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Memórias da Aldeia do Peso

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Infância Vivida na Aldeia do Peso

04.04.15, José P. Santos

 

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Autoria do Pesense:

Belarmino Batista

Emigrante no Canadá

 

PESO 1945

 Ainda me Lembro!

Escolhi este título para esta serie de escritos

Sobre o Peso do meu passado

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PESO 1945

 Ainda me Lembro!

Escolhi este título para esta serie de escritos

Sobre o Peso do meu passado

  I                                        

Foi á muitos anos atrás… quando a minha  memória começou a fixar as coisas que via, talvez á volta dos meus 5 ou 6 anos. Lembro-me que era uma manhã risonha, com orvalhada,   mas com sol quentinho; tinha dormido em casa dos meus avós maternos, o que fazia frequentemente, pois eu era o seu primeiro neto.                                            

Ainda me lembro… o meu avô aparelhou um jumento que tinha, com uma tosca albarda, e pôs-me cima do animal, mesmo em frente á Igreja, onde moravam e resolveu levar-me com ele. Foi a primeira vez que montei num animal, por tão longa viagem.  Fomos até ao sítio do Barrocão ou Barroca das Canas, não posso precisar, há volta de 5 ou 6 km, pelos velhos caminhos de então, por meio de pinhal e mato, uma verdadeira aventura para uma criança da minha idade; talvez daí a razão do que vou contar e eis o principal cenário  que continua vivo na minha mente e o motivo por que escrevo esta crónica.

Ainda me lembro… que ao sair do povoado, no sítio dos Barreiros, quando os casebres da minha aldeia, (sim... casebres) na altura chamávamos-lhe casas, já tinham ficado para traz  e comecei a avistar a natureza. Ao meu lado esquerdo, pinhais; ao meu lado direito, o sol que há pouco tinha nascido, as vinhas, um chão de  terra cultivado que por sinal era de meu avô paterno e ouvi o canto das aves naquela manhã, que (hoje sei) era de Primavera, ainda me lembro… do caminho marcado pelos fundos  rodados dos carros de bois; e gostei tanto daquela paisagem e daquele contacto com a natureza, que não sei porquê, as minhas retinas de criança, fixaram e gravaram para sempre na minha memória, aquele cenário, para o resto da minha vida.

Na minha mente de criança, penso hoje, se existe o paraíso, seria aquela paisagem, aquele envolvimento com a natureza, naquele ambiente rural, naquela idade do desabrochar para a vida…visto por uma criança.   Como eu gostaria de saber transmitir numa tela, estas imagens de infância que ainda guardo na minha mente.  Ao ouvir os diferentes cantos das aves, perguntava ao meu avô e ele me dizia… é o rouxinol, é o pintassilgo, etc., isto ao longo dos olivais e terras de cultivo. Ao avançar para os pinhais, o canto das aves já era outro; o cuco e o gaio, este ultimo lembro-me ter visto alguns… de criança, não talvez nesta minha primeira aventura, pois na minha memória ficou mais acentuada aquela  imagem da saída da povoação e o contacto com o espaço aberto e para mim, grandioso da natureza.

Não me lembro muito do resto da jornada, apenas que o animal comia umas folhas de milho seco (canas, como lhe chamavam na minha aldeia) que o meu avô tinha levado entaladas na albarda do animal. E a mim, deu-me também qualquer coisa  para comer que minha avó me tinha mandado. 

Ainda me lembro… que ficamos num pequeno talhão de terra  de cultivo, á beira do Ribeiro, que hoje sei é o do Braçal, que nasce a centenas de metros na serra que chamamos do Penesinhos.    Hoje… percorrendo o mesmo trajecto (paraíso) de á  55 anos, o que fiz á alguns anos atrás, o caminho hoje é rua, é diferente; desapareceram os vestígios dos animais de carga e os rodados dos carros de bois, as casas hoje podem-se chamar casas, (não casebres) mais bonitas e confortáveis, mas  as  aves… essas desapareceram; o seu cantar foi substituído pelo som da rádio e as terras que outrora estavam bem cultivadas, qual jardim do paraíso está abandonado; e na montanha, o pinhal oferece uma imagem desoladora; paisagem de terra queimada, (dos fogos do verão).     O paraíso da minha infância, da memória  a desabrochar para o mundo, como aquela manhã de Primavera…desapareceram… mas enquanto eu viver, ainda me lembro…   Á coisas que nunca esquecem… e outras por serem das primeiras  que o nosso cérebro guarda, quando começamos a tomar consciência do que existe á nossa beira, ficam-nos gravadas para sempre nessa calculadora maravilhosa a que chamamos memória e vão e vêm á nossa mente para o resto da nossa vida. Esta é uma delas.

Ainda me lembro… nas horas de nostalgia… cá longe… na  emigração.   

B.Batista .Agosto. 78  

II

Ainda me Lembro!!!

1947/48

Os anos dos pós guerra

Nascido no Peso em 1939, ano em que começou a II   guerra mundial (39/45) escusado será dizer que foram anos difíceis para toda a Europa.

Ainda me lembro que o Peso, era uma aldeia como tantas outras  de uma fisionomia rural e agrícola, mas com a particularidade de estar ligada á industria de lanifícios através da tecelagem, sendo esta industria uma das bases de sustento de muitas famílias.   Não me lembro muito bem das grandes vicissitudes da  mesma, no que toca á falta de básicos géneros alimentícios, como pão e mercearias, devido ao facto de meus pais e avós terem mercearia e padaria. Mas ainda me lembro de ver filas de pessoas no pátio da padaria de meus avós paternos, à espera para lhe venderem pão, o que era feito através de um postigo com grades. Sei hoje que muitas dessas pessoas vinham de longe, das terras do sul do Zêzere como Barco, Paul, Ourondo e até de Silvares e S. Martinho. Chegavam durante a noite, para de manhã poderem apanhar o precioso pão, que alguns iam vender depois nas suas terras a preço mais elevado.

I

Deste facto tive conhecimento já aqui em Vancouver, por pessoas que participaram nesta “realidade”que afinal iam ao Peso buscar pão e hoje sei era a padaria de meus avós  Foram tempos de dificuldades que se viviam nesta época, nestas aldeias rurais das Beiras e não só, dificuldades estas que se prolongaram por mais de duas décadas, até que surgiu a emigração para França, nos princípios de 1960/65.

Havia racionamento para muitos géneros de consumo, como pão, açúcar, arroz, sabão, etc. e lembro-me de meu pai, me pôr a cortar cupões de cadernetas que eram distribuídas pela então, IGA (Intendência Geral de Abastecimentos) todos os meses aos comerciantes. Esta entidade estatal, regulava os abastecimentos de géneros de consumo básico ás populações. Assim conforme o número de pessoas do agregado familiar, era-lhes atribuído uma certa quantidade desses produtos, que os comerciantes iam levantar aos armazéns da sede de concelho. Algumas dessas famílias com maior numero de  filhos e que portanto tinham acesso a mais uns quilos desses produtos, por vezes, por falta de dinheiro, vendiam esses géneros a outras pessoas que melhor os podiam comprar.

Por alturas de 1955/60 as Paróquias recebiam igualmente farinha americana e canadiana, doada pela “Caritas” uma organização internacional de apoio aos países pobres, (sim Portugal estava classificado como tal) para ser distribuída pelas pessoas com mais necessidade nas aldeias, o que nem sempre acontecia. Parte dessa farinha era vendida ás padarias, desculpem esta revelação, mas isto faz parte da história do nosso povo  porque era farinha “especial” e bastavam uns 10 a 15 kg  num saco de 75 kg para se fazer um pão de muito melhor qualidade e apresentação, já que a farinha fornecida ás padarias era uma mistura de trigo, fava e feijão frade (pequeno).

Quem se lembra ainda dos famosos pães de testa (5$00).

 Os primeiros automóveis do Peso

Foi no início da década de 1950 que vieram para o Peso os primeiros automóveis, por via da indústria de panificação.

Havia no Peso duas padarias importantes para a área do “Rio”:

A de meus avós, Belarmino Batista & filhos.

E a dos Irmãos Pires (Abílio, Ângelo e José.)

Nesta época de falta de géneros alimentícios, ter uma mercearia ou principalmente padaria era uma vantagem económica que não se podia ignorar. Assim estas duas famílias tentaram expandir e com certo êxito, esta oportunidade.

 Assim se adquiriram os primeiros automóveis para o Peso, para a distribuição do pão pelas terras vizinhas, que até então era feita com carroças puxadas por cavalos e machos.  Em muitas aldeias não havia padarias, ou se havia, eram apenas exploradas nas mesmas. Não nos esqueçamos que nesta época as aldeias eram mais povoadas do que actualmente.  Embora vivendo-se com dificuldades, havia nelas “‘vida”, comparado com esse tempo, hoje são quase aldeias “fantasmas”.

No caso de meu avô, comprou-se um “Nash” dos célebres modelo T que era posto a trabalhar com uma grande manivela. Tiravam-se os bancos de traz, já que a mala traseira era bastante pequena, mais parecida com um baú e assim enchia-se o espaço, com o pão que era posto dentro de grandes cestos de verga e em cima dos mesmos.

O pão desta época era na maioria, unidades de 1 kg, kg e meio e do tamanho de um prato. Usava-se o pão de testa, o centeio e o pão de milho, (mais conhecido por broa)   a (5$00) e igualmente o de 1kg ($3.30). Menos usado era o pão “fino” assim lhe chamavam, que consistia de regueifas (4$80), carcaças ou pão de quartos (1$60) e os celebres papossêcos ($0.40), que chegaram aos nossos dias.

Esse pão era distribuído pelas aldeias do “rio”como Coutada, Barco, Paul, Ourondo, Casegas, Sobral e para o lado norte, Erada, Unhais, Cortes e até á isolada Bouça. Onde não havia estrada e era enviado um robusto cavalo, pelo comerciante, que transportava 3 cestos de pão, para ser revendido no único estabelecimento da povoação. Alguns anos depois tentava-se a zona industrial do Tortosendo, Covilhã e as inúmeras quintas ao redor.

No  caso dos Irmãos Pires, passado algum tempo adquiriram também um automóvel, (género de furgoneta) para o mesmo efeito, lembro-me que tinha os lados de madeira ou imitação e já mais moderno. Não me lembro da marca; (Austin?)

 Assim a indústria de panificação do Peso era conhecida, por toda a Cova da Beira.

Gerou-se até como é óbvio, uma certa animosidade entre as duas famílias, ao interferirem nas zonas económicas uma da outra. Era a luta pela sobrevivência.

Existiam ainda, que eu me lembre, dois fornos de coser pão para o povo, o da Ti Ana Poiares e outro...(?)   funcionando no sistema de “maquia”.    Maquia era a forma de pagamento das pessoas pelos serviços prestados.  Assim pagava-se o uso do forno com o mesmo pão, consoante a quantidade de pão cosido.

Pagava-se uma "cota" com produtos da terra, como milho e azeite, ao barbeiro, aos barqueiros para a travessia do Zêzere.  O mesmo acontecia com o Doutor.   (vejam a introdução nos meus escritos de”O salto”).  O pagamento da côngrua ao Padre, era igualmente feito com os mesmos produtos.  O dinheiro era um “bem” secundário, que muitos possuíam em mínima quantidade.

Já que falei na ti Ana Poiares, estou-me a lembrar do seu filho Amândio, que trabalhava no mesmo forno e conseguia equilibrar um tabuleiro de pão á cabeça,  coisa que só as mulheres faziam. Este dedicava-se aos domingos a engraxar sapatos,  levava 1.50 (15 tostões) e era um bom profissional. Posso dizer que com a sua ocupação contribuía para que o Peso fosse uma aldeia onde havia um pouco de tudo. Muitos rapazes dos Vales, Pesinho e Coutada, vinham ao Peso aos domingos, para engraxar os sapatos, por não haver nas suas terras este serviço.

