Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Aos nossos amigos e visitantes

Blog direccionado para a recolha de Fotos, Trabalhos, Documentos, Vídeos etc. sobre " O Passado, Presente e Futuro do Peso" . Procuramos dentro do possível, transmitir o que de mais relevante se passa no Peso e ser um elo de ligação entre os residentes e ausentes. Colabora e envia o que tiveres de interesse sobre o Peso e suas Gentes Agradecimentos - Pela colaboração na cedência de fotos e outros trabalhos às seguintes Pessoas : Rui Morão,José Batista Vaz Pereira, Família de José Pereira Santos, Tó Aníbal, José Batista, Família de João Abrantes Ferraz, Família de José Pires Simões, Vicente Olímpio dos Santos, Família de Manuel Afonso Oliveira, Yoann Manuel Pereira, Maria Pires Serralheiro, António Madeira Varandas, Maria Leonor Ferreira Pires Morão, Ramiro Morais Valentim, Francisco Madeira (Lisboa), Família de Carmelina Ferreira Morão, Patrocínia Proença, João Abrantes dos Santos, Joaquim dos Santos, Joaquim Proença Rebelo, José Mateus Casteleiro, Júlio Mendes Silva ( Morador ao pé do Santuário), Elvira Morais, Artur do Santos Pereira (Ourém), Maria Casteleiro, Maria \"Caraia \", Beatriz Pires, João Mateus Casteleiro, Carlos Casteleiro ( França ), Família de José Guilherme, Humberto Morão (Covilhã), Margarida Maria (Covilhã), Belarmino Batista ( Canadá ), Ângelo Agostinho, Margarida Pires, José dos Santos Vaz, Família de João Sardinha ( sacristão), António Mingote, Mariazinha Lobo, António Pinto ( França ), António Proença ( Barreiro), Álvaro Olímpio, Fernando Morais Valentim ( França ), Sofia Bento ( França ), Família de José Alfredo Aleixo, José Honório Rodrigues, Família de Joaquim Abrantes Ferraz, Rui Machado (Pesenses no Brasil ), Rosa "Cortiça" ( França ) .Se eventualmente omitimos alguma pessoa pedimos desculpa pelo facto e agradeço informação. José P. Santos O nosso Email - aldeiadopeso@sapo.pt A nossa recomendação: Qualquer reprodução dos seus conteúdos deve ser sempre feita com referência à sua autoria.

O Barco e o Rio

por José P. Santos, em 03.04.15

 

Um pouco de historia sobre o Rio e o “barco” .

10945575_10202906430251783_1030031085266721891_n.j

ARTUR 81.jpg

168023_191430070880788_239124_n.jpg

 

Texto de: Belarmino Batista

 (Pesense radicado no Canadá)

Devo sublinhar que nesta época existia no Peso, assim como noutras povoações vizinhas como Alcaria, Barco, Silvares, Barroca do Zêzere etc., uma embarcação que ligava as duas margens do Rio Zêzere ás povoações do outro lado, neste caso ao Pesinho, para transporte de pessoas, animais e mercadorias. Quando chegava a Primavera e o caudal do Zêzere era mais diminuto, eram postas umas tábuas, (passadeiras) no lugar onde hoje se situa a Ponte, que em muitas ocasiões ainda eram levadas por alguma cheia imprevista. No caso do Peso, esse barco e o direito de exploração pertencia ao “ Passal” uma instituição ligada á Igreja.

As Tábuas e o Barco, nessa altura eram a Ponte Peso - Pesinho

 Assim era “arrematado” o barco, nome dado ao acto de arrematação para a exploração do mesmo durante um ano. Dos grupos interessados que houvesse, a exploração seria dada a quem mais oferecesse. Como havia e há uma grande afinidade familiar e social entre os habitantes do Peso e Pesinho e a necessidade de ir ao Mercado e Feiras do Fundão, vender ou comprar animais como suínos, jumentos gado caprino e até juntas de bois, alem de se abastecerem de outros produtos que só encontravam no Fundão, como árvores , couves , sementes, etc., quase toda a gente pagava essa avença aos Barqueiros, para poderem utilizar o barco. (Como tudo se modificou em uma ou duas décadas!)

O Barco ancorado do lado do Peso e do lado do Pesinho

Depois pela época das colheitas esse homens que tinham ficado com a exploração do barco, iam de porta em porta, no Peso e no Pesinho, cobrar uma certa quantidade de milho, creio que um alqueire, medida de (20 litros), ou mais tarde, azeite, quem não tivesse milho, para assim poder usar o barco quando fosse necessário.

