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Na Terra dos Medos

por José P. Santos, em 28.10.16

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NA TERRA DOS MEDOS
Historia verídica passada na aldeia do Peso no ano de 1949

Naqueles tempos recuados em que não havia luz, água ao domicilio e o mais pequeno rumorejo à noite, fazia os homens arfar de medo.

Por isso, não era estranho aparecerem alguns ditos espertos …

O ano foi de uma grande seca, no verão faltava a água no Ribeiro do Braçal e havia o cultivo do milho e feijão frade, cuja rega era feita por dias da semana acordada pelos vizinhos, conforme o tamanho da parcela do terreno.

Parecia tudo correr normal até que um dia começou a sentir-se ao cair da noite e pela noite dentro uns mugidos na aldeia do Peso que mais pareciam umas vaquinhas em aflição.
No Peso e até nalguns sítios, na Coutada, a partir dessas horas ninguém mais abria as janelas.
Até que um dia, vários caçadores locais munidos de caçadeiras e zagalotes foram de noite ver o que se passava.

Foram encontrar no Ribeiro do Braçal, numa casa de arrumos, propriedade de gentes da terra, a filha dos proprietários com a sua prima com uma fogueira acesa no interior da casa e por elas era puxada uma vara, numa espécie de reco-reco, feito de um alcatruz de barro, tendo no cimo uma pele e um buraco no topo, que puxando fazia soar pelo silêncio da noite.

E assim iam aproveitando, com uma lanterna para regar o milho, nos dias que os vizinhos, borrados de medo, não saiam de casa.

A partir desse dia, ninguém mais teve medo, segundo a crendice popular até o lobisomem deixou de aparecer pelo cheiro da pólvora.

2016/09/12
José Batista Vaz Pereira

 

NA TERRA DOS MEDOS II - A aldeia do Peso era uma terra aonde toda a gente se conhecia e respeitava. - Não havia em casa água, ,luz, telefone,rádio e a juventude tinha a sua própria imaginação.-. O seu ponto de encontro era no largo do chafariz das duas bicas, sentados num pequeno muro junto à casa do Manuel Morão. - Passava-se o tempo com pequenas coisas que para nós eram grandes coisas(...) um dia ouvimos pessoas a cantar vindo duma Eira das Portelas. Era uma desfolhada de milho, apareceu o milho rei fez-se ouvir mais barulho, um realejo a tocar e acompanhado em canto t " Sachadeiras do meu milho/ sachai o meu milho bem,/ não olheis para o caminho/ que a merenda logo vem (...). Todos embevecidos de ouvido à escuta. Nisto apareceu o Américo Madeira que vinha da sua barbearia. Trazia com ele toalhas brancas e uma bata. Logo alguém dos presentes disse: Eu vou a minha casa trago lençóis brancos e vamos aparecer vestidos de branco quando acabar a Desfolhada. -A ideia ganhou força e fomos junto à Padaria dos Irmãos Pires e tiramos duas tábuas velhas que havia ali em monte para aquecer o forno de cozer o pão. Com elas fizemos uma cruz nos braços desta colocámos toalhas brancas e quem levava a cruz vestido com a bata, os restantes embrulhados nos lençóis com se fossem ( penitentes ). Já tudo pronto seguimos para o quintal do Ti Zé Guerra que ficava fronteiro às Portelas. Acabou a Desfolhada e lá vamos nós e numa gritaria cavernosa e a dizer (...) afastai-vos...afastai-vos... afastai-vos. e com pilhas a dar focos de luz na cruz. ( isto em noite escura, sem luar ) Toda a " malta parou "", e apenas no silêncio se ouvia rezar por quem vinha da desfolhada. - Nós todos seguimos numa correria pela Rua da Ladeira até ao ponto de encontro, seguimos cada um para suas casas, com a promessa de nada se falar sobre o acontecido. No dia seguinte todo o Peso comentava diziam ter havido uma aparição de Almas Penadas, na grande maioria das pessoa que eram da desfolhada dormiram em casa do Ti Manuel Paulo ( Palito ) borradas de medo, a quem lhes perguntava o que tinha acontecido diziam que ouviam andai cá que vos desgraço (...) A Juventude desse tempo não era melhor ou pior que a de hoje... Apenas são tempos diferentes felizmente para melhor..

 

A TERRA DOS MEDOS III

Há momentos em que precisamos de nos afastar em certos momentos da vida.
Havia momentos de registos e vivências talvez surpreendentes, num vaivém entre o passado e o presente.
Corria o ano de 1956 e eu estava a cumprir o serviço militar obrigatório no extinto Batalhão de Caçadores n.º 2, aquartelado na cidade de Covilhã aonde hoje se encontra a UBI.
Nós militares quando vinha o fim de semana, o nosso caminho era o Peso ou os Vales. Eu tinha o namoro nos Vales nesse tempo anexado ao Peso.
O que vou contar foi precisamente quando vinha do namoro.
Entre os Vales e o Peso só existia uma pequena casa na tapada do Ti Manuel Guerra.
Eu saí dos Vales a pé por volta da meia-noite (noite sem lua).
Já perto do Cemitério que servia o Peso e os Vales apareceu-ma em frente um vulto negro e sentia bafejar em todo o descampado só se ouvia o latir dos cães.
Eu resoluto avancei para o vulto e este começou a correr na minha frente.
Na Tapada junto ao Cilindro tirei uma estaca numa horta ali existente, e obriguei o vulto a entrar no Peso e já junto ao chafariz das duas bicas ouvi gritos (credo aberram) e quem gritou fugiu para a Rua da Ladeira em correria, o Peso estava às escuras que a partir de certa hora a luz era desligada.
Nesse momento o vulto seguiu pela Rua Direita e eu parecia por encanto nunca o larguei, junto à Capela do Espírito Santo apareceu o Ti Zé Peixoto munido duma lanterna e me disse: - Olá Zé Vaz o que se passa ? Ouvi barulho e vim ver (...) É aquele vulto que ali vai. Ó homem aquilo é um burro da Ti Rosário Carrega, deixa os animais de noite junto às medas de palha no Penedo.
Logo se aprontou e fomos os dois levá-lo ao Penedo perto das duas horas.
Pelas 7 horas os militares juntavam-se para caminhar a pé até ao quartel.
Havia sempre a companhia dos camaradas de armas dos Vales (fomos sempre muito amigos, um abraço para vocês !) e caminhando por atalhos até ao Tortosendo apanhando a estrada até ao quartel.
Aquando na caminhada começou um soldado recruta a dizer: - Esta noite vi o mafarrico no Largo do Chafariz, era um enorme vulto negro que parecia uma torre. Vinha do namoro da Rua da Ladeira e como moro na Eira ia para casa.
Ao fugir dei cabo dum joelho, quando chegarmos ao quartel tenho que ir pela enfermaria a tratar da ferida.
Fiquei em silêncio e pensei ora aqui está a razão dos gritos.
Dizia: - Ainda tive de dormir na casa da namorada e só tive tempo de ir a casa fardar-me.
Aqui eu lhe disse (...) com um certo ar de divertido, pelo menos mudas-te as cuecas ? Amigo se ainda és vivo conta agora.
Mais uma vez senti, que o medo somos nós que o fazemos, porque o medo não existe.

2016/10/10
JBVP

 

A TERRA DOS MEDOS IV O meu pai o Ti Zé Vaz, era negociante de cereais comprava e vendia nos mercados de Covilhã, Fundão e outras Terras do Concelho da Covilhã. Tinha uma carroça para fazer o transporte das mercadorias, eu fui o único filho que trabalhou para ele até aos 23 anos, foi assim a minha vida e muito mal compreendida. Era necessário sair muito cedo para se chegar a tempo de abrir a Praça na Covilhã, muitas vezes com neve, chuva e vento de rajada tinha-mos de seguir. A estrada de Vales, Dominguiso, Tortosendo era de terra batida e cheia de buracos.. Havia nesse tempo no Peso muitos tecelões com tear manual. Dando assim trabalho familiar ao encher as canelas e dobar a lã e outros trabalhos ligados à tecelagem. Tinham de ir buscar a matéria prima ao Tortosendo ou Covilhã. E quando a iam devolver já em fazenda pediam ao meu pai se lhes levava os cortes da fazenda na carroça. Certo dia eram 4 horas e o Ti Zé Redondo e o Ti Zé Inocêncio ( Fatela ) esperavam na porta da Taberna eu ao sair para a rua fui bater no Ti Zé Redondo porque não havia luz na rua. disse-me ele? É moço ainda vens a dormir (... ) As ruas eram cobertas de matos para fazer estrume para as terras de cultivo. Os animais andavam à solta pelas ruas , cães, gatos, galinhas, porcos etc, e por vezes apareciam alguns animais selvagens, por exemplo o Lince, o Lobo, a Raposa etc, Quando o meu pai chegou com a carroça e tudo pronto seguimos a caminhada e junto à casa de granito do Ti Artur Morão apareceu o Ti Zé Roberto munido de um cajado e nos disse: É pessoal no meio das minhas cabras aqui na Rua Direita junto à Taberna do Ti Anibal Casteleira apareceu-me coisas estranhas que só pode ser obra do mafarrico, mas eu limpei tudo à cajadada. Seguimos o nosso caminho e no dia seguinte no Peso não se falava de mais nada, tinham morto umas tantas galinhas algumas tinham filhotes ( os pintos )da Ti Miquelina Pereira, porque estas tinham saído do poleiro da sua casa na Rua Direita no Peso..

