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Memórias da Aldeia do Peso

Aos nossos amigos e visitantes

Blog direccionado para a recolha de Fotos, Trabalhos, Documentos, Vídeos etc. sobre " O Passado, Presente e Futuro do Peso" . Procuramos dentro do possível, transmitir o que de mais relevante se passa no Peso e ser um elo de ligação entre os residentes e ausentes. Colabora e envia o que tiveres de interesse sobre o Peso e suas Gentes Agradecimentos - Pela colaboração na cedência de fotos e outros trabalhos às seguintes Pessoas : Rui Morão,José Batista Vaz Pereira, Família de José Pereira Santos, Tó Aníbal, José Batista, Família de João Abrantes Ferraz, Família de José Pires Simões, Vicente Olímpio dos Santos, Família de Manuel Afonso Oliveira, Yoann Manuel Pereira, Maria Pires Serralheiro, António Madeira Varandas, Maria Leonor Ferreira Pires Morão, Ramiro Morais Valentim, Francisco Madeira (Lisboa), Família de Carmelina Ferreira Morão, Patrocínia Proença, João Abrantes dos Santos, Joaquim dos Santos, Joaquim Proença Rebelo, José Mateus Casteleiro, Júlio Mendes Silva ( Morador ao pé do Santuário), Elvira Morais, Artur do Santos Pereira (Ourém), Maria Casteleiro, Maria \"Caraia \", Beatriz Pires, João Mateus Casteleiro, Carlos Casteleiro ( França ), Família de José Guilherme, Humberto Morão (Covilhã), Margarida Maria (Covilhã), Belarmino Batista ( Canadá ), Ângelo Agostinho, Margarida Pires, José dos Santos Vaz, Família de João Sardinha ( sacristão), António Mingote, Mariazinha Lobo, António Pinto ( França ), António Proença ( Barreiro), Álvaro Olímpio, Fernando Morais Valentim ( França ), Sofia Bento ( França ), Família de José Alfredo Aleixo, José Honório Rodrigues, Família de Joaquim Abrantes Ferraz, Rui Machado (Pesenses no Brasil ), Rosa "Cortiça" ( França ) .Se eventualmente omitimos alguma pessoa pedimos desculpa pelo facto e agradeço informação. José P. Santos O nosso Email - aldeiadopeso@sapo.pt A nossa recomendação: Qualquer reprodução dos seus conteúdos deve ser sempre feita com referência à sua autoria.

O Antigo Cemitério do Peso e a Pneumónica (ou peste Espanhola)

26.11.16, José P. Santos

Fotos no local do Cemitério antigo

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PESO - COVILHÃ ... ERA UMA VEZ UM CEMITÉRIO ... Os enterros eram feitos na igreja e, quando o ministro Costa Cabral em 1843, saí com a sua portaria, proibindo expressamente os enterros nas igrejas, foi uma medida que não caiu bem no espírito do povo. A ira popular, exacerbada pelas secretas intrigações de alguns padres fanáticos e os adversários políticos. O povo não estava contente e apareceu A Maria da Fonte, com as pistolas na mão, para matar os Cabrais, que eram falsos à nação., a irritação serviu de tema. Nem aos fiéis concedia a santa consolação de repousar á sombra da igreja. Recorde-se que o Padre José Santiago, mandou colocar um soalho novo no topo da igreja na capela mais antiga ( a primeira à direita ) e mandou retirar toda a terra que foi escolhida de ossadas , e muitas moedas também apareceram, as ossadas foram transportadas pelo Ti Manuel Belarmino numa sua carroça puxada por um muar, para o actual cemitério. No começo do século XIX é feito o dito cemitério velho. Tinha apenas uma entrada virada para a rua na direcção da casa do Ti António Guilherme. Era um portão de ferro acima da rua um metro. Era forrada até ao meio de chapa de lata e até ao topo grade de ferro por cima tinha meia lua em ferro e no topo uma cruz e penso a data. Só as colunas do portão eram de granito os restantes muros eram de pedra xistosa ser serem caiadas ( em bruto e só com barro ). Tinha mais ou menos no meio um pequeno muro e no centro três degraus, o restante era plano e de terra batida, nada havia que identificasse as sepulturas algumas vezes a garotada ia para lá brincar, era uma tristeza ver tanto abandono, quando as silvas cobriram tudo por completo.

 

Foi-me dito mais que uma vez pelo Ti Filipe Saraiva um homem muito credível e de um grande carácter aquando em 1917, com a peste da Pneumónica ( ou peste espanhola ), foram abertas valas comuns no cemitério do Peso, e houve famílias inteiras que morreram, era só enrolá-los em lençóis e metê-los na vala ( a doença era muito transmissível ). O cemitério encheu e ficou saturado. Foi quando tiveram que resolver com urgência, fazer o actual para Peso e Vales.. Aquando da demolição do cemitério velho, foi toda a terra mexida escolhida e passada a crivo, separaram ossadas ( apareceram dezenas de moedas antigas de Reis ) e apareceu um molde em chumbo suponha-se serem os restos mortais de alguém. Foi quando apareceu o Ti Manuel Ribeirinho, feitor da casa agrícola de D. Maria do Carmo, que era do Morgado seu pai, mandaram lavar o molde compraram uma urna em madeira e lá foi metido o chumbo com os restos mortais, recorde-se, que teve funeral com bandeiras das Almas e outras, padre carreta e ainda um grande acompanhamento, a D. Maria do Carmo mandou dar às pessoas feijões, azeite e outros produtos. Dizia-se que O Fidalgo tinha sido preparado em urna especial para ir para o jazigo de Família para o cemitério que estava a ser construído, mas Havia muito atraso na feitura do cemitério e do Jazigo, pediram autorização à igreja para ficar em depósito lá, mas o pedido foi negado., separadas as ossadas, foram levadas por mulheres em caixas da sardinha para o cemitério actual. Foram demolidos os muros e apenas fizeram uma entrada para a estrada camarária, o resto do espaço foi cheio de árvores ( plátanos ), Até o Ti António Casteleira ( Carrega ) quis ajudar e mandou colocar um painel de azulejos com o Santo António. Quanto às moedas lá aparecidas foi pena não terem sido guardadas e colocadas no Museu do Peso.

 

Quanto a haver corpos incorruptos, não queiram inventar ( ... ) Num dos meus passeios pela RDP Antena 1, à Bonita Cidade de Bragança e Vinhais o Senhor Presidente da Câmara Levou-nos a mim e minha mulher a visitar um cemitério para " Aquele José Jorge ". Quando vi a legenda: Aqui Jaz José Jorge, foi sentenciado à morte em 3 de Abril de 1843 ". Eu disse-lhe então Senhor Presidente isto é intrigante este homem foi morto Há tanto tempo e tem letras pintadas de fresco e a campa tão bem cuidada. Quando ele me disse: Dizem que um amigo lhe pediu a farda ( ele era soldado ), sem dizer para quê, mais tarde apareceu uma rapariga morta e toda aquela gente começou a dizer quem a tinha morto foi o soldado José Jorge. Porque a farda tinha ficado suja de sangue. O José Jorge foi enforcado, e depois de enterrado naquele sítio. Aqui há anos queriam utilizar a campa, mas deram com o corpo em perfeito estado, tornaram a tapar. E quem lhe pinta aquelas letras tão bem feitas? É o coveiro. FIM

 

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

Fotos de Rui Morão

22.11.16, José P. Santos

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Esta mulher foi em vida a Ti Ana ( Malata ) , tinha três filhos o João, Firmino e Maria - o marido ( era negociante de trapos ) e morava num beco que dava para o chão do ribeiro, junto à casa do Ti José Peixoto.

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Ti João Pereira ( almocreve ) pai da Fernanda, Maria José (mulher do João Sacristão), Manuel e  Belarmina.

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Ti Ana Malata

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A Matança do Porco

19.11.16, José P. Santos

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MEMÓRIAS DO PESO-COVILHÃ, NAS DÉCADAS 40-50-60 DO SÉCULO PASSADO... BREVE RESENHA COMO ERA A MATANÇA DO PORCO.... Eu fui um conhecedor desta arte, Por norma era a partir do dia 1 de Novembro até Janeiro ou Fevereiro, se dava esta festa familiar , em que o modo de viver rural se manifestava, além de constituir a operação mais importante para a economia doméstica de todo o ano... Em princípio, matava-se o porco logo pelo inicio da manhã ( havia figos secos, nozes, com aguardente de bagaço, para o mata bicho ). Os homens, agarravam o animal à força de pulso. O matador atava o focinho do animal com um fio, para não morder, manejava a faca ( sangadeira ) enterrava-a do pescoço ao coração do animal. Quando o animal sangra bem e morre depressa , logo que o sangue começar a saltar, uma mulher apara-o para um alguidar de barro vidrado , aonde já tinha colocado uma mão cheia de sal marinho, uma laranja e uma colher grande de pau, para ir mexendo e evitar que o sangue coalhe.

 

2 ... Depois de bem sangrado, o local da facada é cozido com uma agulha e linha pelo matador e seguia-se a operação de chamuscar o p~elo com palha ou carqueja. Procedia-se à lavagem do animal, para o que são trazidos caldeiros e jarros de água quente, sendo usadas pedras ou pedaços de telhas de barro, para roçar o couro cabeludo e ficar bem limpo. A seguir era minimamente rapado com navalhas. É, depois, dependurado no chambaril pelas patas de trás, aonde o matador faz golpes certeiros, e puxa os tendões dos nervos. Nesta posição, é aberto para extracção das tripas e cortado ( o seventre , pois trata-se de carne entremeada de gordura que fica por baixo do ventre ), que vai logo para a cozinha para ser cozinhada . Também era logo tirada a moraleja que era cozida e comida acompanhada do vinho da casa. A seguir seguia a ferssura que é constituída pelo fígado, bófe e coração. As tripas, apanhadas num tabuleiro, são de imediato, enquanto estão quentes, apartadas de gorduras e depois transportadas para o nosso Rio Zêzere... Rio Zêzere meu amigo/ que entre os teus salgueirais,/ Vou lembrar-te meu Amigo/ lavando tripas, nunca mais !

 

3 ... geralmente, as mulheres as lavavam com o auxilio de giestas e cascas de laranjas. Em casa, depois de passadas por água, são viradas e colocadas de molho com cascas de laranja. O porco fica dependurado a enxugar e será desmanchado no dia seguinte. Com todas estas operações chegava a hora do almoço, refeição especial de dia de matança, que começava pelo caldo de grão de bico, couves e massa ( macarrão ), logo a seguir arroz do osso da cevã, íigado guisado com seventre, enchidos do ano anterior, o seventree bem cozido, queijo da serra, pão caseiro, azeitonas com vinho à descrição, e algum pão leve, e ainda o arroz doce tradicional. Uma vez desmanchado o porco, vai para a salgadeira: Os presuntos traseiros, as patas a cabeça, os ossos, o toucinho com febra e algum bocado do seventre. As febras com poucas gorduras, migavam-se para as chouriças, as outras gorduras iam para as farinheiras e as morcelas. Nestas tarefas de preparar os enchidos muitas vezes eu e a minha Fernanda ajudava-mos a minha mãe a Ti Ana Batista , com uma enchedeira tipo um funil mais largo, havia sempre entreajuda de outras pessoas. de família.