Nestes tempos em que a estrada não  era alcatroada e os caminhos todos poeirentos no verão e lamacentos no inverno, andava-se muito a pé.  A primeira e única  camioneta de carreira que fazia o trajecto entre o Tortosendo e o Barco, começou, creio nos anos 60, saia do Barco pela manhã antes das 7 horas e vinha  pelas 6 horas da tarde.   

III                           

 Ainda me Lembro!!!...das tradições da tecelagem no Peso.

Segundo ouvira  dizer aos meus avós desde tempos antigos que havia no Peso quem se dedica-se á tecelagem de cobertores, lençóis de linho e mantas de âmbito artesanal.

Com o advento das fábricas de lanifícios no Tortosendo, (a Covilhã já ficava longe…naquela época) as  gentes da aldeia começaram a trabalhar na tecelagem, para essas mesmas fábricas, indo buscar as matérias-primas necessárias para depois fazerem o trabalho em casa. Novos teares, (só de um pano) assim lhe chamavam aos teares maiores, foram adquiridos por muitas pessoas da aldeia e assim começava uma nova era para muitos, uma nova vida que lhes garantia o sustento da família.

Assim eram trazidas grandes meadas de fio que depois eram estendidas num grande estendedouro, (ordedouro assim lhe chamavam, a grandes barras de ferro, não tão grandes no tamanho, das balizas do futebol) que iam desde a estrada do Cabouco ao cimo do Carrascal, ao longo do extremo Poente da escola da D. Blandina, assim era conhecida a mesma.

Essas grandes meadas de fio eram (julgo) transformadas em mais pequenas para serem passadas numa dobadeira  para depois serem  transferidas para um “fuso” que seria depois usado na lançadeira do tear. Estes trabalhos secundários eram quase exclusivos das mulheres. Depois do trabalho estar completo o tecido, era levado á fabrica para receberem o pagamento e trazer outro trabalho, (se o houvesse)  . Quem passa-se pelas ruas da aldeia, poderia ouvir o matraquear dos teares a qualquer hora do dia ou da noite. Existia um barracão, assim se chamava uma série de palheiros que iam desde a casa actual do Senhor João Sardinha até á área onde estão os tanques, lavadouros públicos e aí estavam instalados uns quantos teares, 4 ou 5 não posso precisar onde havia sempre gente a trabalhar até altas horas da noite e manhã cedo.

 Era esta a vida de muitos habitantes do Peso, até princípios da década de 1960.

Devo salientar que estas mercadorias eram transportadas ás costas ou em jumentos, (o Ti Zé Aires tinha um burro, rijo e dócil  que era nessa altura como que o táxi da aldeia) – pelo caminho da “Serra”que seguia do cimo dos Vales do Rio, até ao fundo do Cabeço do Tortosendo. Estes teares, instrumentos de trabalho, eram registados num Departamento Governamental, cujo nome não me lembro e lhes garantia um alvará que  mais tarde foram valorizados, pois ao fazer-se a reconversão da industria de lanifícios, de manual  para automática, eram necessário aos industriais de lanifícios, obter três alvarás de teares manuais para um tear eléctrico. E assim foram adquiridos muitos, ou quase todos, a um preço que ia desde os 12 mil escudos aos 20 mil , conforme a procura; uma pequena fortuna nessa época.

 Depois começou a ser ”descoberta”a emigração para França e igualmente com a reconversão dos teares manuais para eléctricos, automáticos como lhe chamavam e assim muitos começaram a deixar a indústria de tecelagem manual. Alguns foram aprender a trabalhar com os novos teares e arranjaram trabalho no Tortosendo e Covilhã, para onde iam todos os dias de bicicleta. Eram notórios os grupos de tecelões que especialmente do Peso, Coutada e Dominguiso, enchiam a estrada, (ainda de maquedame) e se ouviam á distância, falando uns para os outros. Fazendo este trajecto, infelizmente  alguns conterrâneos nossos encontraram a morte na estrada,

Com esta mudança para o progresso iria acabar uma indústria para as aldeias do Rio e não só, pois outras limítrofes como o Teixoso, Aldeia do Carvalho, Sarzedo, Ferro, Peraboa etc., haviam muita gente a trabalhar nesta indústria.                                                   

No caso do Peso, houve outra reconversão: os que não seguiram para França tão depressa, ou já pela idade mais avançada, lançaram mão á tecelagem de mantas de trapos. O Peso chegou a ser a terra com mais gente a trabalhar neste sector artesanal em todo o distrito, ou até talvez em todo o país.

Senão vejamos; a área de domínio das gentes do Peso estendia-se a todo o distrito de Castelo Branco, área de Alcains, a partes do da Guarda, área do Sabugal e Coimbra, como Barroca do Zêzere, Vasco Esteves, Loriga,  etc.                                                

Eu próprio como proprietário do automóvel de aluguer (táxi) da aldeia, na altura percorri todos estes percursos no transporte dessas mantas, em toda a década de 1960 e até à minha emigração em fins de 1973.

De salientar que cada pessoa tinha a suas localidades, que na maioria dos casos era respeitada, não fazendo concorrência uns aos outros.                                               

Com o envelhecimento dos mesmos e a emigração para França, esta actividade foi-se desvanecendo até á sua extinção.    Assim se vira mais uma página da história do Peso.                                                                                                                                                

É pena que não tivesse ficado um pequeno museu com todos os artefactos desta indústria, (tecelagem) para que  as gerações vindouras pudessem apreciar.

IV

Ainda me Lembro!!!

A vinda da electricidade

Por alturas de 1958/59, (?) chegou a electricidade ás aldeias do Rio, desde o Dominguiso ao Barco e isto foi certamente um dos grandes benefícios desta época.

Este melhoramento veio proporcionar como é óbvio um substancial desenvolvimento ás aldeias e uma melhoria nas condições de vida daqueles que podiam instalar a luz eléctrica em casa. Para esses as candeias de azeite ou os candeeiros a petróleo, poderiam já ser coisas do passado. Possibilitou igualmente a mecanização da indústria de panificação na aldeia.

Ouvir-se a rádio era já possível, pagando uma licença anual de 100$00 escudos á então Emissora Nacional. E passados poucos meses, eis que apareceram mesmo os fiscais da Emissora entrando nos estabelecimentos e apanhando os que não tinham essa licença, creio que nenhum a tinha e lembro-me que meu pai foi um dos apanhados. Com a rádio, nas tabernas já poderia haver mais divertimento e informação, tal como o relato dos jogos de futebol.

Lembro-me igualmente que nomeadamente as mulheres, se reuniam em frente da telefonia para ouvirem o” romance”.As tabernas iam-se transformando em cafés (onde café não havia) ficariam a ser tabernas mais civilizadas, pelo menos com cadeiras e mesas, em vês dos tradicionais bancos quadrados de madeira.

O primeiro verdadeiro café a ser aberto no Peso, foi o dos irmãos Arnaldo e António Proença, isto já depois da vinda da Televisão. Todas as noites eram casa cheia, principalmente para a noite de teatro. As emissões começavam da parte da tarde acabava á volta das 11 da noite.

Uma das bebidas mais populares na altura, para os que não bebiam vinho, era uma mistura de gasosa com café (de cevada) que fazia uma espuma mais parecida com cerveja preta. Havia um nome próprio para esta bebida, que não me recordo.

Ainda me lembro que a primeira televisão no Peso, foi dos Irmãos Pires e nos primeiros dias foi posta na varanda do seu estabelecimento no Largo do Chafariz, onde á noite um arraial de gente se reunia para ver a TV.

                                             ~~~~~~~~~~~~~~

Queria recuar um pouco no tempo, para antes da vinda da electricidade.

As primeiras telefonias existentes no Peso, foram as do Sr. Ângelo Morão no Largo do Chafariz, que era proprietário de um dos melhores estabelecimentos de mercearias, retrosaria e fancaria de todas as aldeias do Rio. Aqui vinham muitas pessoas das aldeias vizinhas, abastecerem-se para não irem ao Tortosendo ou Fundão. A outra casa com telefonia era de meu avô, Belarmino Batista.

 Estas eram as únicas casas que tinham electricidade fornecida por um gerador movido a vento e instalado no telhado. As pessoas chamam-lhe “caravelas”.

Ainda me lembro que as pessoas no dia das celebrações de N. Sra. de Fátima, no 13 de Maio, enchiam a sala da casa de meu avô, para ouvirem as reportagens das mesmas. Lembro-me igualmente quando da morte do então Presidente da Republica, Marechal Carmona, se encher a casa de gente, onde eu estava também e ver as pessoas chorar com o relato emocionante e sentimental dado pelo incomparável locutor de então, Artur Agostinho. Recordo-me bem deste acontecimento, por ter chorado também.

Lembro-me igualmente de ir ouvir, muitas vezes sozinho, por alturas da Pascoa, os relatos do hóquei em patins para o campeonato do mundo, transmitidos de Geneve ou Montreaux, na Suíça. Gostava ainda de ouvir o programa dos Companheiros da Alegria no Rádio Clube Português todas as noites, espectáculo musical que na década de 1950/60, percorria Portugal de lés a lés. Igrejas Caeiro e Elvira Velez eram os produtores deste espectáculo, que revelava muitos dos bons artistas/cantores portugueses.

Isto só era possível graças aos geradores a vento.

 

Autoria do Pesense:

Belarmino Batista

Emigrante no Canadá

(Estes textos são publicados no site do Peso, com a devida autorização do autor

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O Barco e o Rio

03.04.15, José P. Santos

 

Um pouco de historia sobre o Rio e o “barco” .

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Texto de: Belarmino Batista

 (Pesense radicado no Canadá)

Devo sublinhar que nesta época existia no Peso, assim como noutras povoações vizinhas como Alcaria, Barco, Silvares, Barroca do Zêzere etc., uma embarcação que ligava as duas margens do Rio Zêzere ás povoações do outro lado, neste caso ao Pesinho, para transporte de pessoas, animais e mercadorias. Quando chegava a Primavera e o caudal do Zêzere era mais diminuto, eram postas umas tábuas, (passadeiras) no lugar onde hoje se situa a Ponte, que em muitas ocasiões ainda eram levadas por alguma cheia imprevista. No caso do Peso, esse barco e o direito de exploração pertencia ao “ Passal” uma instituição ligada á Igreja.

As Tábuas e o Barco, nessa altura eram a Ponte Peso - Pesinho

 Assim era “arrematado” o barco, nome dado ao acto de arrematação para a exploração do mesmo durante um ano. Dos grupos interessados que houvesse, a exploração seria dada a quem mais oferecesse. Como havia e há uma grande afinidade familiar e social entre os habitantes do Peso e Pesinho e a necessidade de ir ao Mercado e Feiras do Fundão, vender ou comprar animais como suínos, jumentos gado caprino e até juntas de bois, alem de se abastecerem de outros produtos que só encontravam no Fundão, como árvores , couves , sementes, etc., quase toda a gente pagava essa avença aos Barqueiros, para poderem utilizar o barco. (Como tudo se modificou em uma ou duas décadas!)

O Barco ancorado do lado do Peso e do lado do Pesinho

Depois pela época das colheitas esse homens que tinham ficado com a exploração do barco, iam de porta em porta, no Peso e no Pesinho, cobrar uma certa quantidade de milho, creio que um alqueire, medida de (20 litros), ou mais tarde, azeite, quem não tivesse milho, para assim poder usar o barco quando fosse necessário.

Quando aparecia alguém de outra terra que necessitasse de usar o barco, pagavam uma quantia, á descrição.

                                                       ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

----Voltando ao título, sei que era dia e Natal, teria eu os meus 10 a 12 anos tinha chovido bastante toda essa semana e o Rio começava a transbordar para os “lodeiros” nome dado, ás terras de cultivo adjacentes ao Rio.

Como era dia de Natal havia gente do Pesinho e Peso em ambas as partes do Rio e pela tarde, depois das visitas familiares, seria o regresso ás suas terras. Entretanto como era hábito muitas dessas pessoas juntavam-se na zona central da povoação, onde existiam as tabernas, únicos lugares onde as pessoas da aldeia congregavam para socializar.