 

NA TERRA DOS MEDOS V . - " O Homem só morre quando nós o esquecemos " (... ) Recordo com imensa saudade um Homem Bom, que conheci na aurora da minha juventude. esse Homem foi o Ti José Francisco ( Frade ). Que nas décadas de 40 e 50 do século passado ajudou muitas famílias carenciadas e numerosas ao dar-lhes trabalho na venda de peixe. Foi nessa altura o maior fornecedor de peixe no Concelho da Covilhã. abastecedor do mercado municipal do Tortosendo e ainda tinha várias peixeiras que vendiam porta a porta o célebre carapau do gato que hoje custa um dinheirão, a sardinha e ainda o chicharro três por vinte e cinco tostões., faziam tudo a pé pelas aldeias de Peso, Pesinho, Vales, Coutada, e outras. Que para darem que comer aos filhos / famílias numerosas ) muito sofreram, era gente simples mas muito honesta e, com muita dignidade, que apesar da crise por falta de trabalho, sempre foram pagar a mercearia que compravam fiado na Ti Ana Batista. ( foram tempos muito difíceis ). Esta gente levantava-se sempre muito cedo, para ir levantar à estação do caminho de ferro ao Tortosendo as caixas de peixe, que vinham diiariaamenente da Figueira da Foz .. Juntavam-se junto ao cemitério do Peso-Vales, em dias de frio acendiam fogueiras com ramos de oliveira, isto numa noite escura por volta das três horas da manhã apareceu junto deles/as um mocho ou coruja, conhecidas por aves de má agoiro. Ficaram borrados de medo, dizendo uns para os outros isto só pode ser Alma do outro Mundo. Nesta aldeia pacata a gente com dignidade também teve os seus medos. Recentemente com a vinda de dois extraterrestres numa casa assombrada lá para os lados da serra ao entraram pelo telhado e após coscuvilhar no meio da porcaria encontraram um quadro cheio de pó que se tornou enigmático para eles entraram em comparações um com o outro um dizia isto é do artista espanhol Pablo Picasso o outro dizia isto é do pintor catalão Jean Miró, já entrados na disputa diz um para o outro( ... ) " oh pá, vamos embora já... senão ainda dizem que fomos nós que pintámos o quadro. FIM.

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publicado às 10:36

Lembrar é sempre um recomeço, mas não um começar do zero.

por José P. Santos, em 28.10.16

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Recordações,Pensamentos e Estados de Alma de José Batista Vaz Pereira

 

A TALHE DE FOICE RECORDAR ALGUMAS FIGURAS DA ALDEIA DE PESO.- O Ti António Fatela, vendia peixe pelas quintas do Concelho do Fundão, andava sempre descalço fosse inverno ou verão, e transportava o peixe numa caixa à cabeça com uma ( roda . de trapos. Era quase sempre o primeiro acompanhante dos Barqueiros o Ti Zé Augusto e o Ti António Pereira, para fazerem a travessia de barco no Rio de Peso - Pesinho.. Era avô do Coronel Álvaro Proença Esteves. Figura típica o Ti António Fatela por andar sempre descalço, mas um Homem com uma personalidade muito forte e respeitado por toda a gente.. Uma vez ouvi ao António Proença Esteves era este ainda um garotote a seguinte frase: " O pai do meu pai andou à bulha com o meu avô " tratava-se do Ti Proença que tinha uma casa de campo numa encosta das Portelas. E o compadre António Fatela tinha uma propriedade junto. ( parece desavença por motivo de fruta ), e como lá dormia muitas vezes, certos dias era vê-lo, de camisola e ceroulas brancas, que visto das Ruas do Peso, parecia ao lusco fusco um fantasma.Era um Homem quase desconhecido na sua própria terra (... ) Homem de grande sabedoria, muito gentil, uma pessoa encantadora, dele ouvi as seguintes quadras; já lá vão mais de sessenta anos: Ai, se a mentira falada/ queimasse a língua a quem mente, / cheirava a carne queimada/ a boca de muita gente!... O relógio e o coração/ batem à mesma medida,/ um marca a vida do tempo/ o outro o tempo da vida!... A pessoa que é capaz /de ganhar o pão que come,/ trabalha a favor da paz/ faz a guerra contra a fome!... Este Homem tinha grandes qualidades Humanas. .- Por várias vezes falei com ele. . Foi para mim um ensinamento de vida.

 

LENDA DA FONTE DA CANADA. - Contava-se no Peso, que na fonte da canada numa quinta-feira de Ascensão, uma lavadeira levava roupa e se dirigia para o ribeiro para a lavar. Muita gente lhe dizia para não ir naquele dia, " que até se os passarinhos soubessem, o que era a Ascensão, não comiam nem bebiam, nem as patas punham no chão. " Nos dias a seguir tinha muito tempo de lavar a roupa. Ela não quis saber e lá foi lavar a roupa. A partir desse dia ninguém mais a viu, e a roupa que levava. Diz a lenda que se ouvia a lavadeira esbatendo-se desesperadamente nas manhãs de São João na Fonte da Canada. Dizia se ter sido castigo do Céu (...) Soneto - VELHA FONTE DA CANADA. - Prendes-te o meu coração/ eu na tua companhia,/ Quinta-feira de Ascensão/ em minha alma vazia! - Nessas horas de brincadeira/ junto ao ribeiro manso,/ Sentada à minha beira/ e não tivemos descanso! - Com encanto abrindo flores/ és fonte dos meus amores/ nesta lenda encantada;/ - Momentos na minha vida/ no Peso, foi definida/ Velha Fonte da Canada!...

 

 

A todos os conterrâneos e amigos, lembrar é sempre um recomeço, mas não um começar do zero. Há um trabalho que é necessário ser feito por alguém são : " usos, costumes e tradições das Aldeias de Peso e Vales do Rio". É urgente em jeito de homenagem aos nossos antepassados que Deus lá tem em seu Trono. Não quero ser herdeiro da tradição mostrando ver o que está escondido. Apenas vos digo; As nossas aldeias merecem esse estudo. Para mim nada quero nem preciso, só lembrar na distância, pessoas que nos fizeram felizes. Não há ninguém certamente/ que já não tenha notado,/só caminhamos em frente/ se vivermos o presente/ sem esquecer o passado.- Os nossos antepassados foram Homens com pouca cultura, mas olhavam-se a si próprios diante do espelho.. Recordo uma noite em que o Ti Vicente Proença, saindo do seu tear me falou do seu António, Arnaldo, Laurinda, Maria, Laura e a luz dos seus olhos a Margarida, hoje avó e mãe do Presidente Rui Amaro, como o Tempo Passa Veloz/ voltar atrás não podemos (...) Após uma longa conversa ouvimos o canto das almas ( isto em final de Novembro.sentimos a religiosidade e inspiração de Homens a percorrer as ruas silenciosas do Peso. e no descante encontramos , os irmãos João, José e Manuel dos Santos, o Ti António Morais, o Ti António Pires e ainda outras pessoas., movidos pela fé cristã e na doutrina..- Recordai nobres senhores/ desse sono tão profundo,/ ouvindo nossos clamores/ das Almas do outro Mundo..-Cristandade tão unida/ ouvindo gritos e ais,/ que lá estão na outra vida/ as Almas dos nossos Pais..- Tende dor e compaixão/ daquela sentida voz,/ das Almas, que em pena estão/ de nossos pais e avós.-Por quem cá deixaram no mundo/ estão postas em agonia,/ foi tão grande o seu descuido/ rezai uma Avé-Maria!