 

A tripa, de perferencia do porco, devia ficar bem cheia e a carne apertada, sem ar de tal modo que depois de seca, fique bem compacta. Para tal modo que depois de seca, ., era necessário por vezes, picar a tripa com uma agulha ( de cozer com agulha enfiada na linha para não se perder ) e para se tirar o ar. Depois de bem cheia, a tripa é atada na outra extremidade, operação dedicada que por norma era feita pela dona da casa..as chouriças eram lavadas em água, bem limpas e colocadas no fumeiro ( armação de madeira por cima do lume da lareira ), aonde permaneciam algumas semanas. Note-se o cuidado que devia haver a quem se sentasse debaixo. Dizia-se que pingo que caísse no cabelo era pelada pela certa. Estando já secas as chouriças, algumas eram para ir assando as ouras eram metidas em azeite, para governo do ano.. Fazer as farinheiras , migava-se as carnes brancas e gordas ( incluindo as banhas ) e cozem-se. Como temperos, usavam-se os cominhos, orégão, alho, colorau, sal etc. Uma vez já no fumeiro a secar se aparecer alguma bolha é necessário picar para que não se estrague. Recorde-se que nesse tempo não havia frigoríficos nem gelo só o que aparecia quando caia a neve... era tudo à base do sal marinho. FIM

 

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

O Compasso ou visita Pascal na Aldeia do Peso – Covilhã

18.11.16, José P. Santos

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MEMÓRIAS DO PESO COVILHÃ - NAS DÉCADAS DE 40-50-60- DO SÉCULO PASSADO... O COMPASSO OU VISITA PASCAL ...No sábado por volta das 10 horas, era costume de os paroquianos serem avisados, pelo toque dos sinos da igreja sempre a tocar. Daí se formarem grupos de pessoas pelas ruas com cânticos alusivos à Ressurreição... E cheias de giestas,/ na rua o povo já diz,/ Boas Festas! Boas Festas/ / e uma Páscoa Feliz... Aleluia! Aleluia! / há cheiro a rosmaninho,/ Numa aragem de ventura/ as aves deixam seu ninho.. No domingo de Páscoa ( e por vezes, nos dias seguintes ), o padre de sobrepeliz e estola, procedido de seus acompanhantes, de opa e transportando o crucifixo,, a campainha e a caldeirinha da água benta, levavam a casa dos paroquianos a " boa nova " e a bensão pascal.

Recorde-se, a visita Pascal era constituída de Padre e acompanhada : respectivamente, Padre José Santiago, Com o Crucifixo, Ti Bonifácio, Caldeirinha da água benta Luis Bonifácio, Campainha ( menino do coro ) Tó Custódio...As pessoas da família, amigos e vizinhos reuniam-se então de joelhos na sala principal, onde o padre lhes dava a cruz a beijar... As ruas e as entradas das casas apresentavam-se enfeitadas com verdura e atapetadas de giestas e rosmaninho. E já se ouve a campainha/ perto já vem o Senhor,/ Em vibração cristalina/ caminha o bom do Prior... Escolhia-se a melhor mesa da sala, que se cobria com uma toalha de renda ou bordada, quase sempre com motivos religiosos. Sobre a mesa colocava-se uma jarra de flores, juntamente com as ofertas destinadas ao prior.

Numa outra mesa, enfeitada com ovos decorados, " preparada para um pequeno brinde " encontrava-se " o folar do padre ", que consistia num donativo em dinheiro, colocado numa taça ou prato... Vem de púrpura vestido/ lindo menino do coro,/ Trás em suas mãos erguido/ Jesus relíquia de ouro. A finalizar o rito do compasso, era servido aos portadores da Cruz um vinho do porto, acompanhado de doces e biscoitos... e a casa fica benzida/ com a vinda do Senhor,/ E a água benta espargida/ como o orvalho na flor... No Peso até há pouco tempo, na mesa era colocado, pão, de ló ( pão leve ), os bolinhos e licores caseiros. Ficavam sempre mais tempo os familiares e amigos próximos, dispunham de tremoços, figos secos, filhós ( sem abóbora , só das nossas ) e o tradicional bolo de leite ( feito com farinha, leite, ovos e mel ).

a visita Pascal, era feita na freguesia sempre ao domingo, Vales, Pesinho ( anexas ) era há segunda feira. .. Assim vai de casa em casa/ e de caminho em caminho,/ Lume de quem não tem brasa/ conforto dos sem carinho. -Em vez do folar tirar/ tantas vezes, o bom prior,/ Com amor o vai levar/ aos pobrezinhos do Senhor. ..Na tradição do Peso da Covilhã. O folar representava, simbolicamente, o presente dos padrinhos aos afilhados, impondo-se, como preceito, irem estes recebê-lo a casa daqueles no domingo de Páscoa ( ir pedir o bolo ) . Praxe precedida pela oferta de um ramo de flores ( ou amêndoas ) dos afilhados aos padrinhos no domingo de Ramos. O parentesco cerimonial entre padrinhos e afilhados, hoje menos relevante, assumia, ainda assim, aspectos de protecção familiar, originando que famílias com menos posses assegurassem bons padrinhos para os seus filhos. FIM

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

Fotos

Rui Morão

Outras autores desconhecidos

Vídeo

JPS

Centro Social Comunitário do Peso

18.11.16, José P. Santos

Facebook do Centro Social 

Site do Centro Social 

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Quem Somos

Com uma longa história, muitas conquistas e importantes sucessos, o Centro Social Comunitário do Peso é hoje uma IPSS com uma reconhecida imagem de excelência, detendo competências em inúmeros serviços. O ano transato assinalou um marco importante no crescimento da nossa Instituição, com o início dos serviços da Residência Sénior do Peso, em dezembro de 2014. Esta nova valência exige de todos os órgãos sociais, colaboradores e utentes um maior esforço coletivo, racionalização e criatividade, apostando em novos caminhos de intervenção e promovendo a criação de serviços inovadores.

A Direção tem como meta a melhoria da qualidade de vida da população, fomentando o desenvolvimento sustentado desta Instituição e o progresso socioeconómico ao nível local e concelhio. Com a nossa equipa multidisciplinar, desenvolvemos respostas sociais inovadoras, apostando na prestação de serviços qualificados e humanizados, tendo como objetivo a contínua satisfação dos nossos utentes e da comunidade envolvente.

A Direção orgulha-se em ser uma Instituição de referência e excelência, reconhecida como uma IPSS pioneira na implementação de políticas e práticas no âmbito da solidariedade e de uma gestão e funcionamento exemplares. Em linha com os nossos principais desafios e compromissos, a Direção confia na continuação de uma estratégia de crescimento local sustentada, mantendo as pessoas no centro dos nossos valores.

Rui Amaro, Presidente da Direção

Residência Sénior

A Residência Sénior do Peso vai iniciar os seus serviços. Espaço criado a pensar nas pessoas idosas, de forma a poder satisfazer as necessidades dos utentes, com um atendimento de forma individualizada e especializada, garantindo ao cliente o seu bem-estar e qualidade de vida. Constituída por uma Equipa Multidisciplinar:

  • Direção do Centro S. C. Peso
  • Diretora Técnica Licenciada em Sociologia
  • Médico
  • Enfermeiro
  • Técnico Superior de Animação Sociocultural
  • Fisioterapeuta
  • Analista / Semanalmente

Temos uma equipa de profissionais ao seu dispor, contacte-nos!

Continuamos a apostar na qualidade dos restantes serviços: Centro de Dia e Apoio Domiciliário. Temos como missão satisfazer as necessidades de cada ser humano, com a máxima qualidade. Venha conhecer-nos...!

Apoio Domiciliário

Consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a idosos, quando, por motivos de doença, ou outros impedimentos, não possam assegurar, temporária ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ ou atividades da vida diária.

Na valência de Apoio Domiciliário, são fornecidas diariamente aos utentes as refeições de pequeno-almoço, almoço, lanche ajantarado e quando solicitado, são servidos pequenos lanches, entre as refeições.

Os utentes são transportados para a instituição afim de beneficiarem de cuidados médicos. Em qualquer eventualidade, o médico está disponível através de contacto telefónico.

É ainda assegurada a aquisição de receitas e medicação, no prazo máximo de 12 horas, através de um protocolo informal estabelecido com a Farmácia do Rio, no Peso, sendo a medicação distribuída diariamente no horário definido em prescrição médica.

A nível de cuidados de saúde o acompanhamento a consultas, a realização de exames ou ao serviço de urgência, é totalmente assegurado aos utentes.

Na valência de Apoio Domiciliário os utentes são visitados pelo menos 3 vezes por dia pela equipa de SAD (Serviço de Apoio Domiciliário), que para além da entrega das refeições, verifica se os utentes necessitam de alguns cuidados, providenciando o seu bem-estar.

Os utentes em serviço de apoio domiciliário são sempre informados por altura da realização dos processos individuais que, caso o entendam, podem requisitar os serviços de tratamento de roupas, higiene habitacional.

A resposta social de Apoio Domiciliário propõe-se, diariamente, promover a autonomia dos nossos Clientes / Utentes e a conservação da sua individualidade, que a residência de cada um consegue sustentar, mantendo sempre a qualidade de vida

Projecto SOS Idoso

Mais um serviço direcionado para a qualidade dos serviços prestados pelo Centro Social Comunitário do Peso. É um sistema que tem como objetivo aumentar a segurança dos idosos.

O aparelho possui um sensor que aciona automaticamente uma mensagem e uma chamada telefónica para um número predefinido se o idoso sofrer uma queda.

Para além disso, em caso de perigo iminente, tem um pequeno botão SOS, na parte central do dispositivo, que o utente pode utilizar caso necessite de auxílio. Ao tocar-lhe, fará imediatamente uma chamada e enviará ao mesmo tempo uma mensagem.

Trabalhamos com objetivo da satisfação e garantir ao cliente o seu bem-estar.

Venha conhecer o nosso novo Projeto SOS!

Cantina Social

O Centro Social Comunitário do Peso, IPSS, tem em funcionamento, desde Junho de 2012, o serviço de Cantina Social.

Este serviço foi criado no âmbito de um Protocolo assinado pelo Centro Social Comunitário do Peso, IPSS e o Instituto de Segurança Social de Castelo Branco, visando apoiar os indivíduos/famílias mais carenciadas.

Actualmente, prestamos um apoio direto na União de Freguesias do Peso e Vales do Rio, perfazendo um total de 32 refeições diárias, com uma tendência de crescimento.

Foram ainda estabelecidos novos protocolos com IPSS das freguesias do Dominguiso, Casegas e ainda com o Centro Paroquial do Paul para a distribuição de mais 20 refeições por dia.

Centro de Dia

O Centro de Dia é uma Resposta Social, desenvolvida em equipamento, que consiste na prestação de serviços que contribuem para a manutenção das pessoas no seu meio habitual de vida, visando a promoção da autonomia e a prevenção de situações de dependência ou o seu agravamento. Contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e famílias, prestar cuidados individualizados e personalizados ao nível da satisfação das necessidades básicas e apoio psico-social aos utentes, de modo a contribuir para o seu equilíbrio e bem-estar. Fomentar as relações interpessoais com os outros grupos etários, a fim de evitar o isolamento e facilitar a aquisição de novos conhecimentos que respeitem as preferências e gostos pessoais dos idosos.

Na valência de Centro de Dia, são fornecidas, diariamente aos utentes, as refeições de pequeno-almoço, almoço, lanche ajantarado e quando solicitado, são servidos pequenos lanches, entre as refeições.

Os utentes beneficiam de cuidados médicos quinzenalmente na Instituição, através do serviço de um médico especializado. Em qualquer eventualidade, o médico está disponível através de contacto telefónico.