Quando aparecia alguém de outra terra que necessitasse de usar o barco, pagavam uma quantia, á descrição.

                                                       ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

----Voltando ao título, sei que era dia e Natal, teria eu os meus 10 a 12 anos tinha chovido bastante toda essa semana e o Rio começava a transbordar para os “lodeiros” nome dado, ás terras de cultivo adjacentes ao Rio.

Como era dia de Natal havia gente do Pesinho e Peso em ambas as partes do Rio e pela tarde, depois das visitas familiares, seria o regresso ás suas terras. Entretanto como era hábito muitas dessas pessoas juntavam-se na zona central da povoação, onde existiam as tabernas, únicos lugares onde as pessoas da aldeia congregavam para socializar.

Assim ao fim da tarde era frequente e considerado normal, alguns sentiam os efeitos do álcool, demonstrando-o nas mais diversas formas. Os “barqueiros” eram normalmente bem tratados neste sentido e nunca lhes faltava a bebida oferecida pelos utentes do barco, pois era conveniente ter sempre os “barqueiros ‘ na mão par se poder atravessar o rio quando necessitassem e sem muita demora. A dose habitual para estes homens era os “meios/quartilhos” nome dado aos copos de ¼ de litro.

Se não pudessem beber na altura a bebida ficava paga para ser bebida noutra oportunidade. Consequentemente ao fim da tarde já teriam uma dose considerável de meios – quartilhos, principalmente aos fins-de-semana e dias de mercado no Fundão, (segundas feiras).

 Mas entretanto o caudal do Zêzere devido ás chuvas que tinham caído durante a semana quase sem cessar, continuava a aumentar consideravelmente, quase sem as pessoas darem por isso. E ao cair da tarde quando queriam regressar ás suas casas procuravam os “barqueiros” para a passagem ao outro lado. Entretanto estes, já tinham mudado o barco do paredão das “tábuas”, onde normalmente estava ancorado, para o paredão da “pontaria” mais acima, mas a uns 100 a 150 metros desviado do leito do rio amarrado a uma arvore, pois junto ao leito tornava-se perigoso, por o paredão começar a estar coberto de agua. Entretanto durante a manha já alguém tinha gritado do lado do Pesinho.  Ó... Barqueiro! Era assim que se comunicava oralmente duma margem para a outra, não havia telefone. Ainda me lembro..., ao fim da tarde fui a casa dos meus avós maternos (no Adro da Igreja) e daí pude ver com mais precisão toda a extensão da cheia.                             

Ainda me lembro perfeitamente de todo aquele barulho arrasador (soava) como lhe chamavam que as águas do Zêzere faziam naquela situação de cheia.     As mesmas tinham chegado à estrada do Peso e do outro lado à fonte do Pesinho que estava parcialmente submersa     

   

As Pessoas e o Barco          

Aliás foi dessa visão da cheia e desse sussurrar assustador e delirante do Zêzere que, ainda jovem, me ficaram na memória as bases para esta crónica.

 Com o movimento habitual desta data festiva, nem barqueiros nem passageiros utentes do barco, se davam conta do perigo que poderia resultar o atravessamento do Zêzere.     

 Avaliando as circunstâncias hoje, confesso que era precisa ter coragem... (ou efeitos de alguns copos) para se aproximarem do leito do Rio naquelas condições.

Assim os barqueiros Joaquim Augusto e José Cortiça, este ultimo natural do Barco mas casado no Peso, apelido este de Cortiça, vinha-lhe do facto de ser destemido para o rio. Como a cortiça nunca ia ao fundo, daí o nome porque era conhecido.

Assim lá foram esses 4 ou 5 homens, ignorando todos os perigos, tentar a travessia do Zêzere. Lembro-me de algumas pessoas se concentrarem em lugares para observar esta tentativa de travessia do Rio, pois obviamente receavam o pior.  E a travessia fez-se da seguinte maneira.           