 

ALDEIA DE PESO - SAUDADE DAS SAUDADES (...) - Logo após o fim da 2ª Guerra Mundial , era eu ainda muito jovem e estIve num serão de Inverno à luz de uma candeia, na oficina do meu padrinho o Ti António Guilherme ( Ferrador ) com a forja acesa com carvão vegetal, e ainda algumas morcelas, chouriças, bacalhau, tordos, etc,, não faltando o bom pão caseiro e a pomada (vinho) caseira. Na companhia de Homens Bons o Ti José Pires ( regedor) o Ti Artur Morão (presidente da junta) o Ti Luis Amaro, (sapateiro) os irmãos José e Manuel dos Santos (proprietários) o Ti António Guilherme ( dono da oficina) o Ti Zé Vaz ( meu pai) que forneceu todas as morcelas e chouriças a grande especialidade de minha mãe a Ti Ana Batista. Mas também havia dois jovens sempre atentos às conversas dos presentes. o Zé Vaz (eu) com a transferência do nome para as gerações vindouras do Peso o Meu Primo atual Zé Vaz e o Zé Guilherme.Por eles ouvi a LENDA A NOSSA SENHORA. - Quando Nossa Senhora fugiu a Herodes, para evitar que o Menino Jesus fosse degolado , passou junto de uns lavradores que andavam a semear trigo. Perguntou Nossa Senhora a estes lavradores o que semeavam, um deles disse semeio trigo, e um outro disse que semeava pedras. " Pois amanhã" disse Nossa Senhora vinde colher a vossa sementeira". No outro dia , vieram os lavradores ao campo e o primeiro viu que, no sitio da sementeira, já havia trigo nascido, crescido e frutificado. O lavrador, em vista do que viu, mandou logo ceifar o trigo. Passando por ali os judeus, que seguiam em perseguição de Nossa Senhora, perguntaram aos ceifeiros se tinham visto passar por ali uma mulher montada num burrinha

. Os ceifeiros responderam que sim, que a tinham visto passar essa mulher, quando eles andavam a semear o trigo que agora estavam ceifando. Em face desta resposta, ficaaram os judeus desanimados e foram~se embora. O lavrador que semeou as pedras, vendo o vizinho a ceifar o trigo, foi buscar pessoal , para ceifar a sua seara. Mas ao chegar ao seu campo só encontrou pedras ( penedos- calhaus ). Só aí compreendeu que com coisas sérias não se brinca. Recordações que ficaram e que saudade das saudades. FIM

 

Recordar é Viver ... Corria o ano de 1950, havia entre os habitantes da Aldeia de Peso e Concelho da Covilhã a seguinte crença: " O Banho da Alma " . Quando qualquer pessoa morria, a alma separa-se do corpo e banha-se em toda a água que se encontrava em casa do finado e em todas as mais próximas. Daqui se despejar toda a água que havia na casa do morto, nos cântaros e restantes vasilhas, a fim de ninguém se servir da água considerada impura. Um dia uma mulher que vivia lá para os lados do Cabeço da seara no Peso, queixou-se de náuseas e vómitos, dizendo que aquele mau estar o tinha contraído desde que morreu o seu avô e ela tendo em seguida um ataque nervoso, em que perdera os sentidos e, trouxeram-lhe um copo de água, da mesma em que se lavou a alma do seu avô. Estas náuseas e estes vómitos podiam, explicar-se de outra maneira, é que a mulher se achava no seu estado interessante.

 

ALDEIA DO PESO QUE FASCÍNIO LANÇAS SOBRE MIM ... - Deixei-te terra da neve/ comigo já não te importas,/ Quantas vezes Deus escreve/ direito por linhas tortas. - Aldeia laboriosa/ pequena na extensão,/ Mesmo assim és grandiosa/ na alma e no coração. - O teu aroma serrano/ inunda todos os lares,/ Quando o vento vem do rio/ sopra forte nos pomares..- Plantada entre serras/ Em volta não há igual,/ aldeias iguais e terras/ mas a nossa é mais igual.- O povo vem para a rua/ a cantar com toda a gente,/ Santa Bebiana é só tua/ numa noite bem diferente. - Da minha terra afastado/ para que a saudade não doa,/ Na boca trago um fado/ e no coração Lisboa.

 

VERDADES A DESCOBERTO. - Saí do Peso com 23 anos, com uma mala mais cheia de mágoas do que de roupa. Mas ficou lá de mim metade ( porque eu queria ficar ) . As Minhas Raízes, o primeiro amor, os amigos de infância . - Eu sofri e se sofri (...) nunca recebi de meus pais um cêntimo pelo meu trabalho e se algo precisasse para as minhas pequenas despesas tinha de tirar o dinheiro da gaveta entre os cinco escudos e pouco mais, os manos já estavam fora da terra a viver em Lisboa, e quando casualmente iam lá ( ao Peso ) tiravam notas de 20-50-100 o que a Ti Ana dava por isso, tinham sempre o cuidado de manipular os pais para o criado de serviço ( neste caso que era eu ) pagar a factura. Mas Deus é grande e posso afirmar que não tenho razão de queixa, sou um sortudo que nos momentos difíceis na minha vida Ele tem estado sempre por perto. Sou feliz e isto me basta. - Depois de tantos anos cá fora, lanço a semente , e a semente não nasceu. E ainda hoje me resta, saber efectivamente, se é a terra que não presta, ou se o mal é da semente.- Já tenho encontrado pessoas que até com a minha felicidade os tem incomodado. - Que mal lhes faria eu? até o que é bom não presta, ao ponto é que seja meu.-... Lembro uma história exemplar:Uma cobra seguiu um pirilampo para o comer... Correu o primeiro dia e nada. Corre o segundo dia sem resultado. Ao terceiro dia o pirilampo já exausto,volta-se para a cobra e diz: - Posso fazer-te três perguntas? Podes! não costumo fazer essa excepção mas, uma vez que te vou comer podes! - Pertenço à tua cadeia alimentar - Não.- Fiz-te alguma coisa de mal - Não. - Então porque me queres comer? . - Porque não suporto ver-te brilhar (...) Têm sido assim os invejosos - . Recuso-me a zangar-me com eles, creio que é uma forma de desprezo.

 

 

Conheci uma família aonde sempre existiu, o parente rico e o parente pobre, e nos almoços quinzenais ditos de família estava reservado só aos " brasonados " . HÁ PALHAÇOS RICOS E HÁ PALHAÇOS POBRES :... Há o palhaço que é rico/ e há o palhaço que é pobre/ um que trás água no bico/ e o que tem alma de nobre! .- Há o palhaço que é/ lutador pelo ideal/ há o que faz banzé/ para animar o arraial. -. Há o palhaço que ri/ há o palhaço que chora/ e há um que conheci/ foi palhaço a qualquer hora! .- Há o palhaço contente/ que trabalha com amor/ e há o que tristemente/ não nos conta a sua dor! .- Há o palhaço verdadeiro/ mas que não diz a ninguém/ luta para ter dinheiro/ e sorri quando o não tem!.- No grande circo da vida/ ser palhaço é trivial/ palhaço com alma ferida/ também eu sou afinal!

 

A FONTE DO PESINHO - FUNDÃO. - Eu sigo sem descansar/ em busca de água cantante,/ e a fonte a que vou dar/ nunca para de cantar/ sua toada constante. - Fonte de água cristalina/ com mais sabor e frescura,/ esta fonte do Pesinho/ encontra amor e carinho/ todo aquele que a procura. - Assim a gente acredita/ juntando a cada momento,/ vem uma sede infinita/ na primeira contradita/ a varrer o pensamento!

 

ENTRE O RIO E A SERRA - TANTA SAUDADE ENCERRA/ LÁ VIVI NA ILUSÃO/ AO SAIR DA MINHA TERRA/ SENTI MÁGOAS NO CORAÇÃO. Alegrias divinais/ quando de branco a serra/ o rio com salgueirais/ são venturas geniais/ TANTA SAUDADE ENCERRA. -Pedaços da nossa gente/ . só me arranjaram confusão/ pelas festas bem contente/ até ficava doente/ LÁ VIVI NA ILUSÃO. - Nem tudo o que parece/ quando se gosta da terra/ há sempre alguém que aparece/ quando o criado esmorece/ AO SAIR DA MINHA TERRA . .Lembrando nossos avós/ lá fica a recordação/ a vida passa veloz/ são os pedaços de nós/ SENTI AS MÁGOAS NO CORAÇÃO!..

 

NO LANÇAMENTO DO LIVRO POETAS DO PESO. No Alto da Serra da Gardunha. Escrevi: - Bem melhor era viver/ onde nasci, na verdade,/ do que ser rico e não ter/ da minha terra saudade
. - Mas o desejo de vê-la/ , é tão intenso e tão certo,/ que quanto mais longe dela/ mais a saudade anda perto. E bem pouco importa ainda/ que neguem suas belezas,/ pois será sempre a mais linda/ das terras bem portuguesas.- E aqueles que alguma vez/ me virem chorar por ti,/ saibam que sou português/ foi no Peso que eu nasci!