Assim ao fim da tarde era frequente e considerado normal, alguns sentiam os efeitos do álcool, demonstrando-o nas mais diversas formas. Os “barqueiros” eram normalmente bem tratados neste sentido e nunca lhes faltava a bebida oferecida pelos utentes do barco, pois era conveniente ter sempre os “barqueiros ‘ na mão par se poder atravessar o rio quando necessitassem e sem muita demora. A dose habitual para estes homens era os “meios/quartilhos” nome dado aos copos de ¼ de litro.

Se não pudessem beber na altura a bebida ficava paga para ser bebida noutra oportunidade. Consequentemente ao fim da tarde já teriam uma dose considerável de meios – quartilhos, principalmente aos fins-de-semana e dias de mercado no Fundão, (segundas feiras).

 Mas entretanto o caudal do Zêzere devido ás chuvas que tinham caído durante a semana quase sem cessar, continuava a aumentar consideravelmente, quase sem as pessoas darem por isso. E ao cair da tarde quando queriam regressar ás suas casas procuravam os “barqueiros” para a passagem ao outro lado. Entretanto estes, já tinham mudado o barco do paredão das “tábuas”, onde normalmente estava ancorado, para o paredão da “pontaria” mais acima, mas a uns 100 a 150 metros desviado do leito do rio amarrado a uma arvore, pois junto ao leito tornava-se perigoso, por o paredão começar a estar coberto de agua. Entretanto durante a manha já alguém tinha gritado do lado do Pesinho.  Ó... Barqueiro! Era assim que se comunicava oralmente duma margem para a outra, não havia telefone. Ainda me lembro..., ao fim da tarde fui a casa dos meus avós maternos (no Adro da Igreja) e daí pude ver com mais precisão toda a extensão da cheia.                             

Ainda me lembro perfeitamente de todo aquele barulho arrasador (soava) como lhe chamavam que as águas do Zêzere faziam naquela situação de cheia.     As mesmas tinham chegado à estrada do Peso e do outro lado à fonte do Pesinho que estava parcialmente submersa     

   

As Pessoas e o Barco          

Aliás foi dessa visão da cheia e desse sussurrar assustador e delirante do Zêzere que, ainda jovem, me ficaram na memória as bases para esta crónica.

 Com o movimento habitual desta data festiva, nem barqueiros nem passageiros utentes do barco, se davam conta do perigo que poderia resultar o atravessamento do Zêzere.     

 Avaliando as circunstâncias hoje, confesso que era precisa ter coragem... (ou efeitos de alguns copos) para se aproximarem do leito do Rio naquelas condições.

Assim os barqueiros Joaquim Augusto e José Cortiça, este ultimo natural do Barco mas casado no Peso, apelido este de Cortiça, vinha-lhe do facto de ser destemido para o rio. Como a cortiça nunca ia ao fundo, daí o nome porque era conhecido.

Assim lá foram esses 4 ou 5 homens, ignorando todos os perigos, tentar a travessia do Zêzere. Lembro-me de algumas pessoas se concentrarem em lugares para observar esta tentativa de travessia do Rio, pois obviamente receavam o pior.  E a travessia fez-se da seguinte maneira.           

Começaram, por levar o barco ao longo do paredão, para se aproximarem do leito do rio.  Aqui trocaram as varas, normalmente usadas para chegarem ao fundo do rio, pelos remos, pois as varas, que teriam aproximadamente uns 5 metros não chegavam ao fundo do leito. Por aqui poderemos avaliar a fundura que o Rio levava. Puxando o barco para cima o mais possível, foram deixando descair o mesmo, ao mesmo tempo remando contra a corrente e tentando segurar a proa (frente) do barco sempre para nascente, assim o barco foi puxado para a margem do Pesinho, até que se aproximou das margens da outra banda, mas vindo parar cá para abaixo mesmo frente ao sitio dos Barros, levando-o em seguida pelos lodeiros até mesmo ao fundo do Pesinho. O barco não regressou ao Peso esse dia, mas sim no dia seguinte com as aguas já a baixar.

O Zêzere tinha sido vencido mais uma vez por este punhado de homens destemidos e habituados aos perigos do mesmo.

Como se fazia o transporte para a outra margem

Quero recordar uma nota trágica, em que o Zêzere nem sempre era transposto com segurança. Foi por alturas de 1958/59 em que na travessia de Alcaria para o Dominguiso, numa segunda feira de Inverno, já noite cerrada, um grupo de jovens raparigas dos Vales do Rio, que trabalhavam numa fabrica de colchões em Alcaria, ao regressarem a casa depois de um dia de trabalho, ao chegarem à margem direita o barco foi de embater um tronco de arvore parcialmente coberto de agua e com o balanço do choque, duas jovens foram cuspidas para as aguas e nunca mais foram vistas. A tragédia tinha acontecido e o povo dos Vales do Rio correu aos gritos com lampiões e outras luzes que puderam arranjar e indiferente à chuva que caía copiosamente e tinha caído todo o dia, dirigiu-se para as margens do rio sem saber exactamente o que tinha acontecido e quem tinha desaparecido. Já era tarde de mais para que alguma ajuda fosse útil., pois as duas jovens tinham desaparecido, para serem encontradas, uma, dias depois para os lados das margens da Coutada e a outra algumas semanas mais tarde, cá para as bandas de Dornelas do Zêzere.

Cheia no Rio nos dias de hoje

Eu lembro-me... eu estava nos Vales do Rio, conhecia bem estas jovens que o Zêzere roubou tão tragicamente na sua juventude e assisti a estes momentos trágicos das famílias a quem estes ente queridos tinham sido tragados pelas aguas impetuosas do Zêzere.

Este Rio que trazia riqueza a estes povos pelas terras que banhava, trouxe também a tragédia. Aqui a refiro para que não caia no esquecimento das gerações viventes.

Nomes dos Barqueiros mais conhecidos. Joaquim Augusto, José Cortiça, António Pereira, seu filho Joaquim Pereira, José Travanca, João...? (homem da Ti Patrocínia Madeira)

Peço desculpa em mencionar alguns nomes pelos apelidos (alcunhas) pois não sei outros.

 

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Associação da Juventude do Peso

03.04.15, José P. Santos

 (Ao fim do texto tem mais fotos)

 

Outros tempos, breve história da Associação da Juventude do Peso.

(Há medida que forem aparecendo novidades sobre este tema, serão aqui colocadas.)

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Ano de 2000 – 25º Aniversário

PASSADO – PRESENTE – FUTURO

Esta brochura só foi possível graças ao apoio do Instituto Português da Juventude

 

Passado

A Associação da Juventude do Peso (AJP) foi o corolário natural no Peso do abanão político no País em 1974.

Não se pense que foi só depois do 25 de Abril que trouxe o associativismo ao Peso. Já na década de 60 havia associativismo, embora sem o carácter legal, pois os tempos eram outros, o regime salazarista - fascismo -não o permitia.

Recordo-me e felizmente ainda há muita gente viva, que se recorda de uma grande equipa de futebol que existiu no Peso. Faziam parte dessa equipa nomes como o José Grancho (pai do Joaquim, Zé, Raul, Manuel, Tó e Paulo Grancho), que chegou a ser chamado para jogar no Oriental de Lisboa; também foram jogadores o Júlio, o Zé Arrebenta, o Tó Folholha, o Luís Morais, o Tó Redondo, o Tó Galito, o Tó Pedro, o Raul Paródia, o Joaquim Rebelo, o Tó Pinguelas, o Tó Guerra, o Raul Folholha, o Fernando Macau, o Artur Pilau, o Zé Vaz, o Tó Vaz e tantos outros.

A cor dos equipamentos variou um pouco ao longo dos anos, mas o mais antigo era à Futebol Clube do Porto, ou seja, camisolas com listas verticais alternadas de branco e azul e calção preto. Também houve camisolas pretas com uma faixa branca -para se diferenciar um pouco do equipamento da

Associação Académica de Coimbra; camisolas brancas com uma risca vertical no peito, à Ajax de Amesterdão.

As cores actuais da AJP são resultado da cor desse equipamento à Porto.

O campo de futebol era em terreno aonde actualmente está a Serração e só depois, mas antes do 25 de Abril, é que foi feito aonde actualmente se encontra.

O terreno foi cedido por diversos proprietários que assim prescindiu de um bem privado para benefício de toda a comunidade; o arranjo foi apoiado por peditórios públicos, Câmara da Covilhã e os balneários foram construídos pela firma António Joaquim Maurício que o utilizou, como estaleiro, enquanto se arranjou o troço de estrada entre Vales do Rio e o Barco.

Para além de futebol os jovens do Peso também gostavam de outras actividades desportivas, culturais e recreativas.

Falemos de teatro, aonde muita gente se recorda, há já muitos anos, alguns 45 anos ou mais, dos nomes do ti António Morais e do ti António Pires.

Pelo teatro passaram também o Abílio Abrantes, Tó Grancho,

Manuel Paulito, Tó Pedro, João Sacristão, Virgílio Morão, Aníbal Alegre, o saudoso Ângelo Amaro, Maria Rebela, Lurdes Paulita, Patrocínia Valentim, Arminda Aleixo, Margarida Proença, Lurdes Bonifácio, Judite Madeira, e as saudosas Maria Sardinha e Teresinha Ferraz. Propositadamente deixei alguns nomes para o fim, por serem todos descendentes do ti António Morais: o Tó, o Zé, o Luís e o Fernando Morais, assim como a Elvira e a Lurdes Morais. Pode dizer-se que a família Morais tinha o bichinho do teatro

Os teatros realizavam-se no Salão Paroquial. Raro era o ano em que não se realizavam duas ou três sessões de teatro, quase sempre repetidas uma semana depois. Normalmente não havia festa de Nossa Senhora de La Salette, Natal e Passagem de Ano em que não houvesse teatro.

O teatro era constituído por peças teatrais, como é óbvio, mas também por danças e cantares regionais.

Quem ensaiava normalmente eram pessoas com alguma cultura, como não podia deixar de ser, para o bom êxito das representações e neste campo há quatro nomes que me indicaram e eu próprio me recordo: o Sr. Padre Pereira, a D. Lurdes do Sr. João Belarmino, a D. Mimi e o Sr. Abílio Abrantes.

Para fazer os cenários em papel e pintá-los, era o Fernando Santos Baptista o especialista, embora fosse ajudado por alguns filhos do SI: Artur Morão.

Já no final da década de 60, durante o Verão, alguns jovens faziam bailes públicos ao domingo, com a aparelhagem sonora da Igreja.

Era curioso que o espaço de tempo que mediava a hora da saída da missa -cerca das 13h. -até à hora do baile começar - cerca das 16h.- Era aproveitado por esses jovens que utilizavam o microfone com o som ligado aos altifalantes colocados no cimo da torre da Igreja, para fazerem um género de programa radiofónico.

Para além do gozo que lhes dava, esta iniciativa servia como propaganda publicitária ao baile, chamando ao adro da Igreja as encantadoras raparigas da nossa terra.

Realço os nomes de alguns jovens que tinham o bichinho da locução como o Quim Redondo, Gabriel Vaz, Mário Bernardo e o saudoso Aníbal Casteleiro, com o apoio técnico do saudoso Ângelo Amaro.

Por mero acaso, ou talvez não, nenhum dos jovens locutores se ajeitava a jogar futebol!

Perante isto é evidente que a sede de todas estas actividades era o Salão Paroquial do Peso. Por isso mesmo merecem aqui uma referência elogiosa e de respeito os Senhores Padres António Pereira e Mário Bizarro da Nave, pelo apoio que sempre prestaram à juventude.

Apesar de não estar legalizado, o grupo de jovens era conhecido pelo Grupo Desportivo do Peso quando as actividades se relacionavam com futebol; quando as actividades eram de carácter cultural ou recreativo a designação mudava de nome - não viesse por aí a PIDE/DGS a chatear -e a juventude abrigava-se no nome de JAC -Juventude Agrária Católica.