Começaram, por levar o barco ao longo do paredão, para se aproximarem do leito do rio.  Aqui trocaram as varas, normalmente usadas para chegarem ao fundo do rio, pelos remos, pois as varas, que teriam aproximadamente uns 5 metros não chegavam ao fundo do leito. Por aqui poderemos avaliar a fundura que o Rio levava. Puxando o barco para cima o mais possível, foram deixando descair o mesmo, ao mesmo tempo remando contra a corrente e tentando segurar a proa (frente) do barco sempre para nascente, assim o barco foi puxado para a margem do Pesinho, até que se aproximou das margens da outra banda, mas vindo parar cá para abaixo mesmo frente ao sitio dos Barros, levando-o em seguida pelos lodeiros até mesmo ao fundo do Pesinho. O barco não regressou ao Peso esse dia, mas sim no dia seguinte com as aguas já a baixar.

O Zêzere tinha sido vencido mais uma vez por este punhado de homens destemidos e habituados aos perigos do mesmo.

Como se fazia o transporte para a outra margem

Quero recordar uma nota trágica, em que o Zêzere nem sempre era transposto com segurança. Foi por alturas de 1958/59 em que na travessia de Alcaria para o Dominguiso, numa segunda feira de Inverno, já noite cerrada, um grupo de jovens raparigas dos Vales do Rio, que trabalhavam numa fabrica de colchões em Alcaria, ao regressarem a casa depois de um dia de trabalho, ao chegarem à margem direita o barco foi de embater um tronco de arvore parcialmente coberto de agua e com o balanço do choque, duas jovens foram cuspidas para as aguas e nunca mais foram vistas. A tragédia tinha acontecido e o povo dos Vales do Rio correu aos gritos com lampiões e outras luzes que puderam arranjar e indiferente à chuva que caía copiosamente e tinha caído todo o dia, dirigiu-se para as margens do rio sem saber exactamente o que tinha acontecido e quem tinha desaparecido. Já era tarde de mais para que alguma ajuda fosse útil., pois as duas jovens tinham desaparecido, para serem encontradas, uma, dias depois para os lados das margens da Coutada e a outra algumas semanas mais tarde, cá para as bandas de Dornelas do Zêzere.

Cheia no Rio nos dias de hoje

Eu lembro-me... eu estava nos Vales do Rio, conhecia bem estas jovens que o Zêzere roubou tão tragicamente na sua juventude e assisti a estes momentos trágicos das famílias a quem estes ente queridos tinham sido tragados pelas aguas impetuosas do Zêzere.

Este Rio que trazia riqueza a estes povos pelas terras que banhava, trouxe também a tragédia. Aqui a refiro para que não caia no esquecimento das gerações viventes.

Nomes dos Barqueiros mais conhecidos. Joaquim Augusto, José Cortiça, António Pereira, seu filho Joaquim Pereira, José Travanca, João...? (homem da Ti Patrocínia Madeira)

Peço desculpa em mencionar alguns nomes pelos apelidos (alcunhas) pois não sei outros.

 

Zé guilherme 11.jpg

Cópia de ARTUR 3.jpg

10486042_400382240120131_5931722821019278835_n.jpg

10917285_1662816680612661_8704125188105044466_n.jp

carmelinna3.jpg

joaquim rebelo 16.jpg

peso antigi 114.jpg

zé 1.jpg

zé casteleira 2.jpg

Cópia de - aPeso antigo (11).jpg

Cópia de - aPeso antigo (14).jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:56

Associação da Juventude do Peso

por José P. Santos, em 03.04.15

 (Ao fim do texto tem mais fotos)

 

Outros tempos, breve história da Associação da Juventude do Peso.

(Há medida que forem aparecendo novidades sobre este tema, serão aqui colocadas.)

AJPeso3.png

 

Ano de 2000 – 25º Aniversário

PASSADO – PRESENTE – FUTURO

Esta brochura só foi possível graças ao apoio do Instituto Português da Juventude

 

Passado

A Associação da Juventude do Peso (AJP) foi o corolário natural no Peso do abanão político no País em 1974.

Não se pense que foi só depois do 25 de Abril que trouxe o associativismo ao Peso. Já na década de 60 havia associativismo, embora sem o carácter legal, pois os tempos eram outros, o regime salazarista - fascismo -não o permitia.

Recordo-me e felizmente ainda há muita gente viva, que se recorda de uma grande equipa de futebol que existiu no Peso. Faziam parte dessa equipa nomes como o José Grancho (pai do Joaquim, Zé, Raul, Manuel, Tó e Paulo Grancho), que chegou a ser chamado para jogar no Oriental de Lisboa; também foram jogadores o Júlio, o Zé Arrebenta, o Tó Folholha, o Luís Morais, o Tó Redondo, o Tó Galito, o Tó Pedro, o Raul Paródia, o Joaquim Rebelo, o Tó Pinguelas, o Tó Guerra, o Raul Folholha, o Fernando Macau, o Artur Pilau, o Zé Vaz, o Tó Vaz e tantos outros.