 

SAUDADES DA TERRA ONDE NASCI... Saudades de lugares por onde andei/ saudades duma infância que foi rude,/ Saudades desses tempos que passei/ na aurora da minha juventude. - Saudades, viverei sempre com elas/ enquanto a vida me der tino,/ Para beber do passado coisas belas/ tal como no presente as imagino. - Saudades de estar onde não estou,/ e de ver quem o mundo já deixou,/ saudades, de matar tanto desejo. - Saudades no presente são verdades/ de mansinho na vida das saudades,/ saudades de ver quem já não vejo...

 

Bom dia Amigos/as. Hoje acordei contente, sonhei com o Centro Social Comunitário do Peso-Covilhã, e com o bom trabalho que essa competente equipa está a realizar a favor dos jovens do meu tempo. - Acordei saiu-me poema/ multidões em labirinto,/ só precisei duma pena/ para escrever o que sinto. - Vi o Amigo Zé Aleixo a cantar menina agora, agora (...) vi uma enorme diferença entre o Centro de ontem e o de hoje felizmente bem para melhor.-No vosso centro de dia/ comovi-me de verdade/ o que mais me entristecia ,/ não era só nostalgia/ era de todos/as saudade. - Os funcionários são bem escolhidos, dedicados e competentes, com capacidade de sacrifício sem limites, para com os utentes mais renitentes. - Na ausência e solidão/ a minha terra me chama,/ vive no meu coração/ o pranto que alguém derrama. - Recordo o Nosso Grande Fernando Pessoa: " A criança que fui, chora na estrada,/ deixei-a ali quando vim ser quem sou,/ mas hoje vendo que o que sou é nada,/ quero ir buscar quem fui, onde ficou."- Sinto-me um homem realizado, tive ajuda de uma sogra que para mim foi a minha maior amiga, tenho a minha Fernanda fiel companheira de 56 anos de casados e 2 filhas que são toda a minha vida. Sou feliz e isto me basta. Nunca alimentei nem vou alimentar polémicas, sou voluntário no Centro de Dia a Jovens e Idosos do Lumiar desde 2000. Ninguém me pediu, sou eu que vou de minha livre vontade, levo sempre uma palavra amiga aos utentes, pelos meus conhecimentos em psicologia, sempre fui compreendido e respeitado, conheci lá pessoas maravilhosas que me deixaram enormes saudades por terem já partido deste Mundo.- Com os meus 81 anos penso ainda ter os neurónios todos no sítio.- E como não podia faltar a minha paixão pela poesia, dedico este poema a todos/as que vamos prometer ajudar o Centro Comunitário do Peso e Vales do Rio.- Ao longe, muito ao longe, ainda diviso/ a minha imagem, que mal recordo já;/ A face jovem com os olhos sempre sorrindo/ são as lembranças que o tempo guardará.- Mas ele vai passando sem piedade/ esbatendo friamente esses contornos,/ mesmo que queira segurar a mocidade,/ jamais aceito súplicas ou subornos.- Em rotineira e glacial pontualidade,/ quando é chegada a hora derradeira,/ avança resoluto no escuro ou claridade,/ não recua perante abismo ou ladeira.- Eu relembro as horas que passava/ activamente construindo a vida.../ Quão vagaroso então eu achava,/ por encobrir-me a terra prometida. - Mas o tempo passa sem piedade,/ esbatendo friamente os contornos,/ Mesmo que queira segurar a mocidade/ jamais abeira súplicas ou contornos!!!- Quero ainda dar os meus sinceros parabéns a todos/as que dão Vida ao Centro e dizer-vos podem contar comigo em tudo que me seja possível. - Quero gozar o luxo fascinante/ de ser eu e só Eu,/ Poeta mudo e distante,/ de versos que ninguém leu. Bem-haja a todos/as do José Batista Vaz Pereira.

 

 

Há saberes e mistérios que não se ensinam, nem se aprendem! Corria o ano de 1953, ainda me lembro daquele amanhecer do dia 15 de Agosto, quando eu e o saudoso Fernando Pereira Proença, munidos de duas pequenas armas de fabrico artesanal, fomos caçar pássaros a um lugar penso eu de Giestosa. As pessoas só morrem quando nós as esquecemos... Com o Fernando posso afirmar que foi o meu melhor amigo de infância. O destino vem e segura as pessoas mas, nenhuma força é tão grande para fazer esquecer as pessoas que nos fizeram felizes. Estejas aonde estiveres Paz à Tua Alma Amigo. - FOMOS UM DIA CAÇAR. Eu pouco sabia caçar/ não vi caça para atirar/ e fazer o gosto ao dedo, / Era quase meio dia/ soava linda melodia/ no alto do arvoredo. Era um frágil passarinho/ que no alto do raminho/ cantava alegremente./ A arma lhe apontei/ e por azar, lhe acertei/ que foi cair à minha frente. -O peito ainda sangrava/ era a vida que deixava/ porque o matei sem pensar,/ Reconheci que foi malvadez/ ele não voltará a cantar. - Quem sabe se o passarinho/ ao ver-se ali sozinho/ se vinha fazer companhia./ E eu acabei por matar/ a quem me queria dar/ um pouco de alegria. - Passei o resto do dia/ com saudade da melodia/ que vinha lá do raminho. Senti os olhos chorar/ jurei não
voltar a matar/ mais nenhum passarinho.

 

MEU GRITO DE POETA ...EU SOU COMO SOU... - Sou como sou, e não me importo nada/ que este ou aquele não goste do que eu sou./ sei o que quero, e aonde vou,/ a passo firme e fronte levantada. - Amo essa mão estranha, ignorada/ que do destino as linhas me traçou./ E dos outros diverso me tomou,/ dando-me esta alma inquieta de

nortada! - Louco! Poeta! E que me importa a mim? tantos falando porque eu sou assim,/ tantos dizendo o que devia ser... - Sou como sou! E sinto até vaidade;/ quando posso grito esta verdade;/ Sou como sou, e assim hei-de morrer!

 

FALAR DO PESO A PARTIR DE AGORA.. - É remexer em cinzas do passado já arrefecidas, " entre o passado e o presente " da Minha Terra Natal, vou tentar atiçar, por isso mais que as minhas palavras, torna-se imperativo honrar os nossos antepassados., de tempos bem diferentes que os de hoje. .Conheci ainda eu era jovem duas pessoas maravilhosas. O Ti António Fazenda ( proprietário ) e o Ti Gargório ( alfaiate ).- O Ti António Fazenda tinha estado emigrado na Austrea de regresso ao Peso dedicou-se a tratar das suas propriedades, fazia um vinho de um verdadeiro mestre que só ele sabia o segredo. Era um Homem complicado de se entender, tinha dias , exemplo: Ontem apanhei uma lebre ( armei os ferros no rio ) isto uma armadilha. Quem o desmentisse tinha sermão pela certa, quem estava com ele, tinha tudo. Conhecia o seu feitio, e dizia-lhe tudo bem, o que mais se zangava era chamar-lhe ( cherrobeco ) todos os seus fatos eram desta estremanha amarela, vestia sempre fato completo e sempre muito cuidado. Era um Homem Bom. - O Ti Gargório um excelente alfaiate. de profissão e curandeiro nas horas vagas .Com o Petroleo que se usava nos candeeiros de iluminação curava todos os males! Certo dia num inveerno rigoroso fui dar com ele no Barrocão, tentava arrancar uma torga para a lareira e aquecer a casa., sentava-se e respirava, voltava já cansado... ao ver-me disse-me anda cá Zé Vaz, mostra aqui a tua força, para ti vai ser fácil ( não foi assim tão fácil ) mas consegui (...) logo ele esclamou " Quem disse à torga que eu era Alfaiate... FIM

 

 

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publicado às 09:59

A tradição do Pão Caseiro "A Tiborna"

por José P. Santos, em 28.10.16

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 A TRADIÇÃO DO PÃO CASEIRO - A TIBORNA. - Embora no consumo actual predomine o pão de padaria, ainda não há muitos anos que, por razões de economia e de tradição, praticamente a totalidade do pão que se comia era caseiro.- Para prepararem a farinha moída nos moinhos era peneirada. À farinha juntava-se um pouco de fermento e a massa deixada a fermentar, juntando~se~lhe água e sal. A seguir fazem-se três cruzes na massa, dizendo ao mesmo tempo, Nosso Senhor te acrescente. - Ebenzendo-se em seguida em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. A massa fica tapada com o " panal " a fintar. Tende-se e corta-se a massa e é feito o pão. Para ir ao forno, ficava a poia ( um pão ) para o dono do forno. Ainda me lembro da Ti Ana ( Poiares ) e o marido o Ti Emídio sardinha, que transportavam o pão no tabuleiro à cabeça da casa do freguês.- Os fornos que antigamente/ coziam o pão para o lar,/ hoje servem raramente/ não se vêem fumegar!... A Tiborna. - Antigamente por necessidade, agora só por hábito, no dia da moenda da azeitona, íamos ao lagar torrar fatias de pão, que o mestre lagareiro mergulhava no azeite, ainda quente da tarefa. - Também se pode fazer a tiborna em casa, depois do pão torrado miga-se e junta-se-lhe azeite até os pedaços de pão ficarem bem embebidos e, junta-se sal e açúcar a gosto, devendo ser comido logo de seguida. Em vez de embeber os pedaços de pão em azeite, também pode ser em vinho.