Em Agosto de 1969 surgiu o primeiro conjunto musical no Peso: O Conjunto ISA SOTNAS. Era formado pelo Abílio Abrantes (vocalista), Artur Aleixo (viola solo e compositor musical), o Luís Morais (bateria), o Zé Baptista (bandolim e compositor das letras) e o Zé Morais (acordeão).

Este "famoso" conjunto actuou a 1.a e única vez na noite de teatro que se organizou no sábado da festa de Nossa Senhora de La Salette em Setembro desse mesmo ano.

Com o desaparecimento do  ISA SOTNAS surge o conjunto musical SIAROM.

Uma vez mais a família Morais puxa pelos galões artísticos e cria este conjunto, com o seu próprio nome lido ao contrário.

Faziam parte, como é evidente o Zé Morais (acordeão), o Luís Morais (bateria), o Belarmino Baptista (castanholas) e o João José (ferrinhos).

Os ensaios do conjunto eram feitos na casa da "Tulha". A casa da tulha era um local aonde a casa agrícola "Casa Franca" guardava os cereais -milho, trigo e centeio.

Esta casa situava-se no mesmo local aonde actualmente é a casa de habitação e Café do Sr. Joaquim Abrantes Ferraz.

Depois os conjuntos começaram a profissionalizarem-se, devido à acção fiscalizadora das Repartições de Finanças.

O SIAROM desiste nesta fase mas surge um outro conjunto no Peso, o WAR

Este conjunto era formado pelo Artur Aleixo, João Luís (veio a ser substituído por um jovem do Fundão chamado Luís Moreira), João Olímpio, João José e Abílio Abrantes.

As deslocações entre o Peso e o Fundão nunca foram fáceis! Já na altura fazia falta a Ponte entre o Peso e o Pesinho e continua a fazer falta...Por este motivo o jovem do Fundão não tinha muitas hipóteses de se deslocar e desistiu de fazer parte do conjunto.

Terminava assim o Conjunto WAR.

A juventude não baixava os braços. Rei morto, rei posto. Acabou o WAR, começou o Conjunto ORIGEM.

Os seus membros eram precisamente os mesmos do Conjunto WAR, mas sem o jovem do Fundão. Entrara, como vocalista, o Basílio Pires, mas por pouco tempo. Portanto, tudo juventude exclusivamente do Peso. Continuou o Conjunto ORIGEM ainda por bastante tempo.

Surge nos finais dos anos 80 um novo conjunto no Peso. Este diferente de todos os anteriores, pois dedicava-se à divulgação da denominada musica popular portuguesa, às raízes folclóricas. O seu nome era o SOM D' AQUI.

Fizeram parte deste conjunto o Zé Vaz, Rui Duarte, António Ferreira, Zé Redondo, Armindo Duarte, Zé Carlos Sardinha, a saudosa Ilda Sardinha, Fátima Aleixo da Silva, ‘ Virgínia Bernardo Pinto e a Leonor Bernardino.

Foi pena este conjunto ter desaparecido, pois a divulgação da música popular torna-se uma necessidade. O SOM D'AQUI sabia fazer essa divulgação, com sabedoria, com categoria.

Em finais de 1973, início de 1974, alguns jovens, parte deles alunos do Seminário do Verbo Divino no Tortosendo deram uma designação ao associativismo no Peso: G. D. C. P. -Grupo Desportivo e Cultural do Peso.

Desse grupo de jovens faziam parte, entre outros, o Abílio Abrantes, Artur Aleixo, Basílio Ferreira Pires, João José Vaz, João Luís Baptista, João Olímpio dos Santos, Paulo Ferraz, Raul Sardinha Grancho, Vicente Oliveira e o Vicente Proença.

Em Dezembro de 1974 reuniram-se no Salão Paroquial do Peso os jovens de ambos os sexos que habitualmente residem no Peso. Resolveram criar uma associação para fins culturais, desportivos e recreativos. A Direcção ficou constituída pelo João Luís, Zé Baptista e Arlindo de Matos. Os nomes dos elementos dos outros órgãos sociais não os possuo, mas sei que se mantiveram quase todos os membros do extinto G.D.C.P. Também fizeram parte algumas raparigas, como a Mirita Ferreira, Beta Mateus Casteleira, Adozinda Bernardo, Odete Abrantes, Fernanda Machado, Femanda Aleixo e a saudosa Maria Sardinha.

Para angariarem fundos, realizaram um teatro no dia 29 de Dezembro de 1974, levando à cena a peça "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente.

No dia 31 de Dezembro patrocinaram uma corrida de atletismo, aonde se revelaram excelentes praticantes alguns jovens do Peso.

As provas de atletismo de então, onde chegaram a participar atletas federados, tornaram-na de importância relevante ao nível concelhio e distrital -na altura tudo se resumia a uma pequena colectividade de grandes sonhos onde o futebol e o atletismo eram rei e rainha. O futebol chegou mesmo a militar no distrital de Castelo Branco, sempre com insuficiência de meios e bastante carolice.

Com a colaboração do conjunto ORIGEM realizaram um baile de fim de ano.

Depois foi a realização duma Campanha de Alfabetização, auxiliados por duas jovens professora primárias do Peso, a Isabel Duarte Proença e a Lusitânia Filipe Ferraz.

Em seguida procederam à LIMPEZA DAS RUAS, varrendo-as e colocando bidões para recolha do lixo.

Em 19 de Fevereiro de 1975 a Direcção da A.J.P., a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia e a população em geral, em abaixo-assinado remetido ao Sr. Bispo da Guarda e tendo em vista a construção de um PARQUE DESPORTIVO POLIVALENTE, podia ler-se:

“.que o local indicado é um terreno inculto pertencente ao Passal, por se situar junto das Escolas Primárias, Cantina Escolar; Casa do Povo e Posto Médico... solicitam a V Ex.ª Reverendo a fineza de nos ceder este terreno que irá ser utilizado para benefício do Povo."

Efectuaram-se algumas reuniões com o ENDO -Encontro Nacional do Desporto, a fim de ser concedida uma verba para construção dos balneários públicos e de um campo desportivo polivalente.

Em virtude da Casa Paroquial se encontrar degradada, precisando de obras de remodelação, houve necessidade de se sair do Salão Paroquial. Procedeu-se então à criação duma sede provisória, transformando um antigo forno e padaria em sede social.

Em Agosto de 1975 foi feita a 1ª Festa ao Emigrante, com a realização de provas de atletismo, baile e futebol.

Seguiu-se a legalização da associação. Foi escolhido, com consenso unânime, o nome de ASSOCIAÇÃO DA JUVENTUDE DO PESO em Assembleia-Geral de associados previamente realizada na Cantina Escolar.

No dia 16 de Outubro de 1975 na Secretaria Notarial da Covilhã é feita a escritura de constituição da A. J. P. com a presença dos seguintes cidadãos do Peso: António Grancho Sardinha, António José Pereira Casteleiro, Artur Pereira dos Santos, João Pereira dos Santos, José Martins Pires, José Pereira dos Santos, José dos Santos Baptista, José Sardinha Grancho e Raul Sardinha Grancho. No dia 26 de Outubro de 1975 são os estatutos publicados no "Notícias da Covilhã". Seguiu-se a publicação dos estatutos no "Diário do Governo" nº 270 - III Série de 21 de ,Novembro de 1975, páginas 9183 e 9184.

Em 21 de Dezembro de 1975 foi eleita a única lista concorrente às eleições da A.J.P. para a dirigirem no ano de 191.6 e era assim constituída: Virgílio do Nascimento Matos; Fernando José Gonçalves Casteleira; Joaquim Hercílio de Oliveira Sacramento; António Grancho Sardinha; José Pereira dos Santos; José dos Santos Baptista; Emídio dos Santos Sardinha; João de Jesus Aleixo da Silva e Valentim da Costa Martins.

Para dirigirem os destinos da A. J. P. no ano de 1977 foram eleitos os seguintes elementos: Virgílio Silva de Jesus, Fernando José Gonçalves Casteleira, João dos Santos Sardinha, António Madeira Varandas, Valentim da Costa Martins, Virgílio do Nascimento Matos, Joaquim Silva Santos, João de Jesus Aleixo da Silva e Raul Proença Paulo.

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Presente

No ano da celebração dos 25 anos da Associação da Juventude do Peso -Ano 2000 -os elementos directivos são:

Assembleia-geral -José Pereira dos Santos; Vicente Sardinha e José Ilharco. Direcção -Rui Manuel Cruz Ferreira Amaro; Paulo Jorge Proença Oliveira; Rodney Pereira Rocha; Miguel Madeira; Rui Leandro; Carlos Casteleira; João Pedro Casteleira; Sérgio Redondo; Joaquim Silva; Conselho Fiscal -Carlos Alberto Domingos; João Pedro Sardinha Baptista e Paulo Bernardo.

Fazendo parte de uma comunidade que é constituída por 749 habitantes, segundo os dados provisórios do último recenseamento geral da população, e com os objectivos anteriormente mencionados, a sua actividade move-se, actualmente, em redor de dois pólos importantes: a construção da sua nova sede social, pavilhão desportivo e a realização de um torneio de futebol de salão reconhecido pelas instituições desportivas do concelho e do distrito

Possuidora de 584 associados nos quais estão incluídos muitos que outrora, por outras paragens, procuraram melhor modo de vida, é hoje a única colectividade cujos corpos directivos eleitos determinam a promoção de actividades de grande importância para a manutenção de valores importantes a qualquer sociedade: desporto, lazer e educação cívica.

Para a concretização destes objectivos são levadas a cabo, anualmente, actividades (muitas delas com a carolice de outrora) tendentes a promover o desporto, quer nas camadas mais jovens com a organização de pequenas torneios, quer nas camadas seniores.

Estas actividades estão ligadas com o ténis de mesa, tiro ao alvo com arma de pressão, atletismo, jogos de salão, entre outros.

Patrocina-se também uma escola de música, aulas de ginástica de manutenção e um núcleo de karaté.

Já em sede própria têm lugar colóquios ligados a temas da juventude, de saúde pública, assim como a realização de exposições de pintura, de artesanato ou feira de livros.

Um torneio -anualmente realizado -tem vindo a proporcionar momentos de civismo sem paralelo nas vizinhanças.

Trata-se do torneio da A. J. P. que decorre nos meses de Junho, Julho e Agosto. O seu interesse é manifestado pelo número de equipas regularmente participantes onde se encontram representadas empresas da freguesia e arredores, associações desportivas regionais e particulares.

Os objectivos de quem organiza e participa atingem aqui uma simbiose perfeita onde estão presentes os interesses da promoção desportiva e cívica dos intervenientes.

Por outro lado também, e de igual importância, é a promoção social, não apenas a nível local. O tempo da sua realização inclui o mês de Agosto, nele participa a população local e das aldeias vizinhas e, ao mesmo tempo, parte da comunidade que durante o ano está ausente: os nossos emigrantes.

Eis aqui um importante papel cumprido por uma pequena colectividade, que lhe deve ser reconhecido e apoiado pelas instâncias políticas, de todos os quadrantes; contribui-se assim também para que durante um curto espaço de tempo dois filhos de uma mesma mãe se encontrem e se valorizem mutuamente.

A participação em provas desportivas já atrás citadas, trazem ao clube resultados positivos, quer pelos lugares cimeiros alcançados, quer pelo convívio e competitividade saudável que essas proporcionam.

A atestar esses resultados estão os troféus, taças e medalhas que se encontram expostos em vitrina própria, na actual sede da A. J. P.

O colóquio "A comunicação social e as colectividades" serve de exemplo para realçar o papel que a nossa associação teve e tem na vida desportiva do concelho. Sendo notícia em toda a imprensa regional, quer pelas actividades desenvolvidas, quer pelos resultados alcançados, a A.J. P. é hoje referência quando se fala em desporto regional, como atestam os vários artigos que acerca dela foram e vão sendo escritos.