A cor dos equipamentos variou um pouco ao longo dos anos, mas o mais antigo era à Futebol Clube do Porto, ou seja, camisolas com listas verticais alternadas de branco e azul e calção preto. Também houve camisolas pretas com uma faixa branca -para se diferenciar um pouco do equipamento da

Associação Académica de Coimbra; camisolas brancas com uma risca vertical no peito, à Ajax de Amesterdão.

As cores actuais da AJP são resultado da cor desse equipamento à Porto.

O campo de futebol era em terreno aonde actualmente está a Serração e só depois, mas antes do 25 de Abril, é que foi feito aonde actualmente se encontra.

O terreno foi cedido por diversos proprietários que assim prescindiu de um bem privado para benefício de toda a comunidade; o arranjo foi apoiado por peditórios públicos, Câmara da Covilhã e os balneários foram construídos pela firma António Joaquim Maurício que o utilizou, como estaleiro, enquanto se arranjou o troço de estrada entre Vales do Rio e o Barco.

Para além de futebol os jovens do Peso também gostavam de outras actividades desportivas, culturais e recreativas.

Falemos de teatro, aonde muita gente se recorda, há já muitos anos, alguns 45 anos ou mais, dos nomes do ti António Morais e do ti António Pires.

Pelo teatro passaram também o Abílio Abrantes, Tó Grancho,

Manuel Paulito, Tó Pedro, João Sacristão, Virgílio Morão, Aníbal Alegre, o saudoso Ângelo Amaro, Maria Rebela, Lurdes Paulita, Patrocínia Valentim, Arminda Aleixo, Margarida Proença, Lurdes Bonifácio, Judite Madeira, e as saudosas Maria Sardinha e Teresinha Ferraz. Propositadamente deixei alguns nomes para o fim, por serem todos descendentes do ti António Morais: o Tó, o Zé, o Luís e o Fernando Morais, assim como a Elvira e a Lurdes Morais. Pode dizer-se que a família Morais tinha o bichinho do teatro

Os teatros realizavam-se no Salão Paroquial. Raro era o ano em que não se realizavam duas ou três sessões de teatro, quase sempre repetidas uma semana depois. Normalmente não havia festa de Nossa Senhora de La Salette, Natal e Passagem de Ano em que não houvesse teatro.

O teatro era constituído por peças teatrais, como é óbvio, mas também por danças e cantares regionais.

Quem ensaiava normalmente eram pessoas com alguma cultura, como não podia deixar de ser, para o bom êxito das representações e neste campo há quatro nomes que me indicaram e eu próprio me recordo: o Sr. Padre Pereira, a D. Lurdes do Sr. João Belarmino, a D. Mimi e o Sr. Abílio Abrantes.

Para fazer os cenários em papel e pintá-los, era o Fernando Santos Baptista o especialista, embora fosse ajudado por alguns filhos do SI: Artur Morão.

Já no final da década de 60, durante o Verão, alguns jovens faziam bailes públicos ao domingo, com a aparelhagem sonora da Igreja.

Era curioso que o espaço de tempo que mediava a hora da saída da missa -cerca das 13h. -até à hora do baile começar - cerca das 16h.- Era aproveitado por esses jovens que utilizavam o microfone com o som ligado aos altifalantes colocados no cimo da torre da Igreja, para fazerem um género de programa radiofónico.

Para além do gozo que lhes dava, esta iniciativa servia como propaganda publicitária ao baile, chamando ao adro da Igreja as encantadoras raparigas da nossa terra.

Realço os nomes de alguns jovens que tinham o bichinho da locução como o Quim Redondo, Gabriel Vaz, Mário Bernardo e o saudoso Aníbal Casteleiro, com o apoio técnico do saudoso Ângelo Amaro.

Por mero acaso, ou talvez não, nenhum dos jovens locutores se ajeitava a jogar futebol!

Perante isto é evidente que a sede de todas estas actividades era o Salão Paroquial do Peso. Por isso mesmo merecem aqui uma referência elogiosa e de respeito os Senhores Padres António Pereira e Mário Bizarro da Nave, pelo apoio que sempre prestaram à juventude.