O Poeta do Peso

José Batista Vaz Pereira

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publicado às 09:53

À miséria a que podem chegar os homens

por José P. Santos, em 28.10.16

 PESO FELIZ TERRA.- Se para compensar as faltas lhe bastasse a beleza das suas gentes, ingénua e deliciosa. - Corria o ano de 1948, era Primavera e comparar os esplendores da natureza, à miséria a que podem chegar os homens. - Habitava no Peso o Ti Francisco Caráia Rambóia do Peso, era assim que ele se classificava em altos gritos já entrado na pinguita ( tinto ), no entanto um bom trabalhador de enxada e muito amigo da sua família numerosa. Também o Ti Manuel Matias, figura típica na Aldeia era o coveiro no cemitério de Peso-Vales e por conta própria fazia carvão vegetal , arrancava as torgas , abria os buracos na terra, metia lá as torgas, lançava-lhes o fogo e de seguida as tapava com terra, retirando depois o carvão . Que ia vender no Peso e outras terras vizinhas. Tinha alturas que ficava por lá dias, exemplo: pelo Monte da Argemela., lá dormia comia e só mais tarde voltava à Aldeia. Um dia chegou ao Peso e na sua ausência, morreu a sua filha Ilda apenas com 5 anos. O funeral foi feito sem a presença do pai. Eu fui nesse funeral a menina foi embrulhada num lençol branco e metida no " esquive " que havia no sótão da sacristia da Nossa Igreja. Foi de corpo para a terra. O pai o Ti Matias ao regressar, talvez por causa e pena de não ter visto a filha.Decidiu ir ao cemitério e desenterrou a filha, alguém viu a porta do cemitério aberta, foi espreitar e viu o Ti Matias com o corpo da filha nos braços e muito alcoolizado, num enorme pranto beijando o cadáver. Ainda ouvi no Peso e cantei era eu muito jovem: Ó Ilda, Ó Ilda, teu pai um borrachão, foi desenterrar a Ilda, com a peta do enxadão. - Hoje não se encontrará comparação fácil, Os nossos antepassados que Deus lá tem em seu Trono, ficariam admirados pelo muito de Bom que no Peso Mudou! FIM

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publicado às 09:09

A Desfolhada

por José P. Santos, em 28.10.16

PESO-COVILHÃ A MAGIA DA NOSSA ALDEIA, NA DESCOBERTA DA DESFOLHADA. - A última desfolhada a que estive presente foi na casa do Ti João Pereira ( almocreve ) pai da Fernanda, Maria José, e Manuel. Logo na entrada da casa reparei num velho quadro que dizia: A minha casa é pequenina, é pequena pouco importa, chega para mim e para os meus, e também quem me bater à porta. O milho foi transportado com as canas de junto do rio, pelo carro de bois do Ti António Barata ( o pica - pica ), lembro que estiveram presentes o João Sardinha ( sacristão ) o Abílio Santos ( pito rouco ) e outros. Era tradição e à moda antiga , se arranjavam namorados/as e se cantava: As desfolhadas da aldeia/ são cheias de vida e cor/ até á luz da candeia,/ suspiram versos de amor. - Ai as desfolhadas, lindas desfolhadas, onde as raparigas vão todas lavadas, saem de casa preparam-se bem, porque os seus amores lá estarão também! - Esta tradição era efectuada em tempos por altura do Outono, onde os mais novos se colocavam em roda à espera do de encontrar o " milho rei ", que é uma espiga de milho de cor avermelhado escuro, o que permitia dar a quem a encontrasse um beijo ou abraço a todas as pessoas presentes na desfolhada. Era saudável ouvir cantar toda a gente " A madrugada lá vem, lá vem. Por trás da serra que graça tem ( ... ) Eu não gosto de vos maçar/ tinha muito mais para dizer,/ Obrigado Minha Aldeia sempre quis em ti viver/ Mas o destino não quis/ vim viver para Lisboa/ tenho família sou feliz/ e levo uma vida boa!. um abraço a todos

O Poeta do Peso

José Batista Vaz Pereira

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publicado às 08:59

Serões de Inverno à luz da Candeia

por José P. Santos, em 28.10.16

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SERÕES DE INVERNO NA DÉCADA DE CINQUENTA DO SÉCULO PASSADO EM PESO - COVILHÃ ... Recordo-me com muita saudade alguns desses serões passados ao redor da fogueira, por cima havia, compridas varas de chouriças, morcelas, farinheiras, etc, que se encontravam para secar. - Em Novembro : A azeitona já está preta/ já se pode armar aos tordos,/ diz-me lá ó cara linda/ como vamos de amores novos. ( ... ) Lembro o meu maior amigo de infância o saudoso Fernando Pereira Proença. Com ele muitas vezes fizemos armadilhas para apanhar os tordos ( ave ) que nós chamava-mos " aboiz " constava de uma pequena vara retirada de um rebento da oliveira, colocávamos uma linha com laço, e a vara espetada na terra vergada, com uma azeitona e assim se dizia caem como tordos. apanhá-mos muitos e ainda compramos ao António Fernandes ( O Galito ) que os vendia a 1$50. o Fernando era um bom atirador de caça e por ele matava mochos, cotovias, e outras aves. E assim fizemos grandes petiscos na casa de seus pais o Ti Manuel Proença e a Ti Rosa Pereira, muitas as vezes estava o José, o João, a Maria Rosa e o António tinha casado e já vivia na Coutada. .Esta história deve ser conhecida de muita gente, da minha geração, naqueles dias de frio com o lume a crepitar na lareira. A juventude hoje, passa os serões nas discotecas e outros locais de diversão, com um calor diferente, nestas histórias antigas que ouvia-mos dos nossos avós quando ainda crianças. Os avós hoje já não têm lareiras nem os netos serões com eles,, são normalmente enviados para um lar da 3ª idade, ou ainda a viver sozinhos nas suas casas sem os serões de inverno para se aquecerem. FIM

 

ALDEIA DE PESO - SAUDADE DAS SAUDADES (...) - Logo após o fim da 2ª Guerra Mundial , era eu ainda muito jovem e estIve num serão de Inverno à luz de uma candeia, na oficina do meu padrinho o Ti António Guilherme ( Ferrador ) com a forja acesa com carvão vegetal, e ainda algumas morcelas, chouriças, bacalhau, tordos, etc,, não faltando o bom pão caseiro e a pomada (vinho) caseira. Na companhia de Homens Bons o Ti José Pires ( regedor) o Ti Artur Morão (presidente da junta) o Ti Luis Amaro, (sapateiro) os irmãos José e Manuel dos Santos (proprietários) o Ti António Guilherme ( dono da oficina) o Ti Zé Vaz ( meu pai) que forneceu todas as morcelas e chouriças a grande especialidade de minha mãe a Ti Ana Batista. Mas também havia dois jovens sempre atentos às conversas dos presentes. o Zé Vaz (eu) com a transferência do nome para as gerações vindouras do Peso o Meu Primo atual Zé Vaz e o Zé Guilherme.Por eles ouvi a LENDA A NOSSA SENHORA. - Quando Nossa Senhora fugiu a Herodes, para evitar que o Menino Jesus fosse degolado , passou junto de uns lavradores que andavam a semear trigo. Perguntou Nossa Senhora a estes lavradores o que semeavam, um deles disse semeio trigo, e um outro disse que semeava pedras. " Pois amanhã" disse Nossa Senhora vinde colher a vossa sementeira". No outro dia , vieram os lavradores ao campo e o primeiro viu que, no sitio da sementeira, já havia trigo nascido, crescido e frutificado. O lavrador, em vista do que viu, mandou logo ceifar o trigo. Passando por ali os judeus, que seguiam em perseguição de Nossa Senhora, perguntaram aos ceifeiros se tinham visto passar por ali uma mulher montada num burrinha

. Os ceifeiros responderam que sim, que a tinham visto passar essa mulher, quando eles andavam a semear o trigo que agora estavam ceifando. Em face desta resposta, ficaaram os judeus desanimados e foram~se embora. O lavrador que semeou as pedras, vendo o vizinho a ceifar o trigo, foi buscar pessoal , para ceifar a sua seara. Mas ao chegar ao seu campo só encontrou pedras ( penedos- calhaus ). Só aí compreendeu que com coisas sérias não se brinca. Recordações que ficaram e que saudade das saudades. FIM