Com o início da construção em 1979 do campo de jogos, vulgarmente chamado de "ringue" tem hoje um conjunto de potenciais estruturas essenciais à prática de algumas modalidades desportivas por parte dos seus associados e da população em geral.

O futebol de salão tem assumido, nos últimos anos, um papel importante, principalmente com a realização do torneio e para o qual têm contribuído equipas do nosso concelho e de outros concelhos.

A promoção dos valores que lhe deram origem encontram--se bem presentes nestas e noutras das suas realizações, prevalecendo sempre a promoção desportiva e cultural como sinal de civismo.

Engana-se no entanto quem pensa ou roga morte prematura de um filho de tanta gente.

Recentemente, no ano de 1989, iniciou-se a construção da sede da colectividade que se encontra ainda num estado que requer bastantes investimentos e para o qual as fontes de receita provenientes da Câmara Municipal, Instituto Português da Juventude e da Junta de Freguesia do Peso nem sempre são suficientes.

A realização de festas em épocas próprias (Natal, Carnaval, Páscoa) é um contributo importante, se bem que insuficiente, para a realização de uma obra de tão grande importância.

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Futuro

A Associação da Juventude do Peso está equipada, a nível estrutural, com sede própria, pavilhão polivalente (em fase de acabamento) e campo de futebol (com instalações próprias).

Para o arranque de todas estas estruturas, só possível com o apoio da Câmara Municipal da Covilhã, ADERES e Junta de Freguesia do Peso, que só têm valor quando postas ao serviço da população, estiveram envolvidos desde particulares que cederam parte das suas terras, outros que financeiramente, desde sempre, souberam valorizar uma obra de tão grande importância a nível local.

Em fase de conclusão da cobertura do pavilhão polivalente, e devido ao facto destas terem interferido com a estrutura da sede social, torna-se pertinente que nesta sejam feitas obras de adaptação à nova realidade e que consistem no aproveitamento do piso superior da sede, antes uma esplanada enorme e que agora passa a ser um salão com potencialidades para o desenvolvimento Social, cívico e cultural desta instituição.

Para tal está já a pensar-se na melhor maneira de pôr a funcionar um centro de informática com ligação à Internet, de molde a proporcionar aos jovens, principalmente aos de fracos recursos económicos, o contacto com a realidade do mundo virtual, tanto em moda hoje em dia.

Numa perspectiva futura deverá haver a continuação da organização de provas desportivas e da participação nos eventos organizados pelas colectividades da região.

Organização do campeonato da Escola de Karaté.

Espectáculos de música, teatro e outras actividades afins, com particular destaque à criação de um grupo cénico, assim como de um grupo musical cujo repertório seja efectuado à base da música popular portuguesa.

Colaboração em lançamento de livros de autores ligados ao Peso, assim como de exposições de pintura, cerâmica, escultura e outras actividades culturais.

APONTAMENTO FINAL

Este trabalho foi elaborado pelos seguintes sócios da A.J. P.:

-José Pereira dos Santos -Sócio n.º 16

-José dos Santos Baptista -Sócio n.º 1

-José dos Santos Vaz -Sócio n.º 74

A coordenação e compilação dos mesmos foram solicitadas pelo actual elenco directivo ao sócio nº1

Como coordenador deste trabalho, embora modesto, não posso terminar sem fazer referência a pessoas, que muito contribuíram para a A.J. P.

Refiro-me ao saudoso Dr. António Gil Morão a quem, na minha opinião pessoal, o Peso lhe deve gratidão e manifestá – -la; ao ilustre médico Dr. Fernando Pereira Pires; ao incansável benemérito da colectividade Dr. José Martins Pires.

Uma referência especial à Câmara Municipal da Covilhã pelo apoio às obras da A. J. P.

Apoios também importantes e não esquecidos do Instituto Português da Juventude, da Junta de Freguesia do Peso e da

ADERES.

Termino este trabalho com uma frase que escrevi no «Notícias da Covilhã» no dia 13 de Dezembro de 1975:

Façamos do dia 16 de Outubro de 1975, dia oficial da criação da Associação da Juventude do Peso, uma data histórica para o PESO, assim como o dia 25 de Abril de 1974 o foi para PORTUGAL.

Autoria: José dos Santos Batista 

 

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História da Aldeia do Peso

02.04.15, José P. Santos

Curiosidades da História sobre a Aldeia do Peso.

(Há medida que forem aparecendo novidades sobre este tema, serão aqui colocadas.)

 

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Aldeia do Peso – Covilhã

Curiosidades da História sobre o Peso - Desde 1755.

Pode ver também: Mapas do Século XV ou XVI.

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Quarta Dinastia - Bragança - 1750 - 1777 - D. José I "O Reformador"  -

(6 Junho 1714 Lisboa-24 Fevereiro 1777 Lisboa) - Casou com D. Mariana Vitória
 
Quarta Dinastia - Bragança - 1750 - 1777 - D. José I "O Reformador"  -

(6 Junho 1714 Lisboa-24 Fevereiro 1777 Lisboa)

- Casou com D. Mariana Vitória

 
Transcrição de documento antigo.

Dom José por graça de Deus Rei de Portugal, e dos Algarves d'aquem e d'além mar em Africa, senhor da Guiné = faço saber a vós bacharel Manuel Afonso o., que achei por bem que façais medição, demarcação e tombo dos bens e propriedades da Igreja do Peso e suas anexas

Medição do limite - Titulo de medição do limite deste lugar do Peso, e suas anexas partindo com lugares do Dominguiso, Tortosendo, Paul, Barco e Telhado = Aos vinte e seis dias do mês de Setembro de mil setecentos e cincoenta e sete anos a requerimento do procurador do reverendo prior de Santa Maria Madalena o Dr. António Alves da Costa ( Padre ) se procedeu na medição de limite deste lugar de Peso

Ao primeiro interrogatório se responde, que

Que esta terra e lugar do Peso fica em a província da Beira, no Bispado e Comarca da Cidade da Guarda he Freguesia Santa Maria Madalena, anexa à mesma de Vila de Covilhã

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Santa Maria Madalena

Tem este lugar de Peso quarenta e três vizinhos: homens 64, mulheres 71, rapazes 29,raparigas 27; e toda a Freguesia / contadas anexas que no sexto interrogatório de declarão pelos seus anexos / têm 133 vizinhos; homens 210; mulheres 205; rapazes 75; raparigas 88.

Que a Paróquia tem 3 lugares, ou povoações anexas; que sam Pesinho: Vales: Coutada: tem o Pesinho 17 vizinhos; Vales 40; Coutado 33

Os frutos desta Terra em maior abundância são centeio, trigo, milho grosso e pequeno, feijam, azeite, linho, castanha, algum vinho e mel

Dista esta terra da cidade da Guarda cappital do Bispado, 8 leguas: e de Lisboa Cappital do Reyno 49 leguas

Não houve em esta freguesia cousa alguma pello terramoto de 1755 somente na Capela de S. Margarida, que está junto ao lugar dos Vales; de que se faz anexo, no interrogatório 53 e ainda se acha nesse estado.

Não tem correo: servese do Vila da Covilhã e Fundão, tanto para Lisboa, como para outras partes deste Reyno: No tempo verano regularmente chega (...) muitas villas ao sabado e no inverno no Domingo; e e das ditas vilas partem na sexta feira.

Nam tem treno, mas sim pertence ao treno da notavel villa da Covilhã; e dista della 2 leguas.

Governa-se com 3 joizes Espadanos; hem esta terra, ou em o Pesinho anexo desta, e os demais em cada uma das anexas estão sujeitos ao juiz de Fora, e Comarca da Covilhã donde tem treno.

Translado da Petição e Provisão = Senhor = Diz o Padre António Alveres da Costa ( Padre) bacharel formado na Universidade de Coimbra; arcipreste e prior da Freguesia de Santa Maria Madalena na Vila da Covilhã, que os bens rendimentos, foros, pensões, e mais regalias, e pertenças da dita Igreja se acham em grande confusão pela falta de Tombo, e clareza assinando-se uns a uzurpar os ditos bens, e outros a negar as pensões, e para evitar este dano e deixar para futuro as clarezas necessárias, pretende o suplicante fazer Tombo nos bens e pertenças da dita Igreja ......

- Medição da Igreja e Adro e Ornamentos

    Igreja

(Por curiosidade se transcreve como era a Igreja nessa altura)

Tem a dita Igreja de comprimento do arco até à porta principal de vão doze varas e meia, e de largo sete varas no vão dela.Tem dois altares colaterais com seus retabulos dourados, um que é altar das almas, tem uma imagem de Nosso Senhor Crucificado, que é o da parte direita, e outro altar da parte esquerda tem a imagem de Nossa Senhora do Rosário, e outra imagem mais pequena da Mãe de Deus e Mãe dos Homens, tem púlpito com suas grades de pau tinto de treto(?), tem duas portas travessas, uma parte entre Nascente e sul, e outra passa entre a poente e Norte e à entrada de cada uma das ditas portas sua pia de água Benta de pedra cravadas nas paredes; tem sua porta principal virada ao poente, do lado direito da sua entrada tem outra pia de água benta, e ao lado esquerdo tem a pia baptismal rodeada de grades de pau, é toda estradada de madeira e forrada de madeira com quatro linhas dobradas, e dois doceis de madeira pintados e dourados sobre os dois altares colaterais vários bancos de madeira, dois tamboretes de pau e uma cadeira que serve para assistência dos oficiais, como também a cadeira, e esta está sempre no arco da capela-mor para servir para as estações que faz o pároco, mas também ela como o mais que se acha fora do arco da capela-mor e no corpo da Igreja pertence e é da obrigação da fábrica maior do povo = Dentro da mesma Igreja para parte nascente está uma capela interior com seu retábulo na forma de tribuna dourada está o Sacrário, e o Santíssimo Sacramento, e nos lados as imagens de Nossa Senhora de Conceição da parte direita, e Santo António da parte esquerda, ambos em vulto, para cuja sustentação também a fábrica menor do reverendo prior também não tem obrigação de  concorrer, mais do que somente de dar três meios de azeite cada ano, não pela obrigação do pároco, mas sim por contrato que fizeram seus antecessores desde o tempo do licenciado Fernando Tavares de Sousa  no ano de mil seiscentos e setenta e um com os moradores desta freguesia, por lhe darem o dízimo da azeitona, em azeite feita à conta deles ditos fregueses, e não em azeitona como se praticava, cujo contrato está em observância, e melhor consta de uma escritura que se apresentou por parte do reverendo, e ele juiz mandou juntar a estes autos. Tem esta Igreja um campanário de pedra sobre uma paredão que está no adro da Igreja defronte da porta travessa que está para o poente, com um sino que também pertence tudo e é obrigação do povo fazer o sino que de presente tem, e hoje se acha posto em uma torre que o povo mandou fazer à sua conta com duas ventanas.

Medição de Terrenos e Casas da Paroquia

- Medição das Casas de residência, Quintal, Casa da Tulha e Terra - Chão da eira no sitio da tapada-Terra do fundo da reboleira ou tapada -  Chão da eira no fitio da tapada - Chão da Varzinha - Chão que serve de horta - Terra do lagar dos vales - Terra do souto- Terra do ramalhal ou marcelas - Chão do poço - Terra de areão - Chão da pocinha Canáda - Terra dos certinhais - Terra do chão da horta - Terra detrás da casa da fonte - Terra do sitio da barreira - Terra da barreira - Terra da portela da vargia -  Terra do olival do clérigo - Terra do rego da Feiteira - Lodeiro do sitio da várgia - Ladeira com seu pedaço de lodeiro no sitio do penedo - Terra dps barros por baixo do rego da feiteira - Terra com lodeiro no sítio dos barros - Terra de mato na lameirinha no sítio da Coutada ao pé da capela de S. Sebastião - Terra da Barroca do Carvalho ( Braçal do Cimo) - Terra do fundo do Val da Mouta - Terra que está no Ribeiro do Braçal - Terra no sítio das Courelas - Vinha que está junto da estrada que vai para a Covilhã - Terra do Cabouco -Terra do Verde - Terra do Souto do Rio - Terra do Ramalhal - Terra da Cruzinha ou o Outeiro dos Vales


Mapa da Localização do Peso  Séc.  XV / XVI

Nessa altura talvez em Português (Arcaico ?) pela indicação no mapa davam o nome ao Peso de Pocodaquem ? 