Apesar de não estar legalizado, o grupo de jovens era conhecido pelo Grupo Desportivo do Peso quando as actividades se relacionavam com futebol; quando as actividades eram de carácter cultural ou recreativo a designação mudava de nome - não viesse por aí a PIDE/DGS a chatear -e a juventude abrigava-se no nome de JAC -Juventude Agrária Católica.

Em Agosto de 1969 surgiu o primeiro conjunto musical no Peso: O Conjunto ISA SOTNAS. Era formado pelo Abílio Abrantes (vocalista), Artur Aleixo (viola solo e compositor musical), o Luís Morais (bateria), o Zé Baptista (bandolim e compositor das letras) e o Zé Morais (acordeão).

Este "famoso" conjunto actuou a 1.a e única vez na noite de teatro que se organizou no sábado da festa de Nossa Senhora de La Salette em Setembro desse mesmo ano.

Com o desaparecimento do  ISA SOTNAS surge o conjunto musical SIAROM.

Uma vez mais a família Morais puxa pelos galões artísticos e cria este conjunto, com o seu próprio nome lido ao contrário.

Faziam parte, como é evidente o Zé Morais (acordeão), o Luís Morais (bateria), o Belarmino Baptista (castanholas) e o João José (ferrinhos).

Os ensaios do conjunto eram feitos na casa da "Tulha". A casa da tulha era um local aonde a casa agrícola "Casa Franca" guardava os cereais -milho, trigo e centeio.

Esta casa situava-se no mesmo local aonde actualmente é a casa de habitação e Café do Sr. Joaquim Abrantes Ferraz.

Depois os conjuntos começaram a profissionalizarem-se, devido à acção fiscalizadora das Repartições de Finanças.

O SIAROM desiste nesta fase mas surge um outro conjunto no Peso, o WAR

Este conjunto era formado pelo Artur Aleixo, João Luís (veio a ser substituído por um jovem do Fundão chamado Luís Moreira), João Olímpio, João José e Abílio Abrantes.

As deslocações entre o Peso e o Fundão nunca foram fáceis! Já na altura fazia falta a Ponte entre o Peso e o Pesinho e continua a fazer falta...Por este motivo o jovem do Fundão não tinha muitas hipóteses de se deslocar e desistiu de fazer parte do conjunto.

Terminava assim o Conjunto WAR.

A juventude não baixava os braços. Rei morto, rei posto. Acabou o WAR, começou o Conjunto ORIGEM.

Os seus membros eram precisamente os mesmos do Conjunto WAR, mas sem o jovem do Fundão. Entrara, como vocalista, o Basílio Pires, mas por pouco tempo. Portanto, tudo juventude exclusivamente do Peso. Continuou o Conjunto ORIGEM ainda por bastante tempo.

Surge nos finais dos anos 80 um novo conjunto no Peso. Este diferente de todos os anteriores, pois dedicava-se à divulgação da denominada musica popular portuguesa, às raízes folclóricas. O seu nome era o SOM D' AQUI.

Fizeram parte deste conjunto o Zé Vaz, Rui Duarte, António Ferreira, Zé Redondo, Armindo Duarte, Zé Carlos Sardinha, a saudosa Ilda Sardinha, Fátima Aleixo da Silva, ‘ Virgínia Bernardo Pinto e a Leonor Bernardino.

Foi pena este conjunto ter desaparecido, pois a divulgação da música popular torna-se uma necessidade. O SOM D'AQUI sabia fazer essa divulgação, com sabedoria, com categoria.

Em finais de 1973, início de 1974, alguns jovens, parte deles alunos do Seminário do Verbo Divino no Tortosendo deram uma designação ao associativismo no Peso: G. D. C. P. -Grupo Desportivo e Cultural do Peso.

Desse grupo de jovens faziam parte, entre outros, o Abílio Abrantes, Artur Aleixo, Basílio Ferreira Pires, João José Vaz, João Luís Baptista, João Olímpio dos Santos, Paulo Ferraz, Raul Sardinha Grancho, Vicente Oliveira e o Vicente Proença.

Em Dezembro de 1974 reuniram-se no Salão Paroquial do Peso os jovens de ambos os sexos que habitualmente residem no Peso. Resolveram criar uma associação para fins culturais, desportivos e recreativos. A Direcção ficou constituída pelo João Luís, Zé Baptista e Arlindo de Matos. Os nomes dos elementos dos outros órgãos sociais não os possuo, mas sei que se mantiveram quase todos os membros do extinto G.D.C.P. Também fizeram parte algumas raparigas, como a Mirita Ferreira, Beta Mateus Casteleira, Adozinda Bernardo, Odete Abrantes, Fernanda Machado, Femanda Aleixo e a saudosa Maria Sardinha.