É ainda assegurada a aquisição de receitas e medicação, no prazo máximo de 12 horas, através de um protocolo informal estabelecido com a Farmácia do Rio, no Peso, sendo a medicação distribuída diariamente no horário definido em prescrição médica.

A nível de cuidados de saúde o acompanhamento a consultas, a realização de exames ou ao serviço de urgência, é totalmente assegurado aos utentes.

São proporcionadas actividades socioculturais, acompanhamento aos serviços de saúde, e o transporte no percurso domicílio – centro de dia.

Aos utentes em Centro de Dia é possível proporcionar tratamento de roupas e higiene pessoal assistida ou não e higiene habitacional, caso necessitem e requisitem o serviço.

Esta resposta visa satisfazer as necessidades dos utentes no seio do grupo de Clientes, combatendo a exclusão e o isolamento social.

Notícias

Novo serviço na Residência Sénior Peso

 

Chamadas em vídeo-conferência é uma forma de comunicação interactiva entre dois ou mais participantes separados fisicamente, através da transmissão sincronizada de áudio, dados e vídeo em tempo real para os nossos utentes. Mais um serviço ao dispor da nossa comunidade, trabalhamos todos os dias para o bem estar dos nossos utentes.

Temos como lema o bem estar dos nossos utentes.

Contactos

Rua de Santa Maria Madalena, nº10

6200-622 Peso, Portugal

 

 

EM JEITO DE HOMENAGEM...Aos Dramaturgos o Ti António Morais e Ti António Pires.

17.11.16, José P. Santos

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O TEATRO POPULAR NAS DÉCADAS DE 40-50-60 DO SÉCULO PASSADO EM PESO COVILHÃ... EM JEITO DE HOMENAGEM...Aos Dramaturgos o Ti António Morais e Ti António Pires... - Foi num determinado ano, após terminar a Festa de Nossa Senhora de La Salette, de noite no Salão Paroquial do Peso,havia r teatro, foi criado um elenco de Luxo, para representar o Romance As Pupilas do Senhor Reitor ( de Júlio Dinis ) Reitor o Ti José dos Santos, José das Dornas o Ti Manuel dos Santos... vizinhos/as O Ti Alfredo Aleixo a Ti Carmina e a Ti Maria do Custódio. de Pedro o João Sardinha ( sacristão ) de Daniel José Paulo dos Santos ( militar ) Margarida: A Rosa sardinha, de Clara: a Maria Paulo. Começou o Teatro por volta das 21 horas, no banco da frente estava o João Belarmino casado recentemente, com a já mulher Lourdes e a sogra que veio de propósito do Ourondo para assistir e ainda a nossa generála de serviço a Profª Blandina... O Salão estava mais que cheio, havia muita gente de pé portas abertas. ...

ao adro da igreja aonde se encontrava grande número de pessoas. Vinha muita gente da Coutada, , Barco, Pesinho, e Vales.Apareceu a cantar a Margarida Marques de Almeida, e toda a gente em coro cantaram: Margarida vai á fonte/ vai encher a cantarinha,/ Brotam lírios pelo monte/ vai sozinha para a fonte,/ vai à fonte e vem sozinha. Logo ao terminar começou o Ti José dos Santos a declamar: Andava a a pobre cabreira/ o seu rebanho a guardar,/ Desde que rompia o dia/ até a noite chegar ( ... ) O Salão parecia ir abaixo com tantas palmas e toda a gente de pé. Logo apareceu o José Paulo dos santos: Menina, morena/ dos olhos castanhos?/ Encantos tamanhos/ não vi nunca assim ( ... ) Aparece a Esperança Alves: De pequenina nos montes/ não tivera outro brincar,/ nas canseiras do trabalho/ seus dias vira passar. De acordo com a expectativa o João Sardinha ( Sacristão ) levando muitas palmas antes de começar, foi dizendo: Esta é a filha roubada/ numa noite de luar,/ Andou sete anos no monte,/ quem nasceu para reinar ( ... ) Já estava preparado

um grupo com doze jovens entre os dez anos e os quinze, rapazes e raparigas à frente ia eu e a Maria Rosa Proença... aqui foi o máximo: nós todos/as a cantar São tão bonitas as carvoeiras/ são tão catitas as feiticeiras,/ mas que belo rancho,/ de menor idade/ viva, as raparigas/ viva a mocidade ( ... )Mocidade, mocidade/ cada um lá tem a sua,/ Se não fosse a mocidade/ a vender carvão na rua... Toda a gente de pé batendo palmas e a cantar , A Igreja nesse tempo teve dois priores o Padre José Santiago e o Padre António Pereira. O Património da Igreja era muito rico tinha um bom " Passal ", colhia muita azeitona e tinha várias propriedades. Os Dramaturgos António Morais e António Pires nunca receberam um centavo, era só por carolice e quando faziam era por paixão, eram conhecidos a nível nacional, se fosse hoje já estariam ao serviço do Lá-Féria.. Todo o dinheiro das receitas era logo recolhido pelos membros da Fábrica da Igreja.. Penso que a estes Homens o Peso tem uma dívida para com eles, se fossem alguns " brasonados da política " já tinham o nome gravado num pontão do Ribeiro do Braçal.

Mas há mais, ouvi algumas vezes aos meus vizinhos; o Ti João dos santos e seus filhos, Joaquim, José e António, algumas vezes já noite alta... O Canto das Almas... - Recordai nobres senhores/ desse sono tão profundo,/ Ouvindo os nossos clamores/ das almas do outro mundo. ( ... ) Esta gente era pura, mesmo vivendo com muitas dificuldades. Quando se verificava uma situação de crise ( efeitos da 2ª Guerra Mundial ) as famílias se endividavam, muitas vezes para não deixarem morrer os filhos à fome, o grau de escolaridade era fraco alguns dos filhos dedicavam-se na pastorícia. E ainda com um excesso de burocracia com os donos dos terrenos, que davam o amanho ao terço... ou seja três para o dono... e um terço para quem amanhava a terra... . esta gente até era utilizada, apenas pela sua religiosidade, e inspiração pessoal.. Meu Grito de Poeta... A Magia de escrever verdades! FIM.

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

Breve História do Barco Peso / Pesinho

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NO PESO HAVIA UM BARCO QUE ESPERAVA BARQUEIROS NAS DÉCADAS DE 40-50-60- DO SÉCULO PASSADO... Cada viagem é sempre a primeira, e alguma terá de ser a derradeira. -Vão longe os anos em que as disputas para concessão do barco, que ligava a margem direita do Rio Zêzere com a esquerda ou seja (...) Peso-Pesinho. A proprietária era a Paróquia de Santa Maria Madalena, com uma comissão da Fabriqueira da Igreja Paroquial da Freguesia de Peso que era a entidade que fazia o contrato de exploração pelo período de 5 anos, renováveis. A comissão era composta: Ti Manuel Francisco dos Santos, Ti José Francisco dos Santos, Ti António Morais e Ti Joaquim ( Morára ), Homens de grande honradez e muito estimados por toda a gente....Recordo-me de ter visto o Padre José Santiago paramentado, ostentando a caldeira da água benta e o hissope ( haste de metal ) com o qual espergiu o barco ( segundo a crença popular, esta bensão tem o condão de proteger ) algum acidente.

Tendo o rio a sua influência como traço de união entre dois povos Peso-Pesinho, havia um barco de madeira, que premetia o transporte de pessoas e animais entre as duas margens. O barco era de grande dimensão, feito de madeiras de choupo,pinho, por carpinteiros especializados... Os primeiros barqueiros foram o Ti António Pereira ajudado pelo seu filho Joaquim, o Ti Zé Augusto, ajudado pelo seu filho José. O contrato era válido por cinco anos sempre renovável que durou até ao ano de 1955. Após esta data apareceu um homem da Freguesia de São Simão do Barco, que tinha casado no Peso. e sendo ele barqueiro , juntamente com o Ti José Grancho, formou-se os novos barqueiros o Ti Zé ( Cortiça ) e o Ti Zé Grancho, não sei quanto tempo durou...A travessia do rio era muito perigosa e durante as grandes cheias em que algumas vezes chegou ao chafariz do Pesinho e junto á oficina do Ti António Guilherme. Os barqueiros para manejar o barco usavam grandes varas de eucalipto afiadas nas pontas e certos , dias eram obrigados a usar remos de madeira para vencerem a força da corrente.

Havia dias já a altas horas da noite e no silêncio, se ouvia gritar da margem esquerda " Ó barqueiros.ros.ros, barqueiros ros,ros " e sempre estes Homens lá iam , para salvar os atrasados de uma noite de frio... Quando chegava o começo da primavera, eram colocadas umas frágeis tábuas a servir de ponte, apenas seguras com arames e se a chuva vazia aparição, lá iam as tábuas rio abaixo... Recorde-se que havia um barco em Alcaria, para fazer a travessia " Alcaria-Dominguiso Foi. aqui que se deu o maior desastre conhecido no Rio Zêzere, onde morreram duas jovens dos Vales, quando regressavam a casa depois do trabalho, os barqueiros de Alcaria não tendo condições ao embater o barco num troco de salgueiro, que estava submerso perderam o contrôle e o barco virou-se levando as jovens na corrente arrastadas, foram momentos de muita angústia e tristezas não só nas famílias, mas em toda a população de Peso,Pesinho e Vales, e toda a gente, numa grande dor, se meteu nas buscas para encontrar as jovens de 16 anos e assim perderam uma vida cheia de sonhos.

Uma das raparigas veio a aparecer cinco dias depois no sítio da Póvoa em frente à Coutada, mas já em território do Concelho do Fundão, a outra só passados doze dias junto à Aldeia de São Francisco de Assis presa no rio em salgueiros, Voltando ao pagamento da passagem no barco Peso-Pesinho, por cada passageiro cobrava-se 1$oo ( um escudo ) se fosse macho ou burro, cavalo 1$50 ( um escudo e cinquenta centavos ) , uma junta de bois 2$50 ( dois escudos e cinquenta centavos, mas havia uma avença anual conforme era o agregado familiar de um alqueire de milho ou nalguns casos dois alqueires, mas no caso da quinta do Penedo da Ti Rosário Carrega ( José e o António Casteleira ) pagavam três alqueires por terem juntas de bois e o rebanho de cabras e ovelhas e uma linda Égua e Cavalos. Com a ponte tudo mudou para melhor, foi terminada essa fronteira, que separou dois povos amigos, durante décadas, pela força do poder, aquando se fez uma ponte no Barco, só para servir propriedades do grande proprietário Franco Frazão , ficando esta ao serviço dos coelhos da Argemela por uma estrada serpenteada de curvas, quando havia a ponte Peso-Pesinho bem mais perto do Fundão. FIM

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

Festas do Povo do Peso a S. João Baptista em 1948

11.11.16, José P. Santos

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NO PESO-COVILHÃ, AS MAIORES FESTAS DO POVO A SÃO JOÃO BAPTISTA, FORAM NO ANO DE 1948... Era impossível ficar em casa, os festejos foram organizados pelo Sr. Manuel Gil ( Escrivão Judicial, na reforma ) Sr. José Pereira ( Policia aposentado ) e o Sr. João Luís de Sousa, ( genro da D. Maria do Carmo, a maior proprietária no Peso )...Vieram forasteiros dos Vales,, Pesinho, Coutada, e ainda um amigo trazia consigo um outro amigo mais. Da noite de 23 para 24 de Junho vieram contratados dois Gaiteiros , tocadores de gaita de foles, vindos de Trás-os-Montes, e sempre animando o arraial. Havia fraternidade e muita alegria entre os locais e os forasteiros. A seguir foram lançados, dois grandes balões de ar quente, feitos , de propósito, pelo nosso conterrâneo, o Ti Joaquim Madeira, um grande Mestre, nesta arte. Havia vários divertimentos, o maior ritual era uma grande fogueira, sempre acesa. E lá de vez em quando ... aparecia um aventureiro para saltar.... O Mastro. ( ou queima do pinheiro de São João ), era ornamentado com palha e diversos matos não faltando o rosmaninho , e no cimo do pinheiro era colocado um cântaro de barro, com um gato lá dentro, e muito bem fechado. Lançado o fogo ao mastro , até ao ponto de ficar tudo ardido , o cântaro caia no chão e partido-se, de lá saía o pobre animal, em corrida, atrás dele a garotada, numa grande algazarra ( confesso que não gostei de ver o gato sofrer ) cont.