O Poeta do Peso

José Batista Vaz Pereira

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publicado às 08:23

Em memória de um pobre mendigo do Peso "O Xarrique"

por José P. Santos, em 28.10.16

PONTO DE OBSERVAÇÃO ... No silêncio interior sem distância, entre mim e o que eu escrevo! (...) Viveu nas décadas de 40-50-60 do século passado, um homem na Aldeia de Peso-Covilhã, o Ti António Alves ( xarrique ) era um pobre mendigo que tinha a sua área apenas no Peso, que calcorreava mais de uma vez as ruas todas por dia, só comia o que lhe davam e quando não conseguia comer guardava na algibeira, só trocava de camisa quando alguém lhe dava ( nesse tempo nem sempre era fácil dar ) andava sempre descalço e trajando miserável, dormia com a roupa que trazia vestida de dia. Para ele os moinhos de Deus moeram muito devagar, e ainda este pobre foi atirado para um poço sem fundo., só saía da sua área de acção quando havia festa no Pesinho, Vales, Coutada, e raramente o Barco. Alguém tentou ir limpar a casa que habitava, para fazer as limpezas encontro quilos de pão cheios de bolor e um amontoado de imundice e ainda centenas de moedas de 5 e 10 centavos muitas já fora de circulação. Este homem não teve rosto, foi um vulto apenas, sem mais nada apenas, a riqueza de pedir a troco de rezas. Muitas vezes embriagavam-no e, tratavam-no como se fosse uma espécie de bobo. Divertiam-se à sua custa alguns adultos, e as crianças faziam-lhe assuadas, muitas vezes o apedrejaram de longe. E se isso não chegasse, empurravam-no com aquela súbita crueldade das crianças. Escrevo estas linhas numa tarde cor de madrugada com o azul no céu. A quilómetros de distância da terra aonde eu nasci, mas este nome apenas designa este caso perticular de um fenómeno geral: O desprezo pelo próximo. Apenas gostaria ainda de ver apesar dos meus 81 anos (...) Que a Paz seja o feito principal/ que anulem interesses materiais,/ que o Amor sja um elo natural/ unindo os homens a toddos os demais!... FIM

O Poete da Peso

José Batista Vaz Pereira

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publicado às 08:13

Homenagem aos Tecelões do Peso

por José P. Santos, em 28.10.16

EM JEITO DE HOMENAGEM AOS TECELÕES DA ALDEIA DO PESO COVILHÃ... Tecelagem Artesanal ( ... ) Nas décadas de 40, 50 do século passado , no Peso se respirava uma atmosfera de lã.. Como a vida era diferente nos tempos que já lá vão, tinha o Peso muita gente nesta honesta profissão. Havia os tecelões/ a manejar o seu tear,/ ganhando alguns tostões/ para a família governar. - Era assim o tecelão/ noite e dia sem fadiga,/ para na mesa ter o pão/ faz-nos lembrar a formiga. - Vi muitas vezes a lançadeira a transportar o fio de trama de um lado para o outro. Vi vários tecelões dar ao pedal num tear que tecia sempre a mesma coisa. Foram muitos os momentos que eu passei na aurora da minha juventude atento e observador. Conheci pessoas maravilhosas: O Ti Vicente Proença, algumas vezes enchi canelas com a Maria e a Laura, o que para nós era como de um brinquedo se tratasse. O Ti Zé Redondo, O Ti Manuel Pedroso, morava de fronte da casa de meu pai, muitas vezes ouvia o tac, tac, tac, do tear e ainda o seu cante: " O sete - estrelo vai alto/ mais alto mais alto vai o luar/ mais alta vai a ventura/ que Deus tem para nos dar. ( ... ) O Ti António Rebelo, o Ti Zé Agostinho, e ainda o meu grande amigo e confidente O Ti Zé Inocêncio ( Fatela ) que sempre teve uma palavra amiga para me dar. Aprendi muito de bom com este Homem. ... As Tecedeiras ... A Ti Velha Prazeres mulher do Ti João dos Santos, que foi para mim uma segunda mãe, a Rosário ( mãe do actua ( Zé Vaz ) posso afirmar a Rosário foi para mim uma irmã . Algumas vezes ajudava na tarefa de enrolar e dobar meadas e outros serviços e também lá encontrava diversas vezes o Ti António Alves ( Xerrique ). Mas para a criatividade era necessária a matéria-prima, que tinham de ir buscar a várias localidades: Cazegas, Sobral, Paul, Unhais, Castelejo, Silvares e outras. Recordo-me muito bem desta gente pacífica e trabalhadora que apesar das dificuldades vivia á sua maneira e feliz:. Carolina tecedeira/ que no tear, sonha e tece,/ nessa prisão de madeira/ já o tear aborrece. . Prenderam-na lá pequena,/ hora a hora, e fio a fio,/ com a sua face morena/ põe o espelho ao desafio... - Covilhã da serra nascem caudalosas as ribeiras de Carpinteira e Degoldra, com a água puríssima para o tratamento da lã. As fábricas utilizavam a energia hidráulica. Mas, o trabalho de tecer e fiar era manual, para o produto final, no Nosso Peso chegou haver algumas dezenas de alvarás. A matéria prima era fornecida pelos fabricantes de Covilhã e Tortosendo.. Recorde-se que havia um estendal para secar o fio de lã na encosta do Carrasca junto à escola masculina ( da pofessora Belandina ) que tinha uma estrutura de ferro.

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publicado às 07:57

As Lavadeiras do Rio Zêzere

por José P. Santos, em 28.10.16

AS LAVADEIRAS DO RIO ZÊZERE ( ... ) .- Como os tempos mudaram até na forma de lavar a roupa. - Hoje já não se vêem as lavadeiras cantando ao desafio no rio, com as suas crianças brincando, dentro de água correndo atrás dos pequenos peixes, ou correndo no areal alegremente. - Desapareceu também o cheiro das barrelas e da roupa branca lavada, estendida nos salgueiros ou a corar ao sol. Para nossa felicidade ainda nos resta os sons da água cristalina a correr , batendo nas pequenas pedras e o cheiro da hortelã que vai crescendo nas margens do rio, - Atravessei muitas vezes essas águas geladas com temperaturas muito baixas, quando ainda o meu canto se acostumou a amar as coisas simples da vida.- Foi no ano de 1953 em Julho, que vi e falei com algumas jovens do meu tempo, -lavavam as suas roupas numa pedra metida no rio servindo de lavadouro, e elas próprias dentro da água, nas margens do rio: Mª Marques de Almeida, Carolina Proença Honório, Maria Rosa Pereira Proença, Rosa Serra Agostinho, Maria Inês Saraiva e outras. ( ... ) Pela areia branca do estendedouro/ as lavadeiras de então,/ perfumando as aragens/ de roupa humilde com sabão . Amo -te Rio zêzere lembrando as cascalheiras do Verde ( ... ) Pela força do destino/ ó rio da minha terra,/ quero que sejas um hino/ na imponência da serra. ( ... ) Hoje, tudo é diferente, há o OMO a lavar, e tú Mulher a descansar ! FIM

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publicado às 07:53

Festa de Santa Bebiana

por José P. Santos, em 28.10.16

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FESTA DE SANTA BEBIANA , EM PESO-COVILHÃ... Santa Bebiana, considerada a padroeira das mulheres bêbedas, nada tem a ver com o vinho. Foi Mártir em 363 vítima do imperador Juliano Apóstata. Entregue a uma mulher a qual combinaram de a corromper perante esta recusa, pois desejava manter a virgindade, Santa Bebiana acabou por ser entregue ao pretor Aproniano , que a mandou amarrar a uma coluna onde foi chicoteada pelos carrascos atá à morte. -No ano de 1952, assisti a esta festa pagã, formaram uma procissão, iluminada com archotes, um " prior " para fazer o sermão. Formou-se uma comissão tendo como " Juíz " a mulher mais bêbeda do Peso. Recordo-me ver o Ti Emídio ( Arrebenta ) já bem tratado e a mulher atrás dele em altos gritos, " não se acabara o vinho " ao que ele respondia. " ó mulher isso ando eu a fazer, mas não me ajudam e arrebenta quem o deu " Foi dado o nome à comissão Assoc. da Copofonia, tendo Pres. - seca pipas 1º Sec. seca adegas 2º Sec, bebe tudo . Vog. seca alambiques. Esta festa pagã em louvor de Baco Deus grego do vinho A procissão era uma festa pagã feita em seu louvor. A procissão levava um grande boneco cheio de palha em cima duma padiola enfeitada com borracha, garrafas , cabaça e outros recipientes. No largo do chafariz o " prior " fez o sermão, uma espècíe de testamento e foi muito aplaudido pelos presentes. . No final o boneco foi queimado no largo á vista de todos.. Recorde-se que o verdadeiro nome da santa não é Bebiana, mas sim Bibiana, portanto nada tem a ver com o vinho.