Nota: Se algum dos nossos visitantes tiver dados mais concretos agradecia informação.

Outro Mapa

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Mapa de 1579

Talvez o 1º Mapa de Portugal

Pode carregar com o rato em cima da imagem e irá ver o mapa mais em pormenor poderá ver como davam o nome ao Peso o peso da quem e ao Pesinho Peso da lem

Nota:

Quando quiser sair do mapa que irá ver tem de fazer no doc. pdf retroceder para ficar na mesma página do Peso

nesse doc. pdf pode aumentar e diminuir o mapa

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Mais alguns dados importantes sobre a História da Freguesia do Peso

Freguesia do Peso – Concelho da Covilhã

Lenda (Origem do Nome):

  Nada se sabe de concreto quanto à origem do nome, existindo várias versões. Conta-se que um dia um almocreve cruzou ali o rio Zêzere com um saco às costas. Na travessia perdeu (sem dar conta) parte da mercadoria que transportava, chegando assim à outra margem mais aliviado, razão pela qual exclamou “Oh que Pesinho!”. Esta exclamação como é lógico era contraria à que tivera no início da travessia “Oh que Peso, Arre!”, pois bem, chegando esta história ao conhecimento do povo, logo este tratou de baptizar a margem de partida de Peso e a de chegada de Pesinho, nome da aldeia situada na margem oposta ao Peso.

 Outra das origens pode ser a palavra latina “penso” que teria evoluído linguisticamente para peso e que significa refeição dada aos animais de transporte e por extensão ao próprio local onde era costume dar a refeição.

 

Igreja Matriz:

  Não existe data sobre a construção da primeira igreja matriz, que se julga ter sido construída de nascente para poente, restando ainda hoje, talvez dessa época, a “Capela do Santíssimo” de grande beleza e muito rica em talha dourada.

  A segunda parte foi acrescentada em 1792 de Noroeste para Sudoeste, tal como se encontra actualmente. Tem por orago Sta. Maria Madalena, cuja imagem se encontra ao lado do Altar-Mor.

  A sua inauguração foi no 2º Domingo de Agosto, dia da Senhora do Rosário, que era na altura a festa mais importante da aldeia, até ser substituída pela festa da Nossa Senhora de La Salette. A imagem da Senhora do Rosário em pedra, julga-se que data do ano 1500 encontrando-se na “Capela do Santíssimo”, ao lado direito. Há a particularidade desta imagem ser idêntica à da Nossa Senhora da Boa Esperança de Belmonte, que segundo a lenda, foi a imagem que Pedro Alvares Cabral levou ao Brasil.

  Foi no ano de 1682 que a igreja paroquial recebeu as propriedades de Dª. Maria José Caldeira da Sertã,  familiar dos viscondes da Borralha, que a dedicou a Santa Maria Madalena, passando a paróquia do Peso a possuir um vasto património, embora dependesse da de Santa Maria Madalena da Covilhã.

    Em 24 de Julho de 1753, o então prior da paróquia do Peso, Padre António Alvarez da Costa, pediu à Torre do Tombo que lhe fossem fornecidos os registos dos bens da igreja (Passal), existindo um documento da época – “Tombo do Peso” – que foi assinado por vários ministros de então, entre eles Sebastião e Melo (Marquês de Pombal).

 

Capela do Espírito Santo:

    Julga-se ser a capela do Espírito Santo, a mais antiga da aldeia, não se sabendo exactamente o ano da sua construção. Actualmente ainda conserva a sua traça original, sendo também, a imagem do “Divino Espírito Santo” a imagem primitiva, construída em pedra.

 

Festa do Espírito Santo:

         Esta devoção, julga-se que teve início no século XII e ainda hoje se festeja no sétimo domingo depois da Páscoa.

           Existia um documento antigo (hoje desaparecido), datado de 1600 que falava sobre a “Folia do Espírito Santo”, tradição que se manteve até ao ano de 1930. Este costume consistia no seguinte: havia uma confraria também chamada “Folia”, composta pelos seguintes elementos: o Rei –que era o chefe e usava uma opa e um pau, e dois Pajens – um levava uma pombinha e  o outro  uma bandeira.

           Durante os sete domingos depois da Páscoa até à festa do Espírito Santo, iam pelas casas e davam a beijar a pombinha (havia tanta devoção pelo Espírito Santo que algumas pessoas beijavam os próprios pendentes da bandeira), angariando, assim, fundos para a festa. Juntamente com os elementos da “Folia”, iam também os mordomos: um tocava tambor, outro guitarra, e ainda outro pandeireta, cantando ao mesmo tempo uns versos próprios do Espírito Santo.

 

CAPELA DE N.ª SRA. DE LA SALETTE:

 A Capela de N.ª Sra. De La Salette ergue-se numa colina sobranceira ao rio Zêzere, denominada Cabeço da Seara.

 Em 14-08-1864, Vicente Silvestre e sua mulher Anna Joaquina oferecem o terreno para edificação da Capela, que viria a ficar concluída em 1897.

 Esta Capela foi substituída pela actual em 1963.

 À volta da Capela existe um vasto recinto, onde se encontra uma outra pequena Capela em honra de S. Sebastião. Esta capelinha teria sido construída inicialmente por volta do ano de 1927, tendo sido reconstruída em 1965.

             

FESTA DE N.ª SR.ª DE LA SALETTE:

 Actualmente esta é a festa religiosa mais importante do Peso. Realiza-se anualmente no segundo domingo de Setembro.

           No Peso, remonta  ao ano de 1864 o início do culto a Nª. Sra.ª de La Salette introduzido pelo Presbítero Vicente Duarte Pires, que em 28 –04- 1864 ofereceu também, a imagem da Srª. De La Salette.

           A festa tem início no sábado à noite com Missa e procissão de velas desde a Capela de N.ª Sra. De La Salette até à Igreja Matriz. No Domingo, por volta do meio dia realiza-se  nova  procissão em sentido inverso, percorrendo a imagem da Sra. de La Salette as ruas da aldeia.  Na segunda-feira continuam as solenidades.

           A par das solenidades religiosas realizam-se também, durante estes três dias, arraiais populares com variedades musicais e fogos de artifício, o que atrai muitos forasteiros.

 

Quaresma:

           Nesta aldeia, existem grandes tradições religiosas por altura da Quaresma: Ladainhas, Encomendar das Almas e Procissão do Encontro.

 

         As Ladainhas: julga-se que são cantadas há cerca de 200 anos, sendo transmitidas de geração em geração. Actualmente cantam-se nos domingos da Quaresma ao pôr do sol. A explicação que nos foi dada para sua existência foi a de ser uma Via Sacra mais curta. Esta cerimónia é feita pelas ruas da povoação, havendo paragens em sete lugares próprios para aí serem cantados os chamados “Passos”. Apenas participa o povo, sem a presença do Pároco.

 

         A Encomendação das Almas: pensa-se que a sua origem está no facto de a Quaresma ser tempo de oração e penitência, daí rezar-se também nesta época pelas almas dos que já faleceram. Actualmente, cantam-se à meia noite de todos os sábados da Quaresma até à Quinta-Feira Santa, em determinados locais da aldeia. Também é feita pelos leigos sem a presença do Pároco.

         As solenidades da Quaresma culminam com a Procissão do Encontro e o Sermão do Calvário na Quinta –Feira Santa. Depois da Missa de Quinta-Feira Santa saem da Igreja Matriz duas procissões, uma com a imagem de Nossa Senhora vestida de preto seguida pela imagem de S. João, e outra, com a imagem do Senhor dos Passos. Cada procissão segue caminhos diferentes, encontrando-se num largo da aldeia, onde aí é feito pelo Pároco, o Sermão do Calvário.  Terminado o sermão, segue uma única procissão até à capela do Senhor dos Passos onde fica a sua imagem, voltando a procissão para a igreja com as imagens de Nossa Senhora e S. João.

No Domingo de Páscoa, realiza-se a Procissão da Páscoa (ou da Aleluia) com os sinos a tocarem, seguindo-se a Missa. Há algum tempo atrás, seguia-se a Visita Pascal, indo o Pároco de casa em casa, dar a imagem de Cristo crucificado a beijar às pessoas. Actualmente já não se realiza esta cerimónia.

 

FESTAS PROFANAS:

 Anualmente, a dois de Dezembro, realiza-se uma festa profana, a festa de Sta. Bebiana, padroeira dos bêbados. Alguns dos participantes vestem-se de “Bispo”, e “padre”. Faz-se uma “procissão” com uma imagem fictícia da Santa Bebiana e com alguns archotes improvisados com pinhas, que percorre alguma ruas da aldeia. No largo principal da aldeia “o bispo” faz um “sermão”, e a “benção” dos bêbados. Como não podia deixar de ser bebe-se neste dia bastante vinho, mas também há animação musical com bombos e outro tipo de música.

  Segundo consta, dantes, neste dia ridicularizavam-se as mulheres bêbadas da aldeia, que na véspera eram convidadas às suas portas, falando-lhes através de um funil, para virem levar a imagem da “santa” na “procissão”. Algumas aceitavam, mas outras tratavam mal quem as ia ridicularizar.

 

Outros Festejos:

  Domingo de Carnaval - Domingo Gordo – Arrematação dos Ramos:

  “Os Ramos” são troncos de árvore cortados, onde são colocados nos respectivos ramos, pão, enchidos, carne, azeite, etc.. São postos no adro da Igreja, e as pessoas interessadas vão leiloando, sendo arrematado por aquele que oferecer um valor maior.

  1. João – 24 de Junho:

  Pelo S. João continuam a fazer-se fogueiras de rosmaninho em alguns locais da aldeia, acompanhadas de música e bailarico.

 Os rapazes aproveitam esta noite para tirar os vasos de flores das casas das pessoas, e levá-los para o largo principal, onde no dia seguinte os respectivos donos terão de os ir buscar.

 

“Bota Aqui” – 1 de Novembro:

  Existe ainda a tradição, de neste dia as crianças andarem pelas casas com um saco e pedirem o “Bota Aqui”, que significa deita aqui. Esta tradição vem do tempo em que as pessoas tinham mais dificuldades e aproveitavam este dia, “Dia de Todos os Santos”, para irem às casas mais ricas pedir alimentos (feijão, azeite, etc.), rezando depois pela alma dos seus familiares falecidos. Actualmente as pessoas dão às crianças nozes, fruta, castanhas e rebuçados.

 

ASSOCIAÇÃO DE JUVENTUDE DO PESO (AJP):

A Associação de Juventude do Peso (AJP), é uma colectividade fundada em 16-10-1975, que tem por objectivos o desenvolvimento desportivo, cultural, recreativo, social e cívico da população. Conta com cerca de 600 associados.

A AJP está equipada, a nível estrutural com uma sede própria (com bar e salão de jogos, e um salão multiusos), um pavilhão polidesportivo coberto, e ainda, um campo de futebol.

Anualmente organiza durante o período do seu aniversário, uma Semana Cultural, com diversas actividades como teatro, variedades musicais, etc.

Organiza também anualmente,  durante os meses de Junho, Julho e Agosto um torneio de futsal , onde participam diversas equipas da região.

Os festejos do Carnaval, com baile de máscaras e uma festa de Natal e de Fim de Ano, são também tradições desta colectividade.

 

CENTRO DE DIA DA TERCEIRA IDADE:

 O Centro de Dia existe desde 2 de Dezembro de 1989, funcionando em instalações provisórias. No dia 25 de Abril de 1996, foi inaugurado o edifício próprio, construído de raiz, contando com todas as comodidades para as pessoas mais idosas.

    O centro de Dia presta diversos serviços, como fornecimento de refeições, e ainda serviço domiciliário, às pessoas que não podem deslocar-se até às suas instalações.