Continuação... Sempre com a presença divertida dos gaiteiros , que para muita gente do Peso era uma novidade. Também havia um pinheiro bem raspado e limpo de cascas, mas, também muito untado com sebo ( de borrego ) para se tornar escorregadio, e no cimo era colocado um enorme Bacalhau, que seria o prémio a quem consegui-se lá chegar. Por entre louca alegria/ o entusiasmo, a devoção,/ que a magnitude do dia/ para louvar-nos o São João ...Durante o período festivo, assistiu-se a actividades diversas, um grande baile, e alguém se lembrou de levar fogareiros, com carvão a arder e se ia assando a boa sardinha que se dizia e diz ainda, pelo São João pinga no pão.. Tudo se passava ao ar livre em frente à Escola Masculina do Peso, num grande espaço verde da Nossa Igreja de Santa Maria Madalena..- Havia várias crenças associadas ao culto de São João ... No mês de Junho que corre/ nasceu no céu uma flor,/ Era São João Baptista/ primo de Nosso Senhor.. As pessoas acreditavam, que no dia de São João, toda a água é santa. No período entre a meia noite e o romper do dia ( sempre antes de nascer o sol ) formavam-se grupos de sete pessoas, para visitar a Fonte da Canada, levando flores, e para beber da água virtuosa e, lavar nela os olhos ( ou a cara ) e pentear o cabelo... São João pediu à tia/ que não o adormecesse,/ Pois queria ver o dia/ mais o sol quando nascesse. FIM

O Poeta José Batista Vaz Pereira

As Raizes e Trabalhos do nosso amigo José Batista Vaz Pereira

11.11.16, José P. Santos

Dedicado ao trabalho do Poeta José Batista Vaz Pereira, nasceu no Peso em 17 de Setembro de 1935, a sua obra dedicada ao Peso, merece este destaque no nosso Blog.

clique na imagem abaixo e veja parte da sua grande obra sobre o Peso.

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 NA TRADIÇÃO ORAL DO PESO-COVILHÃ EM 1950 ... A Raposa e a Cegonha... - Uma raposa, ouvindo dizer que as cegonhas eram muito espertas, resolveu enganar a primeira que encontrasse. A raposa, ao passar na Ribeira do Paul , viu que estava ali uma cegonha, dirigiu-se a ela e disse: Salve -a Deus, comadre cegonha! mesmo à sua procura andava eu... Então para quê? Porque no dia 6 de Janeiro faço anos, e quero que vocemecê, vá lá ao jantar. - Sim senhora comadre raposa, lá estarei... não falte. No dia combinado, a cegonha, foi a casa da raposa, e quando lá chegou estava a tirar umas papas de carôlo do lume, estavam a arrefecer. Logo que arrefeceram deitou-as a raposa numa laje e disse à cegonha, venha para a mesa que estão muito boas. A cegonha só batia com o bico e pouco comia, enquanto a raposa lambia tudo. A cegonha viu-se que tinha sido enganada. Volta-se para a raposa e diz-lhe; Ó Comadre eu no dia 20 de Janeiro também faço anos, e gostaria que lá fosse ao jantar,, já comprei um lindo borrego, ela ficou contente e disse que sim. A raposa não faltou, mas a cegonha em vez de deitar a carne do borrego num prato, desfez-a toda, e meteu-a numa amentolia,( onde guardava o azeite ) a cegonha com o bico comeu, comeu, a raposa zero, ficou em jejum.. A raposa como tinha ficado sem jantar, disse à cegonha que em Penamacor ia haver uma grande festa e nada lá faltava de comer. A cegonha disse-lhe vou levar-te nas minhas asas e assim, vamos mais depressa. já no ar, a cegonha ao ver uma rocha na serra, disse comadre mude-se que já vou cansada, a raposa ao tentar mudar-se caí, e ainda no ar, reparou no rochedo e grita... Foge rocha, que te parto
!... FIM

 

PROVÉRBIOS E DITOS 1950 ... Se queres ver mal a Portugal, dá-lhe três cheias antes do Natal. Janeiro, geadeiro, afogou a mãe no ribeiro. - Em Fevereiro, febras de frio e não de linho. - Março, marçagão, pela manhã focinho de cão e à tarde um bom borregão. - Em Março começando a dar ao rabo, - não fica ovelha em outeiro, nem borrego em descampado, nem pastor empelicado. - Em não chovendo pelo São Mateus, faz conta com as ovelhas, que os borregos não são teus. - Guarda que comer, não guardes que fazer. - Quinta-feira de Ascensão, coalha a amêndoa e o pinhão, mósca o burro e o boi não. - Ano de amêndoas, ano de prendas. - Se queres bons cães de caça, busca-lhe a raça. - Fezes com pão, passageiras são. - Há sol que rega e água que seca. - Em cima de leite, nada lhe deite. Osga que pica, mortalha aviada. - Maio, é o mês que canta o cuco. - A como vendes os capachos? Conforme os parvos que acho. - Caroço de Agosto, dá gosto. - Pé de galinha não mata pinto. - Galinha gorda a pastores ... choca vai ela! - Se é para bem, aguente, se é para mal, arrebente! - Se desta vos espantais, aguardai, que lá vem mais!

RIMAS POPULARES COM MAIS DE 100 ANOS ... Como tudo isto é saudoso: Bons tempos ! bons tempos ! E não voltam mais. - Licença peço menina,/ licença vos peço inteira,/ Para colher uma rosa/ dessa tão fresca roseira. - A licença, eu vos dou/ mais a Senhora da Guia;/ Dizei-me senhor mancebo,/ veio por alguma via. - A via porque aqui venho/ eu lhe digo na verdade;/ Venho para passar o tempo/ que é coisa da mocidade. - Se é coisa da mocidade,/ é de amor ou bem querer Sabe cantar ou tocar?/ sabe ler ou escrever?/. - Escola, só é que tenho,/ nela irá aprender;/ - Não tem senso nem memória/ para nela saber ler. - Eu cuidei, minha menina,/ que vós me quereis mais./ Muito vos quero mancebo/ mas é bom que já marchais. - Tenho-vos querido imenso,/ com alma e do coração,/ Mas a rosa que aqui está/ não lhe haveis de por a mão. - Se lhe não por a mão/ não hei-de viver convosco;/ Mas hei-de estar à vista/ menina, tenha bom gosto!/ - Se tendes esse bom gosto,/ desgostai, por vida nossa;/ Esta rosa que aqui está/ é doutro, e não é vossa. - Se é doutro, que não é minha,/ talvez não tenha de o ser./ Menina diga a seus pais/ que a mandem receber . Isto é que eu lhe direi;/ era razão escusada Menina de quinze anos/ não sabe governar casa. - ( por vezes era cantado ao desafio ) e ainda: De noite batem à porta;/ ó filha, vai ver quem é ! / Se for o teu amor primeiro,/ vai aquecer o café. -Vai aquecer o café;/ vai aquecer o chocolate./ De noite batem á porta:/ Ó filha, vai ver quem bate!... FIM

 

RIMAS POPULARES COM MAIS DE 100 ANOS NA TRADIÇÃO AO SENHOR SETE. ... Lá te mandei um raminho/ de sete rosas iguais,/ No meio vai um suspiro/ do muito que me lembrais. - Escrevi-te sete cartas/ com letra miúda e grave,/ Para que os nossos intentos/ se aviem com brevidade. - Passei rente ao alecrim/ sete folhas lhe colhi,/ Eram os sete sentidos/ que eu tinha posto em ti. - Abana, casaca, abana,/ abana, não tenhas dó;/ Sete casacas eu tenho/ em casa da minha avó. - Quatro com mais três são sete,/ meu amor, já sei contar;/ Já me enganaste uma vez/ não me tornas a enganar. - Algum dia por te ver/ saltava sete quintais,/ Agora por te não ver/ salto vinte, que são mais. - Eu tenho sete coletes/ todos eles bem talhados,/ Eu possuo sete amores/ e trago seis enganados. - Sete e sete são quatorze,/ são duas contas iguais;/ As mocinhas de servir/ são tão boas como as mais. - Mariana diz que tem/ sete saias de balão,/ Que lhe deu o caixeirio,/ da gaveta do patrão. - Sete palavras me deste,/ outras sete me queres dar;/ Com elas tu me enganaste,/ com elas me queres enganar. - Três vezes nove vinte sete,/ mais amores tenho eu,/ Se mais pudesse mais tinha,/ a quem tu queres amar.-Eu tenho no meu jardim,/ sete rosas em botão;/ Para dar ao meu amor,/ quando for ao dar a mão. FIM

 

RIMAS POPULARES COM MAIS DE 100 ANOS ... Por mais inteligente que alguém possa ser, se não for humilde o seu valor se perde ( ... ) .... Em 1989, morreu uma tia de minha mulher com 107 anos de idade, não tinha filhos. Estive recentemente na minha casa de Meca-Alenquer e no sótão vi uma arca e abri, e vi poesia de 1899. Foram tantos os anos que guardei,/ uma arca velhinha e corcumida./ Que a um canto do sótão esquecida/ tem coisas que eu ainda não sei!... Os Mandamentos do Amor ... Vou-me a cantar uma cantiga/ toda pelos mandamentos/ Depois que os teus olhos vi/ tive vários pensamentos. O primeiro é amar./ não te amo como devo:/ Depois que os teus olhos vi/ nunca mais tive sossego. -O segundo é não jurar/ o seu santo nome em vão,/ Jurei de te deixar:/ essa é a minha tenção. -O terceiro é guardar/ em teu peito minhas leis,/ Deixa memórias passadas/ que eu também já as deixei. -O quarto pertence à honra/ a honra é de quem a tem./ Faz tu da tua banda/ não se te dê de ninguém. --O quinto é não matar/ eu porti é que ando morto!/ Olha nas delícias de amor/ em que estado me tem posto. O sexto eu não declaro/ bem me podes entender./ Acaba já de ser minha/ para mais alivio ter/ O setimo é não furtar,/ o furtar não é pecado./ Eu, em furtar uma rosa,/ fico mais aliviado.