Para angariarem fundos, realizaram um teatro no dia 29 de Dezembro de 1974, levando à cena a peça "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente.

No dia 31 de Dezembro patrocinaram uma corrida de atletismo, aonde se revelaram excelentes praticantes alguns jovens do Peso.

As provas de atletismo de então, onde chegaram a participar atletas federados, tornaram-na de importância relevante ao nível concelhio e distrital -na altura tudo se resumia a uma pequena colectividade de grandes sonhos onde o futebol e o atletismo eram rei e rainha. O futebol chegou mesmo a militar no distrital de Castelo Branco, sempre com insuficiência de meios e bastante carolice.

Com a colaboração do conjunto ORIGEM realizaram um baile de fim de ano.

Depois foi a realização duma Campanha de Alfabetização, auxiliados por duas jovens professora primárias do Peso, a Isabel Duarte Proença e a Lusitânia Filipe Ferraz.

Em seguida procederam à LIMPEZA DAS RUAS, varrendo-as e colocando bidões para recolha do lixo.

Em 19 de Fevereiro de 1975 a Direcção da A.J.P., a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia e a população em geral, em abaixo-assinado remetido ao Sr. Bispo da Guarda e tendo em vista a construção de um PARQUE DESPORTIVO POLIVALENTE, podia ler-se:

“.que o local indicado é um terreno inculto pertencente ao Passal, por se situar junto das Escolas Primárias, Cantina Escolar; Casa do Povo e Posto Médico... solicitam a V Ex.ª Reverendo a fineza de nos ceder este terreno que irá ser utilizado para benefício do Povo."

Efectuaram-se algumas reuniões com o ENDO -Encontro Nacional do Desporto, a fim de ser concedida uma verba para construção dos balneários públicos e de um campo desportivo polivalente.

Em virtude da Casa Paroquial se encontrar degradada, precisando de obras de remodelação, houve necessidade de se sair do Salão Paroquial. Procedeu-se então à criação duma sede provisória, transformando um antigo forno e padaria em sede social.

Em Agosto de 1975 foi feita a 1ª Festa ao Emigrante, com a realização de provas de atletismo, baile e futebol.

Seguiu-se a legalização da associação. Foi escolhido, com consenso unânime, o nome de ASSOCIAÇÃO DA JUVENTUDE DO PESO em Assembleia-Geral de associados previamente realizada na Cantina Escolar.

No dia 16 de Outubro de 1975 na Secretaria Notarial da Covilhã é feita a escritura de constituição da A. J. P. com a presença dos seguintes cidadãos do Peso: António Grancho Sardinha, António José Pereira Casteleiro, Artur Pereira dos Santos, João Pereira dos Santos, José Martins Pires, José Pereira dos Santos, José dos Santos Baptista, José Sardinha Grancho e Raul Sardinha Grancho. No dia 26 de Outubro de 1975 são os estatutos publicados no "Notícias da Covilhã". Seguiu-se a publicação dos estatutos no "Diário do Governo" nº 270 - III Série de 21 de ,Novembro de 1975, páginas 9183 e 9184.

Em 21 de Dezembro de 1975 foi eleita a única lista concorrente às eleições da A.J.P. para a dirigirem no ano de 191.6 e era assim constituída: Virgílio do Nascimento Matos; Fernando José Gonçalves Casteleira; Joaquim Hercílio de Oliveira Sacramento; António Grancho Sardinha; José Pereira dos Santos; José dos Santos Baptista; Emídio dos Santos Sardinha; João de Jesus Aleixo da Silva e Valentim da Costa Martins.

Para dirigirem os destinos da A. J. P. no ano de 1977 foram eleitos os seguintes elementos: Virgílio Silva de Jesus, Fernando José Gonçalves Casteleira, João dos Santos Sardinha, António Madeira Varandas, Valentim da Costa Martins, Virgílio do Nascimento Matos, Joaquim Silva Santos, João de Jesus Aleixo da Silva e Raul Proença Paulo.

ajp sede.jpg

Presente

No ano da celebração dos 25 anos da Associação da Juventude do Peso -Ano 2000 -os elementos directivos são:

Assembleia-geral -José Pereira dos Santos; Vicente Sardinha e José Ilharco. Direcção -Rui Manuel Cruz Ferreira Amaro; Paulo Jorge Proença Oliveira; Rodney Pereira Rocha; Miguel Madeira; Rui Leandro; Carlos Casteleira; João Pedro Casteleira; Sérgio Redondo; Joaquim Silva; Conselho Fiscal -Carlos Alberto Domingos; João Pedro Sardinha Baptista e Paulo Bernardo.