         

AGRICULTURA:

  Parte da população do Peso, especialmente a mais idosa, ainda se dedica à agricultura, tratando-se apenas de uma agricultura de subsistência. Os Lodeiros, terrenos junto ao rio são os mais férteis. O milho, batata, legumes e vinha são as culturas mais frequentes.

Existem ainda, consideráveis extensões de olivais. As pessoas continuam a produzir o seu próprio vinho, e a mandar para os lagares a azeitona, para produção do seu próprio azeite.

 

INDÚSTRIA:

  No Peso estão instaladas algumas pequenas unidades industriais, onde trabalham a maioria dos habitantes da aldeia. Destacamos as industrias de confecção de vestuário, indústria de aproveitamento de desperdícios têxteis (vulgarmente conhecidas por esfarrapeiras de trapos), indústria de artigos em plástico, indústria de caixilharia de aluminios, serralharias civis.

 

ARTESANATO:

  Longe vão os tempos em que o Peso dependia exclusivamente da agricultura. Cedo começou a aparecer nesta aldeia uma indústria têxtil, que embora artesanal, foi a grande impulsionadora, para que o Peso se tornasse naquilo que podemos considerar “uma aldeia industrial”.

  Ainda hoje, no Peso se encontram vestígios dessa indústria artesanal – teares manuais de madeira. Um deles tem cerca de 200 anos e o seu proprietário já trabalha nele há mais de 50 anos. Tece mantas, passadeiras, tapetes em algodão, lã e principalmente com tiras de tecido – orelos.

  Chegaram a existir cerca de cem destes teares, no Peso. Algumas famílias juntavam vários teares na mesma casa (quinze ou mais), chamando-se a esses locais casões.

 Estes artesãos trabalhavam para fábricas do Tortosendo e da Covilhã, para onde tinham de transportar  o produto do seu trabalho. Estas fábricas ao modernizarem-se substituíram os teares manuais pelos mecânicos, comprando os alvarás dos teares manuais a algumas pessoas do Peso pois, por cada dois alvarás tinham direito a um tear mecânico. Assim, pouco a pouco esta indústria artesanal foi desaparecendo.

 Remédios Caseiros:

  1. Xarope de cobra  (para cura da tosse)

 Ingredientes:

  10 a 12 cm de pele de cobra

  5 pinhas

  1 mão cheia de cascas de cebola

  1 folha de eucalipto (sem bico)

  1\2 litro de água

  Coze-se tudo muito bem, deixando ferver um pouco. Coa-se este preparado e acrescenta-se meio quilo de açúcar amarelo. Vai novamente ao lume até ficar em ponto.

 

  1. Remédio para eczemas (e outras doenças de pele)

Ingredientes:

palha de alho

pólvora preta

vinagre de vinho

 Queima-se a palha de alho. Esta cinza junta-se à pólvora e ao vinagre, mexendo até fazer uma pomada (polpa). Aplica-se na zona infectada e coloca-se uma compressa a tapar. Passados dois a três dias o eczema está curado.

 

FONTANÁRIOS:

   Existem no Peso alguns fontanários, que pela sua antiguidade merecem o nosso destaque.

 

 FONTE DA CANADA – Esta fonte fica junto ao ribeiro com o mesmo nome, outras vezes também designado de Ribeiro da Cerdeira. É uma fonte de mergulho, remontando provavelmente à Idade Média. A origem do nome tem a ver possivelmente com uma medida chamada Canada, que era vulgarmente utilizada pelos antigos habitantes da aldeia.

 

 CHAFARIZITO – É também uma fonte de mergulho, que se julga existir desde a Idade Média. Esta fonte esteve subterrada durante alguns anos por uma estrada, mas actualmente foi sujeita a obras de restauro, tornando-se um dos locais  emblemáticos do Peso, e que merecem uma visita.

 

 CHAFARIZ DAS DUAS BICAS – É a fonte mais importante da aldeia, por ser muito utilizada quando os habitantes não possuíam água canalizada em suas casas. Localiza-se no largo principal, e foi construída em 192. Tal como o nome indica caracteriza-se por ter duas bicas de água.

 

GASTRONOMIA:

   “OS BRULHÕES”, serão talvez o prato mais típico não só do Peso, como também da zona. Para confeccionar esta iguaria muito apreciada pelos Beirões é necessária a “tripa” da cabra que aqui é denominada de “debulho” , que é enchida com arroz, chouriço, presunto, ervas aromáticas especialmente “sarpão”, cebola e carnes ao gosto de cada um. Depois de enchida é cosida com linha e agulha e vai a cozinhar em água.

   Salientamos ainda a “chanfana”, carne de cabra, também vulgarmente denominada pelas pessoas mais idosas, como “carne fresca”, que tanto pode ser guisada, como assada no forno.

    Outro acompanhamento típico do Peso é o esparregado de nabiças, que vulgarmente é denominado de “ervas”.

    Quanto aos doces podemos dividi-los em doces de colher e bolos.

   Relativamente aos doces de colher, salientamos o arroz doce, tigelada, farófias e papas de carolo.

    A variedade dos bolos existente passa pelo pão de ló, bolo de colher, filhós, esquecidos, cavacas, bolo escuro(canela), bolos cortados, fatias douradas.

  Algumas famílias continuam a praticar a matança do porco, confeccionando variados e saborosos enchidos tais como: mouros, morcelas de arroz, morcela de sangue, chouriça de carne, farinheiras. Existe também o costume, de salgar parte da carne do porco, que depois é comida mais tarde e tal como o nome indica é conservada em sal dentro de arcas de madeira.

 

 
 

História da Paróquia

01.04.15, José P. Santos

 

 Apontamentos Históricos da Paróquia da Aldeia do Peso

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Apontamentos Históricos

Da Paróquia do Peso, fazem parte as localidades de Vales do Rio e Pesinho

Na Igreja Paroquial existem o altar-mor onde no centro há uma moldura da custódia para exposição do S. Sacramento e as imagens de N. S. de Fátima e Santa Maria Madalena. Há lateralmente, um altar a N. S. das Dores com imagem do Anjo S. Miguel Arcanjo, um altar ao coração de Jesus e ainda um altar dedicado às Almas com a imagem de Cristo retratado no lenço de Verónica, ladeado à esquerda por um Anjo com um martelo e um alicate numa das mãos e à direita outro Anjo com a vassoura. Há outro altar a N. S. do Carmo com uma imagem de Cristo Criança.

Para além dos altares referidos, existe uma capela interior com um altar em honra do Santíssimo Sacramento e onde estão colocadas as imagens de Santa Bebiana, N. S. da Conceição, Santo António e N. S. do Rosário.

A Igreja remonta ao século XII, acrescentada em 1793 e reconstruída anteriormente a 1940.

Monumento a N. S. de La Salette, senda grande a devoção que lhe é dedicada, realizando-se a sua festa tradicional no 2º Domingo de Setembro de cada ano. A localização é fora da povoação, numa colina próxima, existindo um recinto com um coreto. A capela foi edificada em 1864 mas o culto é de 1858. Esta devoção aparece no Peso por força da aparição em França no ano de 1846. Em 1946 comemorou-se com toda a solenidade o centenário da aparição, sendo oferecida pelas mães da Freguesia uma coroa em filigrana de prata. No santuário existe também uma Capelinha em honra do Mártir S. Sebastião.

Capela do Senhor dos Passos, Capela construída em terrenos cedidos pelo Visconde da Borralha, situa-se ao cimo do Povo e aqui se celebram as exéquias da Quaresma. Estas exéquias ou Passos são das mais antigas, com cânticos apropriados e pertencentes exclusivamente ao Peso. A população nunca divulgou demasiado estes actos tradicionais, para manter a autenticidade e a religiosidade e evitar que o que existe de autêntico e de fé se transforme num « espectáculo» e dai tombe facilmente para o comércio. Esta Capela já sofreu obras de restauro.

Capela do Divino Espírito Santo, situa-se dentro da povoação e têm referência na documentação da Torre do Tombo. O Altar é barroco com talha dourada e ali existe uma imagem do ano 1600. A  festa do Espírito Santo realiza-se anualmente, sete semanas após a Páscoa.

 Está localizada na margem direita do Rio  Zêzere, a pouco mais de 15 km da Covilhã, pela En 513. O pároco Manuel Fernandes, que redigiu as Memórias Paroquiais de Peso, no ano de 1758, descreve-a como "situada em um pequeno alto, abas ou braço da Serra da Estrela, fronteira ao Rio Zêzere que junto a ela corre: dela não se descobre povoação alguma, mais que a aldeia do Pezinho, anexa a esta, em pequena distância...". Andavam então anexos à paróquia, não só o Pesinho, mas também os Vales e a Coutada.

 A matriz de Santa Maria Madalena dependia da de Santa Maria Madalena, na Covilhã, que apresentava o pároco. Já é mencionada a Capela do Espírito Santo. A matriz tem um recheio importante, com destaques para a custódia do altar-mor e para as imagens de Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Conceição, Santa Maria Madalena, Santa Bebiana e Santo António. No altar das Almas, a imagem de Cristo, com o lenço da Verónica, está ladeada por um anjo empunhando um martelo e um alicate e outro que empunha uma vassoura. No altar de Nossa Senhora do Carmo, a imagem de Jesus apresenta-o como criança. Na Capela do Santíssimo Sacramento, existe muito boa talha dourada e o tecto é pintado e muito belo. A igreja inicial deve dotar do século XIV, tendo sido reformados nos finais de setecentos e novamente, em meados do século passado.

Numa colina próxima, o povo construiu uma capela de Nossa Senhora de La Salette, nos meados do século XIX. A capela e o local atrai muita gente, especialmente no Verão, aquando das festas que ali se realizam no 20Domingo de Setembro. A capela foi reconstruída ou melhor, construída de -novo na década de 60 do século passado, altura em que era o grande ponto de referência para as muitas famílias de emigrantes da terra e da região. A emigração é aliás o fenómeno mais marcante do ponto de vista económico, social e demográfico das últimas décadas. Actualmente já vão aparecendo algumas pequenas indústrias de confecção, de plásticos e de construção
civil. O artesanato tradicional dedicava-se ao fabrico de mantas de orelos eà cantaria de granito.

Existe uma feira mensal, no 20 Domingo de cada mês.

Do património edificado, além da Igreja Matriz, haverá que referir a Capela do Divino Espírito Santo, com a sua festa, cinco semanas após a
Páscoa, Santa Bebiana que tem altar na Igreja Matriz tem a sua festa no dia 2de Dezembro. Durante a Semana Santa, realizam-se celebrações públicas que congregam muitos fiéis, como sejam a Procissão do Encontro e a Venda do Ramo já no dia de Páscoa. Na Quaresma faz-se a tradicional Encomendação das Almas. Esta "encomendação" é uma espécie decanto, arrastado e lento quase lamentoso em que uns respondem aos outros com orações relativas ao Salvador e aos seus padecimentos.

Quem visitar o Peso deve reparar também
no casario tradicional que se vai perdendo nas fontes populares.

As principais colectividades são a Associação da Juventude do Peso e o Centro de Dia do Peso.

PESO

Com uma população a rondar os 1000 habitantes a Freguesia do Peso, está situada a cerca de 15 km da Sede do Concelho. Não há dados concretos sobre a origem do seu nome. Segundo Pinho Leal" a palavra peso vem do substantivo latino -pondo -o que é susceptível de ser ponderado. Também se chamava peso à balança e havia uma certa medida que se chamava arratel, há também em Espanha a moeda chamada peso".a Lenda popular é como tantas outras, diferente e imaginativa, conta-se que, "um dia um almocreve cruzou o rio de saco às costas, na travessia perdeu alguma mercadoria, não se dando conta do facto, quando chegou à outra margem, terá dito, ó que Pesinho! Já antes teria dito, ó que peso! E assim chegando ao conhecimento popular puseram os nomes de Peso à margem
direita do rio Pesinho, à margem esquerda", mas também há conhecimento que já lhe chamaram Peso daquém e Peso dalém.