 

CONTINUAÇÃO ... RIMAS POPULARES COM MAIS DE 100 ANOS. ( os Mandamentos do Amor ) .- Oitavo, é não levantar/ nenhum testemunho falso,/ Eu a ti não os levanto/ só te desejo em meus braços. . -O nono é não desejar./ uma só coisa eu desejo;/ Desejo lograr os olhos/ que diante de mim vejo. - Décimo é não cobiçar/ os olhos duma menina,/ Quem é mestre também erra/ quem erra também se ensina. Amor, os dez mandamentos/ em dois os vou encerrar;/ Na praia desse teu peito/ ainda espero navegar. A Tradição - Ano de 1899. Vejo Deus nas estrelas luminosas,/ no leve azul do Céu, no infinito;/ E nas ondas do mar, na cor das rosas,/ Em tudo vejo sempre Deus Bendito. Vislumbro Deus nas serras mais frondosas/ e em qualquer ponto, aos homens interdito/ Na dor e nas palavras amorosas,/ em tudo vejo Deus, porque acredito!

A Serração da Velha Também Existiu no Nosso Peso

10.11.16, José P. Santos

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A SERRAÇÃO DA VELHA ... Ouvi ao velho Ti João Gonçalves que ainda o conheci com um moinho de água no ribeiro do Braçal e a última vez que vi o moinho já estava perdido entre silvas e em ruínas. . Ouvi dele, era eu ainda muito jovem: O uso de serrar a velha também existiu no Nosso Peso. A festa revestia-se duma forma bastante curiosa. Apresentava-se um homem munido de um cortiço, dentro metia um gato e um cão. O cortiço era bem fechado, esse homem com ele vinham mais, munidos de cacete e mocas E. traz deles o rapazio, fazendo uma enorme algazarra. Um garoto, conduzia a serra, que havia de servir para serrar o cortiço no local do suplicio, que por norma era no adro da igreja Matriz, às vezes o garoto vestia de anjo era adornado com asas e uma cabeleira de caracóis! Na mão, levava um lenço de seda onde recolhia, rebuçados nozes etc., com que o brindavam. é fácil supor o cão e o gato engalfinhando-se dentro do cortiço, fazendo um barulho infernal. Ao mesmo tempo que provocava gargalhadas, e a rapaziada ingénua, como se fosse a pobre velha que, ali estava fechada, lastimando a sua sorte. O cortejo, andava pelas ruas do Peso, até chegar ao sítio para a cerimónia final, que consistia na serração do cortiço, por entre um publico ruidoso e entusiasmado. O inocente anjo, portador da serra, é que não escapava nada bem, ao terminar a cerimónia, era despojado de todos os adornos, e perseguido de rua em rua levando pancada, que nem um tambor numa festa. FIM

O Poeta

José Batista Vaz Pereira

 

 

SERRAÇÃO DA VELHA

Esta é uma antiquíssima tradição que subsiste em muito poucas localidades Portuguesas (e em algumas também no Brasil) tem as suas origens muito provavelmente em cultos pagãos da Idade Média.

Consiste na encenação do julgamento e condenação à morte de uma velha. Podemos dizer que se trata de uma revista de tipo burlesco. Esta tradição com uma forte componente de crítica social e tem a particularidade de ser interpretada apenas por homens.

Realiza-se tradicionalmente durante a Quaresma, mais precisamente na quarta-feira de Cinzas e, à semelhança de outras tradições do Norte de Portugal como o “Enterro do Bacalhau” e a “Queima do Judas” têm provavelmente origens comuns, assentando na mudança de estação do Inverno para a Primavera, simbolizando a luta do dia e da noite, da luz e das trevas ou a morte do Inverno.

Sabe-se que no passado o ritual consistia num desfile pelas ruas em que se transportava num carro de bois um cortiço (onde supostamente a velha seria serrada) e um grande boneco simbolizando a velha. As gentes acompanhavam o cortejo e iam cantando "Serra a velha, Serra a Velha... " e pelo caminho interpretavam-se alguns quadro humorísticos.

Desnecessário será dizer que enquanto decorria a brincadeira nenhuma velha aparecia na rua e nem sequer assomava à janela. Sucedia que às vezes a velha era “gaiteira” e não se limitava a ouvir, saía à rua e respondia às diatribes dos rapazes. Aí o espetáculo ganhava outra vida mas, não raras vezes, os rapazes abandonavam o local vencidos por não terem argumentos para o discurso jocoso e às vezes picante da velha.

Noutras ocasiões, os moços deparavam-se com uma daquelas velhas bravas de que nos fala Fernão Lopes: que “barafusta, grita, atira pedras, insulta, despeja água e às vezes porcarias...”. Quando isso acontecia, era a debandada total. E iam então pregar a outra freguesia.

A "Serração da Velha" foi ao longo dos tempos sendo adulterada pelos povos e, hoje em dia, as poucas localidades que mantêm esta tradição, apresentam uma grande disparidade na forma e conteúdo deste ritual.

Há quem afirme, no entanto, que a Vestiaria tem sabido manter esta tradição muito próximo da forma como se realizava no passado, sendo por isso uma das mais genuínas do país, embora tenha deixado de ser interpretada na rua (porta a porta) como foi no passado. A Vestiaria orgulha-se de possuir atualmente uma comissão responsável por manter esta tradição e de zelar para que os textos e cantares associados a esta tradição se mantenham inalterados.

In internet

As danças de roda na Aldeia do Peso anos 40.50.60

09.11.16, José P. Santos

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AS DANÇAS DE RODA NA ALDEIA DE PESO-COVILHÃ, NAS DÉCADAS DE 40-50-60- DO SÉCULO PASSADO.

O Poeta José Batista Vaz Pereira

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AS DANÇAS DE RODA NA ALDEIA DE PESO-COVILHÃ, NAS DÉCADAS DE 40-50-60- DO SÉCULO PASSADO... No largo do chafariz das duas bicas, e ainda no largo fronteiro à Padaria do Ti Basílio Pires, aonde existia um tanque de armazenamento da águas que sobravam do chafariz . - faziam-se ali os bailes de roda, desta dança, ou são o meio ou aos pares . - Quanto a meio homens e mulheres, indistintamente, formam dando-se as mãos uma grande cadeia circular. Acto continuo a formação desta cadeia, vai para o centro um par, o primeiro que mais lesto andou; e logo irrompe uma cantiga entoada por uma voz, a que outras e outras e todas as vozes dos presentes , por fim fazem coro. Ao mesmo tempo - obedecendo todos a um ritmo da cantiga - o par de volta no centro como a saltar, e a cadeia vai rodando, rodando sempre, em contínuo movimento. Finda a cantiga separa-se o par: o homem procura, dentro do circulo, outra mulher, e a mulher imita o seu primeiro par: ,E assim sucessivamente... Ficam assim dois pares no meio. Simultaneamente, sem que os dançadores, começam a moda retira-se o primeiro par, que vai entrar na cadeia, e vem para o centro, em seu lugar um novo par escolhido. Depois, volta-se ao principio: nova cantiga etc. A grande cadeia mãos entre mãos - a roda continuamente.. A substituição do par mais antigo, faz-se sempre que a cantiga termina. " Minha mãe tem lá uma renda/ uma renda de entremeio,/ Eu não sirvo aqui de amparo/ também quero ir ao meio. ( ... ) FIM

 

ALGUMAS DAS QUADRAS QUE SE CANTAVAM NOS BAILES DE RODA ...Minha mãe tem lá uma renda/ uma renda de tresmalho,/ Se não me levam ao meio/ vou retirar-me do baile. Dão as mãos uns aos outros/ que me quero ir embora,/ Quem querr água tirada/ compre uma besta para a nora. - Eu não sirvo de parede/ também quero ir bailar,/ Se me não levam ao meio/ salto para a rua a chorar. - Quem tem cabras vende leite/ quem tem porcos tem presuntos,/ Oh! moças levem-me ao meio/ por alma de vossos defuntos. - Eu também quero bailar/ já vou estando zangado,/ Se me não levam ao meio/ vou para a serra com o gado. - Oh! moças, levem-me ao meio/ nem que seja uma vez só,/ Oh! que desgraça a minha/ ninguém de mim já tem dó. - Semeei no meu quintal/ a semente dum repolho,/ Oh! moças, levem-me ao meio/ que me está luzindo o olho. - Oh! moças, levem-me ao meio/ quero bailar um poucochinho,/ Quando não, vou-me para casa/ a comer pão e toucinho. O tocador da viola/ merece uma boa ceia,/ mandá-lo para a Coutada,/ ou metê-lo na cadeia. O tocador da viola/ é feio mas toca bem,/ Senão casar pela prenda/ formosura não a tem. - Tinhas-me tanta amizade/ foste embora sem avisar,/ Abalaste para Lisboa / cá eu fiquei sem dançar! Siga a dança, siga a dança,/ no Peso ando sozinha,/ meu amor foi para a França. Que tristeza é a minha ( ... ) FIM

Pinturas de José Baptista

09.11.16, José P. Santos

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O Pintor do Peso

José dos Santos Baptista, nasceu a 14 de Outubro de 1949, em Macau (República Popular da China), de nacionalidade portuguesa. Aos 5 anos de idade foi viver para Castelo Branco e posteriormente para a terra aonde reside, na freguesia da naturalidade dos seus pais, no Peso, concelho da Covilhã.

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 Outras Pinturas

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CURRICULUM ARTÍSTICO

José dos Santos Baptista, nasceu a 14 de Outubro de 1949, em Macau (República Popular da China), de nacionalidade portuguesa. Aos 5 anos de idade foi viver para Castelo Branco e posteriormente para a terra aonde reside, na freguesia da naturalidade dos seus pais, no Peso, concelho da Covilhã. Angola, onde cumpriu as suas obrigações militares, inspirou-o artisticamente, mas foi em França, concretamente em Paris, a observar artistas de diversas nacionalidades, que estudou e aprendeu, como autodidata, a arte que hoje dá a ver. Os seus trabalhos estão espalhados de norte a sul do país e no estrangeiro, nomeadamente em França, Alemanha, Suíça, Canadá e Angola, para além de estar representado em colecções nacionais de Autarquias, Instituições, Hotéis e Coletividades. Incentivado pela escritora Odette de Saint Maurice, nascida em Lisboa e falecida em Janeiro de 1993, pela poetisa Luísa d’Andrade Leite, natural de Angola, mas radicada há muitos anos em Portugal e por influências da pintora e escritora Marianela de Vasconcelos, natural de Sever do Vouga, falecida no verão de 2007, deu “asas” à sua vocação artística. Frequentou e trabalhou no atelier da Mestre-pintora fundanense Isabel Maia Marques, onde aperfeiçoou a sua técnica. Faz parte do Núcleo de Fundadores da Associação Cultural Sol XXI. Possui o curso de artes decorativas certificado pelo Ministério da Educação de Portugal. Vem mencionado no DIRECTÓRIO DE ARTE (Art Guide), versão bilingue.

Prémios

- 3º Classificado na 1ª Exposição de Pintura Rápida organizada pela Câmara Municipal da Covilhã em 1999. - Selecionado para expor no “I EVENTO DE ARTES PLÁSTICAS” que teve lugar no Centro Comercial Colombo em Lisboa em 2000. - 4º Classificado na 2ª Exposição de Pintura Rápida promovida pela Câmara Municipal da Covilhã em 2000. - 1º Classificado na pintura a óleo da “X MOSTRA DE ARTES PLÁSTICAS” levada a efeito pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos em 2001. - Medalha de prata na pintura a óleo sobre tela no “SALON INTERNATIONAL 2004” da Academie Européenne des Arts-France realizado de 10 a 25 de Abril de 2004 no ESPACE SAINT MARTIN em PARIS onde estiveram representados 10 países, 170 artistas e 297 obras. - No dia 18 de Maio de 2005 apresentou aos alunos finalistas do Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior - COVILHÃ a sua 1ª Mostra dos trabalhos realizados ao longo da sua carreira. - Selecionado para o 1º Festival Internacional de Arte “ARTE IN LOCO” realizado em Vila Nova de Gaia em 2007.

