO ... VERDADES A DESCOBERTO. Havia nos Vales nesse tempo terra anexa da Freguesia do Peso, uma imagem a Santo António já antiga, com um certo valor no património religioso local . Com a vinda do Padre António Pereira para prior na Freguesia, retirou a imagem, dizendo que a tinha mandado para um santeiro de Braga para restauro, O povo não aceitou de bons modos, O Padre para acalmar mandou vir uma imagem de Santo António mais moderna, e tentou, fazer uma procissão de boas vindas ao santo . Aqui foi o máximo : Quando uma mulher que estava ao lado a assistir, começou em altos gritos e voltando-se para a imagem dizendo: Olha que na procissão vais tu , mas na igreja não pões lá o cu ouviste ( ... ) Toda a gente em alvoroço ( acabou a procissão ) e em bando foram para o largo da igreja, aonde o Ti Firmino Aguiar em cima de um carro de bois gritava: acalmem-se, acalmem-se, acalmem-se que o santo velho vai voltar: Quando alguém no meio da multidão grita ( ... ) e se o troquem Ti Firmino, não pode ser que eu próprio lhe pus um sinal num pé. Também nesse mesmo tempo a Igreja de Santa Maria Madalena a Matriz da Freguesia, teve limpeza de muitas imagens de alto valor, e foram , consideradas ( sucata ) entre elas uma imagem a Santa Bibiana que existiu na capela interior mais antiga da igreja. ainda conheci no sótão da sacristia da igreja do Peso. diversos santos já na reforma ... um dia o Ti Zé Marceneiro, que já o seu pai tinha tido a mesma profissão , e muita da arte ainda hoje existente na igreja, foi deste grande Mestre , e o Ti Zé , já com os copos, eu o vi agarrado a um velho santo, e a chorar dizia ó meu rico irmão, dá cá um grande abraço , porque foste feito pelo meu pai! FIM

 

MEMÓRIAS DO PESO ... As palavras têm força se tiverem razão, o que até aqui se tem feito. Foi só para quebrar o silêncio que havia a falar por nós. . Conheci nos tempos da ditadura a Ti Lucinda , já viúva criou os seus filhos todos eles homens de trabalho, menos sorte teve a filha a Maria Lucinda, que ao nascer ( a beleza estava de férias ), vi muitas vezes durante o dia a carregar com cântaros de água, do chafariz das duas bicas, para consumo da sua casa, e ainda para regar a sua horta sempre bem cuidada do seu quintal, Morava no cimo do povo. Aos Domingos era vê-la sempre caminho da igreja, para assistir à missa, e os rapazes do Peso quando havia forasteiros dos Vales, Coutada ou Barco, que vinham procurando as raparigas para futuro namorico, por vezes até por " chacota " diziam sei de uma boa namorada para t i a: Maria Lucinda, até com a miséria se brincava ( ... ) Também a Júlia uma pobre alma de Cristo que vivia sozinha com sua mãe num casebre de terra batida no cimo do povo Viviam no limiar da pobreza ( era um pouco deficiente ) , apenas comiam o que lhes davam ( que nesse tempo a seguir à 2ª Guerra Mundial era um tempo difícil para todos ) Apareceu um destravado sexual, que lhe fez um filho, que ela criou sem qualquer condição, não havia nada como hoje ... , filho de pai incógnito Nada mais tinha para lhe dar de comer, um dia, apareceu alguém com certa pena, e quando vinha da ordenha da suas cabras , lhe dava um pouco de leite do que tirava dos animais . Não consentia que ninguém tocasse na sua maior fortuna neste Mundo . O seu Menino. . Hoje, alguém que leia, este recordar do passado ... e seja esse homem que nunca foi menino diga . Porque uma coisa é certa... Não lhe faltou o Amor de Mãe (.... ) São este desfiar de recordações ... ,Tiradas do baú do velho Sótão das Memórias do Peso, é que nos dão força para continuar , e lembrar alguns jovens de hoje, se os seus bisavós, avós e até pais, cá voltassem agora ( alguns talvez até se fossem embora , por ver tudo tão diferente .) FIM