A Freguesia tem indústria de confecção, plásticos, serração de madeiras, panificação, serralharia civil, construção civil, distribuição de produtos alimentares, pequeno comércio e agricultura. Também fazem mantas e passadeiras de orelos. Tem de   Património Edificado: a Igreja Matriz, Capela do Divino Espírito Santo, Casario Tradicional, Fonte do Mergulho, do Chafarizito e Ribeiro da Canada, Capela do Sr. dos Paços, Capela do Mártir Sº Sebastião, Santuário de Nª Sr.ª de La Salette, Capela da mesma Santa tem um mercado mensal no segundo domingo de cada mês.

Fazem as festas de Nossa Senhora de La Salette no segundo domingo de Setembro, Divino Espírito Santo cinco semanas após a  Quaresma, Santa Bebiana, a 2 de Dezembro e Encomendação das Almas, na Quaresma, com a Procissão do encontro na Quinta Feira Santa e a venda do Ramo no Domingo Gordo. Em termos de cultura, desporto e solidariedades social, tem: Associação da Juventude do Peso e Centro de Dia do Peso.

Igreja Matriz -Orago, Santa Maria Magdalena

- Segundo informações, os autores de parte desta breve história da Paróquia do Peso, são da autoria de José dos Santos Batista e José Fernando Monteiro Madeira.

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Memórias Paroquiais do Peso 1758

RESPOSTAS AOS INTERROGATÓRIOS

Ao primeiro interrogatório se responde que

1 -  Esta terra he Lugar de Pezo fica em Provincia da Beira, no Bispado,e Comarca da Cidade da Guarda, he Freguezia de Santa Maria Magdalena, anexa de si mesma da Villa da Covilhaã.

2  -  Que he DeI  Rey  Nosso Senhor.

3  -  Tem este Lugar do Pezo, quarenta e tres vezinhos: homens setenta, equatro:, mulheres setenta, e huma rapazes vinte, e nove: raparigas vinte, e sette; e toda a Freguezia, contadas as anexas, que no sexto interrogatorio se declarão pellos seus nomes. Tem cento, e trinta, e tres vizinhos; homen, duzentos, e dez: mulheres duzentas, e cinco: rapazes settenta, e cinco: raparigas oitenta, e oito.

4  -  Esta situada em hum piqueno alto, abas, ou braço da Serra da Estrella, fronteira ao Rio Zezere, que junto a ella corre: della não se descobre povoação alguma, mais que a aldea do Pezinho, anexa desta, em pequena distancia, porque  se metem algumas fazendas de huma, e outra, comezmo Rio Zezere.

5  -  Nam tem Termo, mas sim pertence ao Termo da Notavel  Villa da Covilhaã; e dista desta duas legoas.

6  -  Que a Parroquia existe no mesmo Lugar: Tem tres Lugares ou povoações anexas; que sam Pezinho: Valles: Coutada: tem o Pesinho
dezassette vezinhos: Valles quarenta: Coutada trinta, e três.

7  -  Tem por Orago Santa Maria Magdalena, e esta no Altar Maior; alem deste tem mais tres; a saber hum do Santissimo Sacramento, no qual estam as Imagens de Nossa Senhora da Conceição: e de Sancto Antonio, este à parte esquerda, e aquele á parte direita: outro de Nossa Senhora do Rozario, neleexiste a Imagem da mesma Senhora. Fica este á parte esquerda: outro da direita com huma Imagem de Christo Crucificado: nam tem nave alguma: há hem ella quatro Irmandades: do Santissimo: da Senhora do Rozario: das Almas:
e do Divino Espirito Sancto."

8  -  O Parroquo he Cura, a este apresenta o Prior de Santa Maria Magdalena, da Villa da Covilhãa; a quem pertence por ser tambem Prior desta,e, do seu rendimento dará conta.

9ª, 1oª, 11ª, 12ª  -  Não ha couza alguma que se responda.

13, 14  -  Tem huma Ermida do Devino Espirito Sancto; proxima a estaterra. Tem outra no Lugar da Coutada, anexa desta como dito fica comInvocação de S. Sebastiam, fora dele e em pequena distancia, aesta, concorremmuitas pes"oas em Romagem em todo o tempo; mas principalmente no do Verão; ja foi mais frequentada do que no prezente tempo. Outra no Lugar de Valles, com Invocação de S. Antonio; e junto a esta mesma anexa esta outra,que pelos tempos se arruinou, tinha por titulo: a Capella de Sancta Margarida; dizem que foi sua mina, cauzada do terromoto de mil, sete centos, e sincoenta, e cinco. Sam todas estas tres Ermidas pertencentes a esta matriz do Pezo.

Tem mais huma no Lugar do Pezinho com o titulo de S. Pedro; de que headministrador, e senhorio o Prior de S. Salvador da Villa da Covilhaã.

15  -  Os frutos desta terra em maior abundancia, são: senteio, trigo, milho groço, e pequeno: feijam; azeite; linho; castanha; algum vinho; e mel.

16  -  Governa-se com tres Juizes Espadanos; hum nesta terra, ou em Pezinho: anexa desta, e os mais, hum em cada huma das anexas acima referidas: sojeitas ao Juiz de Fora, Camara Villa da Covilhaã: donde he Termo.

17, 18, 19  -  Destes não ha cousa, que se diga, ou responda.

2o  -  Não tem correo: servese do das Villas da Covilhaã, e Fundão tanto para Lisboa, como para outras partes deste Reyno: No tempo de Veram continuamente chega nestas Villas no sabado, e no Inverno no domingo; e dasditas Villas parte sexta feira.

21  -  Dista esta terra da Cidade da Guarda, Cappital do Bispado, oito legoas e de Lisboa, Cappital do Reyno, quarenta e nove.

22, 23, 24, 25  -  Não ha cousa alguma.

26  -  Não houve em toda esta Freguezia mina alguma pelo terramoto demil, sete centos e sincoenta, e cinco: somente na Cappela de Sancta Margarida,que esta junto ao Lugar dos Valles, de que se faz menção no interrogatorio 13e ainda se acha nesse estado.

27  -  Não ha em toda esta Freguezia, cousa alguma digna de memoria,mais do que o que se serve em hum citio junto a esta terra, chamado Os barros; e que semeando-se de senteio ou trigo, como se costuma, cada dois annos, pello meio distancia, ou largura de vara, e meia, não produz, não obstante que nasce no tempo em que hade principiar a tomar espigas, pode acausa ser o da terra amarela; dizem que por causa, o ter por ali passiado huma grade de ouro; o que s6 consta por tradição antiga.

Ha outro citio chamado a Charneca, em hum valle, junto a esta terra, proximo esta a estrada que vai desta mesma terra para o Lugar dos Valles, noqual esta huma pequena barroca, onde se tem tirado algum ouro ha muitosannos athe o presente, neste se viram homens na diligencia de o tirar, lavando a terra em pratos, se dita a sorte ajuntam algum, mas em pouca quantidade, e munto miudo.

A respeito da Serra se responde

Não tem a serra, em que esta situada esta terra, nome proprio; por ser um pequeno monte, e sim de hum que corre junta a ella, braço da Serra da Estrella, como ditto fica, donde sahem, e procedem todas as mais serras e montes dequazi toda esta Provincia da Beira: e como em huma grande concavidade,que forma esta Serra de Estrella, se acha fundada a VilIa de Manteigas, junto ás partes mais montuosas, e agrestes, delIa; em hú grande monte, braço da mesma, a Notavel VilIa da Covilhaã. OelIa darão noticia larga os Reverendos

Parrocuos das dittas VilIas. Somente digo, que dista desta terra o mais altoquasi tres legoas, aonde forma huns cittios, ou valIes, que chamam: Naves,nas quaes se elementão muitos gados grossos, e miudos no tempo de Veram, porque no Inverno pelIas continuas neves, que as cobrem se fazem inhabitaveis.

Entre outros mais rios, que delIa sahem, e nascem, he hum Rio Zezere.

Do Rio desta terra

Ao primeiro interrogatorio se responde que se chama o rio, que junto a esta terra corre, Zezere, nasce junto aos dois mais altos pinhascos da Serra da Estrella, chamados o Cantaró Gordo, e outro Cantaro Magro, ou Delgado; do seu mesmo nascente, traz logo o seu nome.

2  -  Principia pequeno, mas pelas suas continuadas fontes, e regatos, que para elle correm se faz em pouca distancia, cai arrebatado; e correndo distancia de duas legoas se ve já caudaloso aos aredores da Villa de Manteigas, e desta sempre corre junto a esta terra grandemente crescido, pelas muntas ribeiras que com elle se ajuntam; desta sorte continua a sua corrente sempre arrebatada,
e fruriosa em toda a parte, mas principalmente enquanto corre entre os montes da serra.

3  -  Não entra em ele ate esta terra outro algum rio a que se de tal nome, mas sim muitas ribeiras grandes, das quais a maior a que se pode dar o nome de rio, he a Meimoa, porque faz competencia com o mesmo Zezere, tanto na abundancia de agoas, como na criação de peixes, de que abunda como o mesmorio, neste entra em hum sitio chamado a Quinta do Ortigal junto, ou em pouca distancia desta terra.

4, 5,  -  Não he navegavel, nem capaz de embarcaçoens, pelo arrebatadodo seu curso, e corrente, pela aspereza das terras por onde corre, principalmente desde o Lugar do Curondo athe ao Tejo, onde entra, e morre.

6  -  Corre este rio de nome, em que nasce distancia de cinco legoas ao nascentee, dahi ao chul, aondea caba.

7  -  Os peixes que mais cria, e de que abunda sam: barbas; bagas; picoens; eyros; cada qual em seu genero de bastante grandeza, tambem nelle se criam bastantes trutas; e muntas vezes alguns saveis e lampreias.

8  -  Não se fazem em ele pescarias grandes: alguns homens pobres seoxorcitao em elles procuram por este meio algum sustento: mas as mais só sefazem por divertimento.

9  -  São estas pescarias livres em todo o rio, menos naqueles citios, aondeha alguns asudes, ou caneiros particulares, que nestes somente os senhorios delles pescão.

10   -  Não só em esta terra mas em todas as mais se cultivão as suasmargens pellos donos, e senhorios dellas, cada hum nas testadas das suas fazendas: não tem arvoredos notaveis, de que se possa ou deva fazer especial menção mais do que os que fabricam os homens, pa defeza das suas fazendas.

11, 12, 13  -  Não se conhece, nem se sabe que as suas agoas tinhão virtude alguma particular. Conserva sempre 'o mesmo nome em toda a parte, e não ha memoria, queem algum tempo tivesse outro nome. Morre no Rio Tejo, junto á Villa de Punhete.

14  -  Tem alguns asudes, em que são de maior grandeza, he hum junto ao

Lugar do Barco distante desta terra, huma comprida legoa, e da Ponte Pedrinha, que no interrogatorio seguinte se da conta duas legoas: Outro junto do Lugarda Barroca, que dista desta terra tres legoas: estes pela sua grandeza, e fortaleza dizem faz reprezar o rio que remonar em eles anticipadamente corre o rio mais brando, e sossegado. Aos tais asudes aonde chamam vulgar mente
caneiros em que particularmente os seus donos, e senhorios pescam; comofica ditto no nono interrogatório.

15  -  Tem quatro pontes. (Já mencionadas noutras Freguezias).

16  -  Tem lagares, azenhas, moinhos, e noras, e cada hum destes engenhosem abundancia; menos os lagares.

17  -  Não consta que neste rio se tenha tirado, ou tire ouro.

18  -  Das suas agoas uzam os povos para os seus campos livremente, e sem pensão alguma.

19  -  Tem desde o seu nascimento athe onde acaba vinte, e duas legoas pouco mais, ou menos. Sem outra couza alguma mais digna de memoria, que se haja de dar conta nos interrogatorios supra: e por ser verdade que tudo mando fazer este, que assignei.

Pezo, 15 de Abril  he 1758

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