Exposições realizadas

Desde a sua 1ª exposição realizada em 04 de Setembro de 1994 e até Novembro de 2016 participou em 103 Exposições (58 individuais e 45 coletivas) realizadas em Espanha (Alicante), França (Paris e Nanterre), Região Autónoma dos Açores (Angra do Heroísmo) e Portugal Continental (Alcaide, Alcaria, Almancil, Almeida, Azambuja, Barco, Belmonte, Caria, Castelo Branco, Coimbra, Cortes do Meio, Covilhã, Dominguiso, Ericeira, Estói, Fundão, Leiria, Lisboa, Monsanto, Nelas, Nisa, Penalva do Castelo, Penamacor, Penhas da Saúde, Peso, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Sabugal, Salvaterra de Magos, São Jorge da Beira, Termas de Monfortinho, Tondela, Tortosendo, Vales do Rio, Vila Nova de Gaia, Vila de Rei e Viseu).

 

 

Igreja Paroquial da Aldeia do Peso - Covilhã

07.11.16, José P. Santos

 

Apontamentos Históricos

Da Paróquia do Peso, fazem parte as localidades de Vales do Rio e Pesinho

Na Igreja Paroquial existem o altar-mor onde no centro há uma moldura da custódia para exposição do S. Sacramento e as imagens de N. S. de Fátima e Santa Maria Madalena. Há lateralmente, um altar a N. S. das Dores com imagem do Anjo S. Miguel Arcanjo, um altar ao coração de Jesus e ainda um altar dedicado às Almas com a imagem de Cristo retratado no lenço de Verónica, ladeado à esquerda por um Anjo com um martelo e um alicate numa das mãos e à direita outro Anjo com a vassoura. Há outro altar a N. S. do Carmo com uma imagem de Cristo Criança.

Para além dos altares referidos, existe uma capela interior com um altar em honra do Santíssimo Sacramento e onde estão colocadas as imagens de Santa Bebiana, N. S. da Conceição, Santo António e N. S. do Rosário.

A Igreja remonta ao século XII, acrescentada em 1793 e reconstruída anteriormente a 1940.

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"Tem esta Igreja um campanário de pedra sobre uma paredão que está no adro da Igreja defronte da porta travessa que está para o poente, com um sino que também pertence tudo e é obrigação do povo fazer o sino que de presente tem, e hoje se acha posto em uma torre que o povo mandou fazer à sua conta com duas ventanas."

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Transcrição de documento antigo.

Dom José por graça de Deus Rei de Portugal, e dos Algarves d'aquem e d'além mar em Africa, senhor da Guiné = faço saber a vós bacharel Manuel Afonso o., que achei por bem que façais medição, demarcação e tombo dos bens e propriedades da Igreja do Peso e suas anexas

Medição do limite - Titulo de medição do limite deste lugar do Peso, e suas anexas partindo com lugares do Dominguiso, Tortosendo, Paul, Barco e Telhado = Aos vinte e seis dias do mês de Setembro de mil setecentos e cincoenta e sete anos a requerimento do procurador do reverendo prior de Santa Maria Madalena o Dr. António Alves da Costa ( Padre ) se procedeu na medição de limite deste lugar de Peso

Ao primeiro interrogatório se responde, que

Que esta terra e lugar do Peso fica em a província da Beira, no Bispado e Comarca da Cidade da Guarda he Freguesia Santa Maria Madalena, anexa à mesma de Vila de Covilhã

Santa Maria Madalena

Tem este lugar de Peso quarenta e três vizinhos: homens 64, mulheres 71, rapazes 29,raparigas 27; e toda a Freguesia / contadas anexas que no sexto interrogatório de declarão pelos seus anexos / têm 133 vizinhos; homens 210; mulheres 205; rapazes 75; raparigas 88.

Que a Paróquia tem 3 lugares, ou povoações anexas; que sam Pesinho: Vales: Coutada: tem o Pesinho 17 vizinhos; Vales 40; Coutado 33

Os frutos desta Terra em maior abundância são centeio, trigo, milho grosso e pequeno, feijam, azeite, linho, castanha, algum vinho e mel

Dista esta terra da cidade da Guarda cappital do Bispado, 8 leguas: e de Lisboa Cappital do Reyno 49 leguas

Não houve em esta freguesia cousa alguma pello terramoto de 1755 somente na Capela de S. Margarida, que está junto ao lugar dos Vales; de que se faz anexo, no interrogatório 53 e ainda se acha nesse estado.

Não tem correo: servese do Vila da Covilhã e Fundão, tanto para Lisboa, como para outras partes deste Reyno: No tempo verano regularmente chega (...) muitas villas ao sabado e no inverno no Domingo; e e das ditas vilas partem na sexta feira.

Nam tem treno, mas sim pertence ao treno da notavel villa da Covilhã; e dista della 2 leguas.

Governa-se com 3 joizes Espadanos; hem esta terra, ou em o Pesinho anexo desta, e os demais em cada uma das anexas estão sujeitos ao juiz de Fora, e Comarca da Covilhã donde tem treno.

Translado da Petição e Provisão = Senhor = Diz o Padre António Alveres da Costa ( Padre) bacharel formado na Universidade de Coimbra; arcipreste e prior da Freguesia de Santa Maria Madalena na Vila da Covilhã, que os bens rendimentos, foros, pensões, e mais regalias, e pertenças da dita Igreja se acham em grande confusão pela falta de Tombo, e clareza assinando-se uns a uzurpar os ditos bens, e outros a negar as pensões, e para evitar este dano e deixar para futuro as clarezas necessárias, pretende o suplicante fazer Tombo nos bens e pertenças da dita Igreja ......

- Medição da Igreja e Adro e Ornamentos

    Igreja

(Por curiosidade se transcreve como era a Igreja nessa altura)

Tem a dita Igreja de comprimento do arco até à porta principal de vão doze varas e meia, e de largo sete varas no vão dela.Tem dois altares colaterais com seus retabulos dourados, um que é altar das almas, tem uma imagem de Nosso Senhor Crucificado, que é o da parte direita, e outro altar da parte esquerda tem a imagem de Nossa Senhora do Rosário, e outra imagem mais pequena da Mãe de Deus e Mãe dos Homens, tem púlpito com suas grades de pau tinto de treto(?), tem duas portas travessas, uma parte entre Nascente e sul, e outra passa entre a poente e Norte e à entrada de cada uma das ditas portas sua pia de água Benta de pedra cravadas nas paredes; tem sua porta principal virada ao poente, do lado direito da sua entrada tem outra pia de água benta, e ao lado esquerdo tem a pia baptismal rodeada de grades de pau, é toda estradada de madeira e forrada de madeira com quatro linhas dobradas, e dois doceis de madeira pintados e dourados sobre os dois altares colaterais vários bancos de madeira, dois tamboretes de pau e uma cadeira que serve para assistência dos oficiais, como também a cadeira, e esta está sempre no arco da capela-mor para servir para as estações que faz o pároco, mas também ela como o mais que se acha fora do arco da capela-mor e no corpo da Igreja pertence e é da obrigação da fábrica maior do povo = Dentro da mesma Igreja para parte nascente está uma capela interior com seu retábulo na forma de tribuna dourada está o Sacrário, e o Santíssimo Sacramento, e nos lados as imagens de Nossa Senhora de Conceição da parte direita, e Santo António da parte esquerda, ambos em vulto, para cuja sustentação também a fábrica menor do reverendo prior também não tem obrigação de  concorrer, mais do que somente de dar três meios de azeite cada ano, não pela obrigação do pároco, mas sim por contrato que fizeram seus antecessores desde o tempo do licenciado Fernando Tavares de Sousa  no ano de mil seiscentos e setenta e um com os moradores desta freguesia, por lhe darem o dízimo da azeitona, em azeite feita à conta deles ditos fregueses, e não em azeitona como se praticava, cujo contrato está em observância, e melhor consta de uma escritura que se apresentou por parte do reverendo, e ele juiz mandou juntar a estes autos. Tem esta Igreja um campanário de pedra sobre uma paredão que está no adro da Igreja defronte da porta travessa que está para o poente, com um sino que também pertence tudo e é obrigação do povo fazer o sino que de presente tem, e hoje se acha posto em uma torre que o povo mandou fazer à sua conta com duas ventanas.

Medição de Terrenos e Casas da Paroquia

- Medição das Casas de residência, Quintal, Casa da Tulha e Terra - Chão da eira no sitio da tapada-Terra do fundo da reboleira ou tapada -  Chão da eira no fitio da tapada - Chão da Varzinha - Chão que serve de horta - Terra do lagar dos vales - Terra do souto- Terra do ramalhal ou marcelas - Chão do poço - Terra de areão - Chão da pocinha Canáda - Terra dos certinhais - Terra do chão da horta - Terra detrás da casa da fonte - Terra do sitio da barreira - Terra da barreira - Terra da portela da vargia -  Terra do olival do clérigo - Terra do rego da Feiteira - Lodeiro do sitio da várgia - Ladeira com seu pedaço de lodeiro no sitio do penedo - Terra dps barros por baixo do rego da feiteira - Terra com lodeiro no sítio dos barros - Terra de mato na lameirinha no sítio da Coutada ao pé da capela de S. Sebastião - Terra da Barroca do Carvalho ( Braçal do Cimo) - Terra do fundo do Val da Mouta - Terra que está no Ribeiro do Braçal - Terra no sítio das Courelas - Vinha que está junto da estrada que vai para a Covilhã - Terra do Cabouco -Terra do Verde - Terra do Souto do Rio - Terra do Ramalhal - Terra da Cruzinha ou o Outeiro dos Vales

 

 

 

Recordar é Viver

05.11.16, José P. Santos

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MEMÓRIAS DO PESO ... Como tudo na vida, tem começo, meio e fim ( ... ) eu, neste desfiar de recordações, memórias e registos, quis lembrar no que escrevi o silêncio das quebradas, os tristes ecos e murmúrios de uma brisa vinda da serra da Estrela, ou a cantilena dos regatos que corriam para o Ribeiro do Braçal ou ainda para o rio da minha infância, e aspirar as grandezas das calmas solidões vividas no Chafarizito ou Fonte dos Namorados. Aonde tu e eu amigo, pudesse- mos, esperar e reagir às coisas simples e cristalinas que falassem das lágrimas já esquecidas, e pudesse- mos matar, a sede de uma saudade eterna ( ... ) Sempre estive fiel aos olhares perdidos no longe dos caminhos, por onde partiram aqueles que queriam ficar no Peso ( ... ) Tenho ainda muitas memórias dentro de mim, que guardei ( ... ) já escrevi uma parte delas, as outras aguardam oportunidades. Vejo nelas um pouco das Cinzas do Meu Passado. No vago Outono da vida,/ quando cai a folha morta,/ De quanta ilusão perdida/ a saudade nos conforta! As coisas são o que são, e não o que deviam ser, foram estas as recordações que ficaram de um juventude que foi rude, e numa sagrada visão, que a vista alcançou esbatida, no roxo-azul da distância, voz de longa ressonância, que ouvimos por toda a vida ... Minha ambição é pequena/ não sou rico nem faminto,/ tenho de fortuna uma pena/ para escrever o que sinto.... Gosto de ser capaz de compreender e amar sinceramente as pessoas - e também de ser compreendido e respeitado. Bem-haja Amigo José Pereira, por esta oportunidade, e digo: O Peso e a Poesia são como o ar, que respiro. Oásis de fantasia meu sorriso e meu suspiro.( ... ) Um abraço. FIM