 

AINDA O RESCALDO DAS FESTAS A SANTA BEBIANA EM PESO-COVILHÃ...NA TRADIÇÃO PORTUGUESA COM MAIS DE CEM ANOS... Os Mandamentos do Borracho ... O primeiro - amarás, os vinhos de Portugal. E água lhe deitarás, para que te não façam mal. O segundo - jurarás, pela folha da parreira; Antes tu te enfadarás, com quem corte a cepeira. O terceiro é guardar, no armário pão e queijo, E vinho, que beberás, á medida do desejo. O quarto - tu honrarás. Uma borracha de vinho: O chapéu lhe tirarás, se a topares no caminho. O quinto - não matarás; Só se for a cabra ou bode. Tirar o espicho ao pote, é coisa que o homem pode. O sexto - tu guardarás, a talha - se for pequena; E à boca lhe apararás, que te faça a cor morena. O sétimo - sem alvoroço, e logo pela manhã. Bagaço ao pequeno almoço, só no Peso da Covilhã. Oitavo é não levantar, homem que esteja acarrado; Antes tu te deitarás, borracho no outro lado. Nono - não desejarás, borracha que não for nossa; A boca lhe taparás, para que esgotar-se não possa. O décimo - é não cobiçar, as pernas duma galega; Antes tu te meterás, sacristão numa igreja. Estes dez mandamentos, se encerram em dois; O vinho é para os homens, a água só para os bois. FIM

O Poeta do Peso

José Batista Vaz Pereira

 

Outras Recordações sobre a Santa Babiana no Peso

Festa de Santa Bebiana - Festa centenária de origem pagã que se realiza na Aldeia do Peso em Dezembro, comemorando a Santa Bebiana padroeira dos amigos e amigas do vinho.

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Festa de Santa Bebiana

Festa centenária de origem pagã que se realiza no Peso em Dezembro, comemorando a Santa Bebiana padroeira dos amigos e amigas do vinho.

Nas fotos, vemos a procissão percorrendo as ruas da Aldeia do Peso com o Bispo, populares, andor de Santa Bebiana e archotes feitos de pinhas.

 

Histórico da Festa de Sta. Bebiana no Peso

Anualmente, a dois de Dezembro, realiza-se uma festa profana, a festa de Sta. Bebiana, padroeira dos bêbados. Alguns dos participantes vestem-se de “Bispo”, e “padre”. Faz-se uma “procissão” com uma imagem fictícia da Santa Bebiana e com alguns archotes improvisados com ps ruas da aldeia. No largo principal da aldeia “o bispo” faz um “sermão”, e a “bênção” dos bêbados. Como não podia deixar de ser bebe-se neste dia bastante vinho, mas também há animação musical com bombos e outro tipo de músdicularizavam-se asortas, fara virem levar a imagem da “santa” na “procissão”. Algumas aceitavam, mas outras tratavam mal quem as ia ridicularizar.

Segundo Cristina Nogueira, autora do livro “Monografia Histórica do Concelho de Belmonte – Novos Contributos”.

 

Santa Bebiana foi uma virgem romana cristã que terá vivido no século IV. Ela e a sua família foram vítimas de um imperador, Juliano Apóstata, que tentava acabar com o Cristianismo e por isso torturou diversos cristãos. Os pais de Bebiana foram mortos e esta foi entregue a uma alcoviteira com a recomendação de que teria de tentar “leva-la por maus caminhos”. A santa terá assistido a festas com elevado consumo de vinho como era característico desta época, mas a jovem nunca se tentou. Como não conseguiu os seus intentos, em 363 d.C., o pretor Aproniano mandou que a amarrassem a uma árvore e foi chicoteada até à morte.Durante a procissão são proclamadas “orações” irónicas:

 

“O credo dos Ébrios"

 

Creio no álcool a 360 graus, todo-poderoso e criador de formidáveis carraspanas. Creio na aguardente sua filha, e minha esposa predilecta a qual foi concebida por obra e graça do alambique, nasceu da puríssima cana e padeceu sob pisão dos moinhos. Foi derramada e sepultada num casco, ao terceiro dia, surgiu da garrafa e subiu graciosa e triunfante à caixa dos pirolitos. Escoou o fundo da caldeira e está no tonel bem rolhada, estando à mão direita das barbas do bagaço, de onde há-de vir alegrar uma grande pândega sem fim; dar nas vistas aos grandes e pequenos, ricos e pobres, doutores e burgueses, santos e diabos. Portanto creio na repetição da pinga, na santa vindima actual, na comunicação dos irmãos do esgota, na renovação das pipas vazias, na bebedeira eterna. Ámen!”.


“O Pai-Nosso do Vinho"

 

Santa uva que estais na parreira, purificada sejais sem enxofre e sem sulfato. Venha a nós o vosso líquido para ser bebido à nossa vontade tanto na taverna como na nossa casa, livrai-nos de quebrar a cabeça. Ámen!”.

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publicado às 07:43

Adivinhas com mais de cem anos

por José P. Santos, em 28.10.16

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ADIVINHAS COM MAIS DE CEM ANOS NA TRADIÇÃO ORAL DE PESO COVILHÃ... (1) Sete irmãs são, uma é santa, seis não. ... (2) Se não passe quem passou, passava quem não passou.... (3) ...Quando não tem água, bebe água, quando tem água, bebe vinho. ... (4) ... Igrejinha vermelha, sem porta nem telha... (5) ... Igrejinha branca, sem porta nem tranca. ... (6) ... O que é aquilo, que do tamanho de uma bolota, enche a casa até à porta? .. (7) ... O que é aquilo, que tem dentes e não come, e tem barba e não é homem ? ... (8) ...Qual é a coisa que sobe e desce serras, e está sempre no mesmo sítio? ... (9)... o que é aquilo, que quanto maior é menos pesa? ...(10) ... O que é aquilo que quanto mais roto está, menos buracos tem? ... (11) ...O que é aquilo que tem coroa e não diz missa, e tem pernas e não anda?... (12) ... O que é aquilo que quanto maior é menos se vê?... (13) O que é aquilo que se aperta numa mão e não cabe num caixão?... Ora vamos lá todos/as tentar adivinhar ( ... ) ... 13 - O varejão... 12 - A escuridão... 11 - Uma trempa .. 10... Uma rede... 9- .. Um buraco .. 8 ... Uma estrada... - 7... Uma cabeça de alho... 6 ... A luz da candeia... 5... O ovo... 4 ,,, A laranja... 3... o moleiro... 2... O figo ( colhido da figueira )... 1 a Quaresma... Parabéns que acertaram todos/as... um abraço..

 

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publicado às 07:40

Provérbio e Ditos com mais de cem anos na tradição oral no Peso

por José P. Santos, em 28.10.16

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ALGUNS PROVÉRBIO E DITOS COM MAIS DE CEM ANOS NA TRADIÇÃO ORAL NO PESO. - O cão e o menino, vão aonde sentem mimo ... O melhor dos dados é não os jogar ... O mundo nos vê e Deus nos conhece ... O que a natureza dá, a enxada o tira ... O boi em terra alheia, qualquer vaca o escorneia ... Não se levanta fumo sem haver labareda ... Não te enleves em vinha de ladeira, nem em mulher cantadeira ... Pingo de Igreja sempre goteja ... Peso e medida governa vida ... Sol coelheiro, água no outeiro ... Cão de três, não o vendas nem o dês, que ao fim dum ano saberás o que tens ... Serra e mar, sempre têm que dar ... Tristezas não pagam dívidas ... Em Fevereiro, deixa a fonte e vai ao ribeiro ... Em comprar e vender, todos somos irmãos ... Entre marido e mulher ninguém meta a sua colher ... Barriga vazia não tem alegria ... O bezerro manso, mama o seu e o alheio .... Faz bem não cates a quem ... Faz mal e guarda-te ... Presunção e água benta, cada qual toma a que quer ... Pintos de Janeiro vão com a mãe ao poleiro ... Mulher honrada não tem ouvidos ... Quem lhe doe o dente é que vai ao dentista ... Quem quer o que Deus quer, há-de ser o que Deus quiser ... O medo é que guarda a vinha ... Para quem meu filho é, minha nora basta ... Na terra aonde viveres, faz o que vires fazer ... Com migalhas ninguém engorda ... Mãos frias, coração quente ... Do que não há se escusa ... Primeiro comem os olhos do que a boca ... Paixões não pagam dívidas ... Quem meu filho beija, minha boca adoça. .... Entre irmãos ninguém meta as mãos ... Cuidam os namorados, que todos têm os olhos tapados ... Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso ... Quem não que saber, nada se lhe diz ... Preso por ter cão, e preso por não o ter ( ... ).