Fazendo parte de uma comunidade que é constituída por 749 habitantes, segundo os dados provisórios do último recenseamento geral da população, e com os objectivos anteriormente mencionados, a sua actividade move-se, actualmente, em redor de dois pólos importantes: a construção da sua nova sede social, pavilhão desportivo e a realização de um torneio de futebol de salão reconhecido pelas instituições desportivas do concelho e do distrito

Possuidora de 584 associados nos quais estão incluídos muitos que outrora, por outras paragens, procuraram melhor modo de vida, é hoje a única colectividade cujos corpos directivos eleitos determinam a promoção de actividades de grande importância para a manutenção de valores importantes a qualquer sociedade: desporto, lazer e educação cívica.

Para a concretização destes objectivos são levadas a cabo, anualmente, actividades (muitas delas com a carolice de outrora) tendentes a promover o desporto, quer nas camadas mais jovens com a organização de pequenas torneios, quer nas camadas seniores.

Estas actividades estão ligadas com o ténis de mesa, tiro ao alvo com arma de pressão, atletismo, jogos de salão, entre outros.

Patrocina-se também uma escola de música, aulas de ginástica de manutenção e um núcleo de karaté.

Já em sede própria têm lugar colóquios ligados a temas da juventude, de saúde pública, assim como a realização de exposições de pintura, de artesanato ou feira de livros.

Um torneio -anualmente realizado -tem vindo a proporcionar momentos de civismo sem paralelo nas vizinhanças.

Trata-se do torneio da A. J. P. que decorre nos meses de Junho, Julho e Agosto. O seu interesse é manifestado pelo número de equipas regularmente participantes onde se encontram representadas empresas da freguesia e arredores, associações desportivas regionais e particulares.

Os objectivos de quem organiza e participa atingem aqui uma simbiose perfeita onde estão presentes os interesses da promoção desportiva e cívica dos intervenientes.

Por outro lado também, e de igual importância, é a promoção social, não apenas a nível local. O tempo da sua realização inclui o mês de Agosto, nele participa a população local e das aldeias vizinhas e, ao mesmo tempo, parte da comunidade que durante o ano está ausente: os nossos emigrantes.

Eis aqui um importante papel cumprido por uma pequena colectividade, que lhe deve ser reconhecido e apoiado pelas instâncias políticas, de todos os quadrantes; contribui-se assim também para que durante um curto espaço de tempo dois filhos de uma mesma mãe se encontrem e se valorizem mutuamente.

A participação em provas desportivas já atrás citadas, trazem ao clube resultados positivos, quer pelos lugares cimeiros alcançados, quer pelo convívio e competitividade saudável que essas proporcionam.

A atestar esses resultados estão os troféus, taças e medalhas que se encontram expostos em vitrina própria, na actual sede da A. J. P.

O colóquio "A comunicação social e as colectividades" serve de exemplo para realçar o papel que a nossa associação teve e tem na vida desportiva do concelho. Sendo notícia em toda a imprensa regional, quer pelas actividades desenvolvidas, quer pelos resultados alcançados, a A.J. P. é hoje referência quando se fala em desporto regional, como atestam os vários artigos que acerca dela foram e vão sendo escritos.

Com o início da construção em 1979 do campo de jogos, vulgarmente chamado de "ringue" tem hoje um conjunto de potenciais estruturas essenciais à prática de algumas modalidades desportivas por parte dos seus associados e da população em geral.

O futebol de salão tem assumido, nos últimos anos, um papel importante, principalmente com a realização do torneio e para o qual têm contribuído equipas do nosso concelho e de outros concelhos.

A promoção dos valores que lhe deram origem encontram--se bem presentes nestas e noutras das suas realizações, prevalecendo sempre a promoção desportiva e cultural como sinal de civismo.

Engana-se no entanto quem pensa ou roga morte prematura de um filho de tanta gente.

Recentemente, no ano de 1989, iniciou-se a construção da sede da colectividade que se encontra ainda num estado que requer bastantes investimentos e para o qual as fontes de receita provenientes da Câmara Municipal, Instituto Português da Juventude e da Junta de Freguesia do Peso nem sempre são suficientes.