 

PESO - VARANDA VIRADA AO SOL NASCENTE .. Esta varanda encantava toda a gente, tinha umas vistas de sonho, desde o verde até outras lindas paisagens e dali se viam , com o rio sempre ao longe. Morava nessa casa o Ti Zé Figueira marido da Ti Ana ( Broa ), o casal tinha o filho Zé da mesma idade que eu, fomos grandes amigos ( ele morreu ainda muito jovem ) por perto morava o Ti Luís( Broa ) e o Ti Manuel ( Broa ) que por perto tinha a sua grande paixão a Ti Carmina ( Chapa ) Manuel e Carmina eram solteiros mas já entrados nos 50 anos de idade e este romance deu origem a que no Peso se cantasse: Ontem fui ao rio aos peixes com uma podôa, encontrei a Carmina Chapa, aos beijos ao Manel Broa. Um belo dia de desfolhar o milho nessa varanda , ouvi dos presentes a seguinte lenda: Era uma vez um casal tinha uma filha Um dia o casal foi à missa, e a mãe disse à filha que ficasse a guardar os figos que tinha a secar dos pardais e não deixasse comer nenhum. Quando veio a mãe , ela estava a chorando - Então quantos figos comeram os pardais, comeram dois. Deixa estar que as vais pagar. Fez uma cova no quintal e enterrou lá a filha, e lá ficou. Veio o marido e perguntou, , então a Maria? .Foi à mestra. No outro dia: Então a Maria? Mandei-a a um recado. Um dia o marido manda o criado, vai ao quintal cortar erva para as ovelhas, começou a ceifar, e ouviu debaixo da terra uma voz : Não me cortes o cabelo, que meu pai me penteou, A minha mãe me arrastou, nesta cova me deitou, por via de um passarinho. O criado foi contar ao patrão que mandou cavar e apareceu a filha. Ela disse a verdade, e o pai atou a mãe ao rabo de um cavalo e correu por montes e vales. FIM

 

 

RECORDAR É VIVER, DIZ O POVO ... VERDADES A DESCOBERTO. Havia nos Vales nesse tempo terra anexa da Freguesia do Peso, uma imagem a Santo António já antiga, com um certo valor no património religioso local . Com a vinda do Padre António Pereira para prior na Freguesia, retirou a imagem, dizendo que a tinha mandado para um santeiro de Braga para restauro, O povo não aceitou de bons modos, O Padre para acalmar mandou vir uma imagem de Santo António mais moderna, e tentou, fazer uma procissão de boas vindas ao santo . Aqui foi o máximo : Quando uma mulher que estava ao lado a assistir, começou em altos gritos e voltando-se para a imagem dizendo: Olha que na procissão vais tu , mas na igreja não pões lá o cu ouviste ( ... ) Toda a gente em alvoroço ( acabou a procissão ) e em bando foram para o largo da igreja, aonde o Ti Firmino Aguiar em cima de um carro de bois gritava: acalmem-se, acalmem-se, acalmem-se que o santo velho vai voltar: Quando alguém no meio da multidão grita ( ... ) e se o troquem Ti Firmino, não pode ser que eu próprio lhe pus um sinal num pé. Também nesse mesmo tempo a Igreja de Santa Maria Madalena a Matriz da Freguesia, teve limpeza de muitas imagens de alto valor, e foram , consideradas ( sucata ) entre elas uma imagem a Santa Bibiana que existiu na capela interior mais antiga da igreja. ainda conheci no sótão da sacristia da igreja do Peso. diversos santos já na reforma ... um dia o Ti Zé Marceneiro, que já o seu pai tinha tido a mesma profissão , e muita da arte ainda hoje existente na igreja, foi deste grande Mestre , e o Ti Zé , já com os copos, eu o vi agarrado a um velho santo, e a chorar dizia ó meu rico irmão, dá cá um grande abraço , porque foste feito pelo meu pai! FIM

 

MEMÓRIAS DO PESO ... As palavras têm força se tiverem razão, o que até aqui se tem feito. Foi só para quebrar o silêncio que havia a falar por nós. . Conheci nos tempos da ditadura a Ti Lucinda , já viúva criou os seus filhos todos eles homens de trabalho, menos sorte teve a filha a Maria Lucinda, que ao nascer ( a beleza estava de férias ), vi muitas vezes durante o dia a carregar com cântaros de água, do chafariz das duas bicas, para consumo da sua casa, e ainda para regar a sua horta sempre bem cuidada do seu quintal, Morava no cimo do povo. Aos Domingos era vê-la sempre caminho da igreja, para assistir à missa, e os rapazes do Peso quando havia forasteiros dos Vales, Coutada ou Barco, que vinham procurando as raparigas para futuro namorico, por vezes até por " chacota " diziam sei de uma boa namorada para t i a: Maria Lucinda, até com a miséria se brincava ( ... ) Também a Júlia uma pobre alma de Cristo que vivia sozinha com sua mãe num casebre de terra batida no cimo do povo Viviam no limiar da pobreza ( era um pouco deficiente ) , apenas comiam o que lhes davam ( que nesse tempo a seguir à 2ª Guerra Mundial era um tempo difícil para todos ) Apareceu um destravado sexual, que lhe fez um filho, que ela criou sem qualquer condição, não havia nada como hoje ... , filho de pai incógnito Nada mais tinha para lhe dar de comer, um dia, apareceu alguém com certa pena, e quando vinha da ordenha da suas cabras , lhe dava um pouco de leite do que tirava dos animais . Não consentia que ninguém tocasse na sua maior fortuna neste Mundo . O seu Menino. . Hoje, alguém que leia, este recordar do passado ... e seja esse homem que nunca foi menino diga . Porque uma coisa é certa... Não lhe faltou o Amor de Mãe (.... ) São este desfiar de recordações ... ,Tiradas do baú do velho Sótão das Memórias do Peso, é que nos dão força para continuar , e lembrar alguns jovens de hoje, se os seus bisavós, avós e até pais, cá voltassem agora ( alguns talvez até se fossem embora , por ver tudo tão diferente .) FIM

 

MEMÓRIAS DO PESO . O Senhor José Pereira, assumiu a iniciativa de tão grande merecimento, num testemunho claro de nos lembrar os valores culturais e outros há muito votados ao esquecimento, num entendimento das realidades profundas sobre a Nossa Aldeia. Na caracterização campesina dos nossos antepassados, transparecendo nos seus vídeos, a actualidade. Com o aparecimento deste Homem Amigo, não sendo da aldeia, nunca esteve alheio é filho de naturais do Peso o Ti João e a Ti Rosa Santos que eu bem conheci e, deles guardo uma imensa saudade. .. Ele deixou o seu rio Lena e Lis, mas a nascente que procurava veio encontrá-la na nossa pura água do rio Zêzere. A estas observações resta-me acrescentar, referente à nossa aldeia, com a terra e as suas gentes só tenho lembranças dos meus primeiros vinte e três anos que lá vivi.. ( ... ) já não é a mesma coisa mas, o meu pensamento está sempre lá. Pedia à actual, juventude tenham ideias, mostrem a este Homem... É um verdadeiro filho do Peso por adoção.... Certo dia fui para visitar um dito amigo da infância, fui encontrar um galo arvorado em pavão, quando o vi , passados já lá vão 50 anos ao aproximar-se: Disse-me com voz grave quem é o Sr. ao que respondi ainda o mesmo de sempre... vinha para tomar um café contigo e falar do Nosso Peso, resposta pronta: " Quero lá saber dessa M.... pá! estava ele cheio de peneiras " não fui pedir nada, não preciso, nem nunca precisei ( ... ) não costumo baixar de nível ( sou como sou, e até sinto vaidade )..Mas posso afirmar aqui e agora mas, eu não tenho necessidade!!! ( ... ) Em nome dos meus conterrâneos Bem-haja, Amigo José Pereira pelas Nossas Memórias que tanto honram os nossos antepassados. Força Amigo e nunca desista, terá sempre alguém que o poderá ajudar . um abraço. Um Abraço.

 

VIVERAM NO PESO DUAS MARIAS NA DÉCADA DE 40 DO SÉCULO PASSADO-....Diferentes, mas iguais, com a sua simplicidade e espírito económico, para nunca faltar o pão na mesa a seus filhos. Trajavam simples como era o seu viver, mas sempre muito cuidadas , e numa roda viva trabalhando.. Um dia no estabelecimento de minha mãe, onde se foram abastecer de mercearia ouvi da Ti Maria Grancho e Ti Maria Guerrilha a seguinte história: Uma mulher casada tinha uma filha muito pequena. Ela era muito amiga de festas e igreja, o marido era muito doente, não podia sair de casa e ir a divertimentos, e por isso tomou zanga ao marido que não o podia ver O homem já não se levantava, ela nada lhe ligava. Só de vez em quando, para as vizinhas ouvirem, lhe dizia em voz alta. " Lourenço, queres um caldo? " Quero sim mulher " . Ela então baixinho dizia-lhe: Tem paciência meu rico fl lho, meu rico menino, que agora não há. Depois dizia para a filha., vai ajudar a morrer teu pai, que no domingo há missa e festa e tua mãe, se ele morrer, com certeza já lá vai.. Morreu o homem no domingo, e a mulher chorava por não ir à festa. Tanto se lamentou que a vizinha disse-lhe que ficava chorando por ela, mas, em troca dava-lhe um alqueire de centeio. A viúva aceitou. Logo se foi arranjar e foi para a festa. A carpideira toda a noite andou à roda do defunto, e fingindo que chorava dizia: " Aqui ando eu, a chorar o alheio, por um alqueire de centeio, Ai meu belo marido morto! Sirva-te isto de conforto! Assim levou a carpideira toda a noite enquanto a viúva se divertia. FIM

 

 

 

 

 

Usos Costumes, Lendas e Tradições no Peso anos 40/50

04.11.16, José P. Santos

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 MADEIRO

PESO - COVILHÃ ... O NATAL NOS ANOS 50 DO SÉCULO PASSADO... O Peso tem no seu seio,/ um largo que lhe dá graça,/ Tem duas bicas no meio,/ dá de beber a quem passa!... O ritual natalício era uma verdadeira festa. " a queIma do madeiro " no adro da igreja. A tarefa de arranjar lenha, era tradição serem os jovens " das sortes ", carregar a oferta de árvores caducas em especial oliveiras. Nestes trabalhos normalmente quem estava mais disponível colaborava sempre, no transporte da lenha. Recordo-me para transportar a lenha para o " madeiro " terem oferecido os carros de juntas de bois o Ti Zé António ( Pesinho ) o Ti Manuel Duarte ( Miragaia ) foi muita a quantidade e o lume durou mais de 15 dias. Tendo sido esta madeira oferecida pelos rendeiros na Quinta do Ortigal, empilhada no adro e foi lançado o lume. na noite de 24 de Dezembro. Sob a influência da igreja, a fogueira profana da adoração solar dos Romanos, passou a ser cristanizada e a servir de ritual cristão. Dezembro que noite fria,/ campos desertos e nus,/ em rústica estrebaria,/ embala a Virgem Maria/ o seu Menino Jesus.. Na mesa da consoada, as famílias e os amigos se reuniam, com sentimento de união. Cabia às raparigas enfeitar o igreja para a missa do galo. As criancinhas no amor,/ do bom Jesus tendo fé,/ o sapatinho vão por/ com que inocente fervor,/ ao canto da chaminé. E que não seja mais forte este Natal, do que a União das Freguesias de Peso-Vales do Rio. Que vos traga o novo ano/ o que precisam e carecem/ com um calor bem humano/ quem em verdade merecem. ! BOAS FESTAS..