 

CONT... II ... PROVÉRBIOS COM MAIS DE CEM ANOS DA TRADIÇÃO ORAL DE PESO - COVILHÃ. Muita unha a pouca pena, depressa se depena. - Maio pardo e ventoso faz o ano formoso. - Mais vale comer na rua que morrer de fome em casa . - Ramos molhados, anos melhorados, - Bem parece fogaça alheia em mesa cheia. - Barriga de moço não tem osso. - Doente que espirra, fora do hospital! . - Dá Deus as nozes a quem não tem dentes, - Galinha e pirum, tudo é um, - Geada na lama, água cama . - Pobre e namoradeira, toda a vida solteira. - Para baixo, até o diabo ajuda. - Levantou-se o preguiçoso e puxou fogo á cama. - Lenha verde mal acende, quem muito dorme pouco aprende. - Tão bem se paga a quem bem fia, como a quem mal tece. - Costumou-se a velha aos bredos, lambe-lhe os dedos. - Conforme a nau, assim a tormenta. - Casa sem homem, nem a candeia dá luz. - Ano de ameixas, ano de queixas. - Amigos amigos, negócios há parte. - Amigo reconciliado, nunca dele bom bocado. - Flor ao peito, asno direito. - Quem tem medo, recolhe para casa cedo. - Quem tem medo compra um cão. - Quem ceia vinho, almoça água. - Encomendas sem dinheiro esquecem no caminho. - Casas comprá-las feitas. - Com homem perdido ninguém se meta. - Duma asneira nasce um cento. - Mondar a chover, dinheiro a perder. - Quem mais perto está do lume, mais depressa se aquece. - Quem diz o que quer, ouve o que não gosta. - Quem mal não usa, mal não cuida. - Quem tem quem o chore, todos os dias morre. - Para mal acompanhado, vale mais andar só...

 

CONT... III ... PROVÉRBIO E DITOS COM MAIS DE CEM ANOS NA TRADIÇÃO ORAL DE PESO... A escova da loja é a mão do caixeiro. - Enriquece quem Deus quer; quem trabalha tem que comer. - Quem tem pão e dinheiro, não lhe falta mancebo. - Quem tem padrinho, não morre mouro. - O futuro a Deus pertence. - O que não tem remédio, remediado está. - Cria fama e deita-te a dormir. - Não deixes o certo pelo duvidoso. - A má hora não ladram cães. - Janeiro fora, uma hora. - Em se dizendo: O cão vai danado todos lhe atiram. - Perdigão perdeu a pena, não há mal que não lhe venha. - O casamento e a mortalha, no céu se talha. - O pó de Maio é que cura as frieiras, - Quem grande cruz faz na massa, grande cruz passa. - Quem mal não usa, mal não cuida. - Tanto come quem tem, como deseja quem não tem. - Árvore ruim, não a queima a geada. - Em tempo de guerra não se limpam armas, - Quem não se contenta com o pouco, não se contenta com muito. - Quem vende fica vendido. - Quem muito se cura, pouco dura. - Conforme somos, assim julgamos. - Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. - A rico não devas e a pobre não prometas. - A brincar é que as coisas se dizem. - Arte e lenha vence a campanha. - De médico, poeta e louco, todos temos um pouco. - Jogo de três, o diabo o fez. - A ovelha despe-se para vestir o dono. - Para quem compra amanhece, para quem vende anoitece. - São pássaros de arribação, tão depressa estão como vão. -Um dado ruim duas mãos suja. - Onde há riqueza tudo é beleza. - O surdo faz falar o mudo. - Quem se queima alhos come...

 

CONT. IV ... PROVÉRBIOS E DITOS COM MAIS DE CEM ANOS NA TRADIÇÃO ORAL DE PESO... Há-de dizer a cota com a perdigota. - Não se poda a vide quando está na parra. - Por onde se peca por ai se paga. - De pequeno verás que filho terás. - Nem dormir com gatos, nem dar passos sem sapatos. - Por falta de um frade não irá a terra o convento. - Quando o ano é de leite até os chibos o dão. - Cada um em sua casa é rei. - Com os santos serás santo. - Chega-te aos bons serás um deles. - O coração não fala mas adivinha. - Vozes de burro não chegam ao céu. - Homem prevenido vale por dois. - Nem tudo ao mar, nem tudo á terra. - Um dia mal passado é. - Para velhaco, velhaco e meio. - Lua de Janeiro não tem parceiro. - Quem se obriga a amar, obriga-se a padecer. - Quem de empreitada deu, que culpa tenho eu. ? . - Quem se deserda antes que morra merece levar uma cachaporra. -. Homem pequenino, ou velhaco ou dançarino. - Homem alto, besta de pau. - Homem morto não fala. - Coisa boa é arroz doce. - Cartas são papéis, e letras são sinais. - Tudo quanto se faz se paga. - Todo o pássaro come trigo, só o pardal fica com a culpa. - De prato á boca se perde a sopa. - Á noite todos os gatos são pardos. - O que faz o ladrão é a ocasião. - a sardinha que o gato leva, guardada vai ela. Ninguém faça mal á espera que lhe venha bem... Recolha feita na Aldeia do Peso no ano de 1950, a pessoas já entradas na idade, isto foi quaser a medo , estavamos em plena ditadura e até as paredes tinham ouvidos, a Pide andava sempre por perto. FIM

 

PROVÉRBIOS E DITOS COM MAIS DE 100 ANOS NA TRADIÇÃO ORAL DO PESO ... Porque entram os cães nas igrejas? - Porque encontram a porta aberta! - Guarda que comer, não guardes que fazer - Guarda o que não presta, acharás o que precisas, - Vale mais deixar a maus, do que pedir a bons. - Ninho feito pêga ,morta.- Quem dá primeiro, dá duas vezes. - Quem a medo morre, a medo lhe fazem a cova. - Quem não tem arte e manha, morre no ar como a aranha. - Quem vai para o mar, avia-se em terra. - Quem parte velho paga novo. - Quem tem de morrer no palheiro não lhe erra a porta. - Quem não se aventurou, não perdeu nem ganhou. - Quem compra um burro e o vende, lá se entende. - Quem se ajusta pelo São Miguel, não sai de casa cada vez que quer. - Quem o sseu não vê, o diabo o leva. - Quem seu inimigo poupa, às mãos lhe vem morrer. - Quem corre de gosto, não cansa. - Quem não poupa réis, não ajunta mil réis. - Quem vai ao mar, perde o lugar. - Quem se deita sem ceia, toda a noite rabeia. - Quem tem fome fala em pão.- Deitar tarde e levantar cedo, cria carne e sebo. - Quem se deita tarde nem sebo nem carne. - O mundo é uma bola, tanto anda como desanda. - Você, é ( de ) estribaria. - Feliz ao jogo, infeliz nos amores. - Guardado está o bocado para quem o ha-de comer. - Coitado de quem morre, quem cá fica logo se governa. - Quem não tem dinheiro faz do cú um candeeiro. FIM

 

PROVÉRBIOS E DITOS COM MAIS DE 100 ANOS NA TRADIÇÃO ORAL DE PESO-COVILHÃ ... Guarda que comer, não guardes que fazer - Pão mole, depressa se engole - Dia de São Tiago, vai á vinha, acharás bago - Caroço de Agosto, dá gosto - Pela manhã é oiro, ao meio dia é prata, e á noite mata, ( a laranja ) - Maio é o mês que canta o cuco. - Primeiro dia de Agosto, primeiro dia de Inverno. - Quem compra e mente. na bolsa o sente - Em Fevereiro, vai acima ao outeiro, se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar - Ele a dar-lhe e a burra a pender - Trindades na aldeia é hora de ceia, - O que não se faz em dia de Santa Maria, faz-se no outro dia. - O que se vê não precisa candeia - O que faz bem ao bófe, faz mal ao fígado. - O mal e o bem á face vem. - Meio dia barriga vazia, panela ao lume, é o nosso costume. - Não há fome que não venha a dar em fartura. - Uns morrem com gafeira, outros com inveja dela. - Águas passadas não moem moinhos. - Hoje por mim, amanhã por ti. - Fevereiro afoga a mãe no ribeiro. - Quem dá o que tem, a pedir ven. - A letra com sangue entra. - A mãe aguçosa faz a filha preguiçosa. - A necessidade é inimiga da virtude. - Ande o frio por onde andar, há-de vir no mês do Natal. - Boa casa. boa brasa- - Faca que não corta, que se perca pouco importa. -Galo pedrez, não o vendas nem o dês. -Nunca sirvas quem serviu, nem peças a quem pediu. ( ... )

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