A realização de festas em épocas próprias (Natal, Carnaval, Páscoa) é um contributo importante, se bem que insuficiente, para a realização de uma obra de tão grande importância.

000ajp (51).jpg

Futuro

A Associação da Juventude do Peso está equipada, a nível estrutural, com sede própria, pavilhão polivalente (em fase de acabamento) e campo de futebol (com instalações próprias).

Para o arranque de todas estas estruturas, só possível com o apoio da Câmara Municipal da Covilhã, ADERES e Junta de Freguesia do Peso, que só têm valor quando postas ao serviço da população, estiveram envolvidos desde particulares que cederam parte das suas terras, outros que financeiramente, desde sempre, souberam valorizar uma obra de tão grande importância a nível local.

Em fase de conclusão da cobertura do pavilhão polivalente, e devido ao facto destas terem interferido com a estrutura da sede social, torna-se pertinente que nesta sejam feitas obras de adaptação à nova realidade e que consistem no aproveitamento do piso superior da sede, antes uma esplanada enorme e que agora passa a ser um salão com potencialidades para o desenvolvimento Social, cívico e cultural desta instituição.

Para tal está já a pensar-se na melhor maneira de pôr a funcionar um centro de informática com ligação à Internet, de molde a proporcionar aos jovens, principalmente aos de fracos recursos económicos, o contacto com a realidade do mundo virtual, tanto em moda hoje em dia.

Numa perspectiva futura deverá haver a continuação da organização de provas desportivas e da participação nos eventos organizados pelas colectividades da região.

Organização do campeonato da Escola de Karaté.

Espectáculos de música, teatro e outras actividades afins, com particular destaque à criação de um grupo cénico, assim como de um grupo musical cujo repertório seja efectuado à base da música popular portuguesa.

Colaboração em lançamento de livros de autores ligados ao Peso, assim como de exposições de pintura, cerâmica, escultura e outras actividades culturais.

APONTAMENTO FINAL

Este trabalho foi elaborado pelos seguintes sócios da A.J. P.:

-José Pereira dos Santos -Sócio n.º 16

-José dos Santos Baptista -Sócio n.º 1

-José dos Santos Vaz -Sócio n.º 74

A coordenação e compilação dos mesmos foram solicitadas pelo actual elenco directivo ao sócio nº1

Como coordenador deste trabalho, embora modesto, não posso terminar sem fazer referência a pessoas, que muito contribuíram para a A.J. P.

Refiro-me ao saudoso Dr. António Gil Morão a quem, na minha opinião pessoal, o Peso lhe deve gratidão e manifestá – -la; ao ilustre médico Dr. Fernando Pereira Pires; ao incansável benemérito da colectividade Dr. José Martins Pires.

Uma referência especial à Câmara Municipal da Covilhã pelo apoio às obras da A. J. P.

Apoios também importantes e não esquecidos do Instituto Português da Juventude, da Junta de Freguesia do Peso e da

ADERES.

Termino este trabalho com uma frase que escrevi no «Notícias da Covilhã» no dia 13 de Dezembro de 1975:

Façamos do dia 16 de Outubro de 1975, dia oficial da criação da Associação da Juventude do Peso, uma data histórica para o PESO, assim como o dia 25 de Abril de 1974 o foi para PORTUGAL.

Autoria: José dos Santos Batista 

 

000ajp (6).jpg

000ajp (27).jpg

ajp13.jpg

AJP120.jpg

AJP 001 (4).JPG

AJP 001 (11).jpg

 

000ajp (3).JPG

000ajp (14).jpg

 

3...bmp

000ajp (19).jpg

000ajp (32).jpg

000ajp (33).jpg

000ajp (34).jpg

000ajp (35).jpg

000ajp (45).jpg

 

zesilva 1.jpg

zesilva 2.jpg

000ajp (24).jpg

000ajp (26).jpg

000ajp (28).jpg

000ajp (41).jpg

000ajp (42).jpg

000ajp (43).jpg

000ajp (44).jpg

2...bmp

4.jpg

006.JPG

ajp14.jpg

AJP118.jpg

 

polidesportivo actual.jpg

polidesportivo antes.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:22



Mais sobre mim

foto do autor


Colaboradores do Blog

Clique na imagem dos colaboradores

José Batista Vaz Pereira

Belarmino Batista José Santos Baptista

Vídeos




calendário

Abril 2015

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D


subscrever feeds