 

MEMÓRIAS DO PESO . O Senhor José Pereira, assumiu a iniciativa de tão grande merecimento, num testemunho claro de nos lembrar os valores culturais e outros há muito votados ao esquecimento, num entendimento das realidades profundas sobre a Nossa Aldeia. Na caracterização campesina dos nossos antepassados, transparecendo nos seus vídeos, a actualidade. Com o aparecimento deste Homem Amigo, não sendo da aldeia, nunca esteve alheio é filho de naturais do Peso o Ti João e a Ti Rosa Santos que eu bem conheci e, deles guardo uma imensa saudade. .. Ele deixou o seu rio Lena e Lis, mas a nascente que procurava veio encontrá-la na nossa pura água do rio Zêzere. A estas observações resta-me acrescentar, referente à nossa aldeia, com a terra e as suas gentes só tenho lembranças dos meus primeiros vinte e três anos que lá vivi.. ( ... ) já não é a mesma coisa mas, o meu pensamento está sempre lá. Pedia à actual, juventude tenham ideias, mostrem a este Homem... É um verdadeiro filho do Peso por adoção.... Certo dia fui para visitar um dito amigo da infância, fui encontrar um galo arvorado em pavão, quando o vi , passados já lá vão 50 anos ao aproximar-se: Disse-me com voz grave quem é o Sr. ao que respondi ainda o mesmo de sempre... vinha para tomar um café contigo e falar do Nosso Peso, resposta pronta: " Quero lá saber dessa M.... pá! estava ele cheio de peneiras " não fui pedir nada, não preciso, nem nunca precisei ( ... ) não costumo baixar de nível ( sou como sou, e até sinto vaidade )..Mas posso afirmar aqui e agora mas, eu não tenho necessidade!!! ( ... ) Em nome dos meus conterrâneos Bem-haja, Amigo José Pereira pelas Nossas Memórias que tanto honram os nossos antepassados. Força Amigo e nunca desista, terá sempre alguém que o poderá ajudar . um abraço. Um Abraço.

 

VIVERAM NO PESO DUAS MARIAS NA DÉCADA DE 40 DO SÉCULO PASSADO-....Diferentes, mas iguais, com a sua simplicidade e espírito económico, para nunca faltar o pão na mesa a seus filhos. Trajavam simples como era o seu viver, mas sempre muito cuidadas , e numa roda viva trabalhando.. Um dia no estabelecimento de minha mãe, onde se foram abastecer de mercearia ouvi da Ti Maria Grancho e Ti Maria Guerrilha a seguinte história: Uma mulher casada tinha uma filha muito pequena. Ela era muito amiga de festas e igreja, o marido era muito doente, não podia sair de casa e ir a divertimentos, e por isso tomou zanga ao marido que não o podia ver O homem já não se levantava, ela nada lhe ligava. Só de vez em quando, para as vizinhas ouvirem, lhe dizia em voz alta. " Lourenço, queres um caldo? " Quero sim mulher " . Ela então baixinho dizia-lhe: Tem paciência meu rico fl lho, meu rico menino, que agora não há. Depois dizia para a filha., vai ajudar a morrer teu pai, que no domingo há missa e festa e tua mãe, se ele morrer, com certeza já lá vai.. Morreu o homem no domingo, e a mulher chorava por não ir à festa. Tanto se lamentou que a vizinha disse-lhe que ficava chorando por ela, mas, em troca dava-lhe um alqueire de centeio. A viúva aceitou. Logo se foi arranjar e foi para a festa. A carpideira toda a noite andou à roda do defunto, e fingindo que chorava dizia: " Aqui ando eu, a chorar o alheio, por um alqueire de centeio, Ai meu belo marido morto! Sirva-te isto de conforto! Assim levou a carpideira toda a noite enquanto a viúva se divertia. FIM

 

 

 

 

 

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