 

COMADRES E COMPADRES

USOS COSTUMES E TRADIÇÕES, NAS DÉCADAS DE 40 - 50, DO SÉCULO PASSADO ERA TRADIÇÃO NA ALDEIA DE PESO-COVILHÃ, FAZEREM-SE COMPADRES E COMADRES.... As quatro semanas que procedem os três dias do entrudo, designava o povo, e por sua ordem: Semana de amigos, semana de amigas, semana de compadres, e semana de comadres. Nas quintas-feiras da primeira e terceira semanas , os rapazes de maior lidação entre si têm por costume reunir-se em casa de um deles, e alegres, comem, bebem e cantam. A estas pequenas festas em família, chamavam eles ... fazer amigos ou compadres, conforme a reunião é na quinta-feira. A seu tempo as raparigas, as mais apaixonadas pelos laços de afeição , costumavam igualmente - fazer amigas e comadres, nas respectivas quintas-feiras. E, à semelhança dos rapazes, reuniam-se em grupos em casa de uma delas e nessa casa, comiam, cantavam e bailavam, animadas pela mais intima satisfação. Quando duas amigas queriam ser comadres, havia um pequeno cerimonial, que não deixarei de registar. Consistia em darem os dedos da mão direita ( mindinho ) e, entrelaçando-os, iam dizendo: " Comadre, comadre,/ comadre querida,/ fazemos comadres/ para toda a vida.

 

LENDAS E ROMANCES COM MAIS DE 100 ANOS... - Ouvi no Peso-Covilhã nos anos quarenta do século passado, à Ti Maria Justina, mulher do Ti Filipe Saraiva o seguinte: Estando Santo António em Pádua, a pregar o seu sermão. Veio um anjo que Deus mandou, a trazer-lhe a embaixada: - Tu, António, podes crer, que teu pai vai padecer, a uma morte inocente. E pediu uma Avé-Maria, no meio do teu sermão, e à Sé de Lisboa. Viu uma multidão de gente: - Aonde vai esse homem, esse homem inocente? - Esse homem é culpado, porque outro ele matou, e para maior sinal, no seu quintal o enterrou. - Vamos onde está o morto: Levanta-te homem morto, da parte do Omnipotente, e desengana esta gente. E diz quem te matou" - Este homem não me matou, nem dele tenho sinais, mas um que mal me queria, e na companhia o levais: Não quer o meu sagrado Messias, que eu já descubra mais, - O meu padre reverendo, dizei-me aonde morais. Que vos quero ir visitar, já que não presto para mais. - Admira-me, pai meu, não conhecer um filho seu. Que lhe chamavam Fernando. E lhe mudaram de nome para António, para o livrar do demónio, que sempre o andava atentando. - Ó meu filho tão amado, Ó meu filho tão querido, que me livraste da morte, sem eu te ter conhecido. - Pai dê-me a sua bencão, que tenho que ir para Pádua, acabar o meu sermão , que aqueles que lá estão, Já em falta me acharão. FIM

 

VIVERAM NO PESO DUAS MARIAS NA DÉCADA DE 40 DO SÉCULO PASSADO-....Diferentes, mas iguais, com a sua simplicidade e espírito económico, para nunca faltar o pão na mesa a seus filhos. Trajavam simples como era o seu viver, mas sempre muito cuidadas , e numa roda viva trabalhando.. Um dia no estabelecimento de minha mãe, onde se foram abastecer de mercearia ouvi da Ti Maria Grancho e Ti Maria Guerrilha a seguinte história: Uma mulher casada tinha uma filha muito pequena. Ela era muito amiga de festas e igreja, o marido era muito doente, não podia sair de casa e ir a divertimentos, e por isso tomou zanga ao marido que não o podia ver O homem já não se levantava, ela nada lhe ligava. Só de vez em quando, para as vizinhas ouvirem, lhe dizia em voz alta. " Lourenço, queres um caldo? " Quero sim mulher " . Ela então baixinho dizia-lhe: Tem paciência meu rico fl lho, meu rico menino, que agora não há. Depois dizia para a filha., vai ajudar a morrer teu pai, que no domingo há missa e festa e tua mãe, se ele morrer, com certeza já lá vai.. Morreu o homem no domingo, e a mulher chorava por não ir à festa. Tanto se lamentou que a vizinha disse-lhe que ficava chorando por ela, mas, em troca dava-lhe um alqueire de centeio. A viúva aceitou. Logo se foi arranjar e foi para a festa. A carpideira toda a noite andou à roda do defunto, e fingindo que chorava dizia: " Aqui ando eu, a chorar o alheio, por um alqueire de centeio, Ai meu belo marido morto! Sirva-te isto de conforto! Assim levou a carpideira toda a noite enquanto a viúva se divertia. FIM

TRADIÇÕES OU PRAXES EM PESO-COVILHÃ ... As festividades no Peso no 1º de Maio constetuiam, cumprir entre nós remotas tradições e crenças, cujas origens se perderam no tempo. Os nossos antepassados para celebrar o fim do Inverno e o despertar da vida vegetal na Primavera. Era no meio rural que, tempos atrás, mais acentuadamente se verificava nesta data uma das práticas de maior crença popular, a da colocação de giestas, nas janelas, portas, postigos, fechaduras e outros locais da casa, e mesmo no estábulo dos animais. E conforme a crença, ramos de giestas junto a pintos, porquinhos,, o " Maio " prejudicá-los-ia.... Diz a lenda: Segundo a qual " os judeus assinalaram a casa onde Jesus pernoitava, servindo-se de um ramo de giestas. Quando voltaram de manhã para O prender, todas as casas ostentavam ramos iguais, não podendo os judeus identificar aquela onde Cristo se escondera ." Em qualquer dos casos mandava a tradição... Ainda me lembro, eu tinha nove anos e minha mãe teve de sair do Peso e esteve fora, fui deixado em casa do Ti Ferreira ( tecelão ) tinha a sua filha Clementina que era mais velha do que eu , e, juntamente com uma filha do Ti Joaquim Paulo ( carpinteiro ) vestiram-me a mim e mais crianças, ornamentadas com coroas de malmequeres amarelos, e todo o corpo enfeitado de rosas e malmequeres , percorremos as ruas do Peso, e já com bastante rapaziada, cantando: A beira do rio nascem/ violetas ao comprido,/ já me vieram dizer/ se tu queres casar comigo. (...) Nunca cheguei a saber o porquê... em qualquer dos casos mandava a tradição. FIM.

 

NO PESO-COVILHÃ - HAVIA CRENÇAS SOBRE ANIMAIS NOS ANOS 50 DO SÉCULO PASSADO. Quando pela porta a dentro entra uma borboleta preta, é sinal que vamos receber más novas. - se, pelo contrário, a borboleta for branca, as notícias são boas - Quem pela primeira vez ouve cantar o cuco, deve rebolar-se no chão, se quer livrar-se de dores de barriga. Pelo cantar do cuco, também se pode prognosticar os anos que os rapazes ficam solteiros. E para isso, devem os rapazes, ao ouvir dizer: " Cuco de Maio, cuco de Aveiro, quantos anos me dás de solteiro ". E em seguida, quantas vezes a pequena ave cucar, tantos serão os anos que os rapazes terão de solteiros. Com respeito ao cuco, ainda por aqui se diz: " Se o cuco não vier entre Março e Abril - o cuco é morto, ou o fim do mundo está para vir ". As andorinhas traz felicidade à casa onde fizer o ninho. - também haverá felicidade na casa em cuja cozinha ou lareira houver grilos a cantar. A coruja presagia a morte, quando vai piar sobre uma casa, sobretudo, havendo nessa casa doentes O cão presagia a morte, quando uiva. Existe até a crença de que há um meio simples para o fazer calar: é uma pessoa descalçar o sapato ou o tamanco do pé esquerdo e voltar-lhe a sola para o ar. Fazendo isto, cala-se o cão imediatamente. - Pelo canto da cadorniz se pode prever o preço do cereal Assim tantas vezes esta entoar o seu canto, quantos escudos custará o alqueire de trigo. - A cor que mais anda ligada à superação é a preta. Os animais que por aqui gozam duma certa santidade, e que o povo respeita, são a andorinha e a louva a Deus. FIM

A Minha Aldeia

02.11.16, José P. Santos

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A minha Aldeia de Belarmino Batista


Corria a década de 1950/60; nesta Pátria ao longo do Oceano Atlantico, no país mais ocidental do continente Europeo, vivia -se em relação ao mesmo 30, 40 ou 50 (?) anos atrasado. Vivia -se do que se tinha !Nas poucas grandes urbes, ia-se vendo qualquer coisa de novo, como novos edificios, arruamentos com novas urbanizações, alguns milagres da técnica que vinham de <fora>, tais como automoveis, radios transistores e por ultimo a televisão, etc. Mas nestas Beiras do interior, no norte Transmontano e Alentejo, vivia-se num mundo qualquer coisa como nos tempos mediévais. A propria aparência destes povoados assim o demonstrava.Vivia-se na escuridão, apenas quebrada pelos raios de luz do virginal azeite. Informação !… Cultura !… Como ? As proprias ondas da então Emissora Nacional, chegavam atrofiadas, (não havia os emissores regionais) onde havia electricidade e as numerosas povoações rurais do interior não a tinham.Jornais ? Impossivel ! Quem sabe ler ? E hàbitos de leitura ? E dinheiro para a mesma ? Vivia-se do que a terra dava e nada mais. Cultivava-se a terra para se sobreviver.Nestas Beiras do interior assim como todo o Norte, salvo algumas pequenas excépções, não existe a generalização da grande propriedade assim quase todas as pessoas possuiam um pouco de terra, herança dos seus antepassados. Terra que não dà para nada, mas que chega para se entreterem plantando umas couves, semeando umas batatas, feijão, milho, etc. Assim bocadito aqui, bocadito ali, disperssos uns dos outros por alguns kms de distãncia, assim ia mourejando este povo das provincias interiores ocupando-se toda a familia, mulher e filhos, numa azáfama para arranjar qualquer coisa com que entreter o estômago ao longo do ano. Assim se criava um porco, se tinha uma cábra para se não comerem só legumes e cereais. Tambem haviam umas oliveiras para darem uns litros de azeite que eram poupados para darem para todo o ano.O chefe de familia de vêz em quando dava uns dias de ajuda ao <senhores> da terra que tinham mais uns predios e assim poder arranjar alguns escudos para fazer face a alguma despesa imprevista que aparecesse ou a uma doênça.Só compravam o jornal a Sra. Professora e algum comerciante, não todos, mas só quando iam à “Vila,” nome dado à cidade da Covilhã, sede do concelho.O Pàroco tambem o recebia, das autoridades eclesiásticas. E era tudo. Ambições ? Quem as poderia ter ? Que futuro ? Assistência médica ? Quando alguem adoecia ? Um burro bem aparelhado, com cobertor a tapar misérias, doente em cima do animal, outra pessoa guiando o mesmo (porque aqueles caminhos eram diferentes dos que o animal percorria todos os dias e jà conhecia de olhos fechados) e assim se alcançava o Médico a uma dezena de kilometros de distãncia, depois de 2 ou mais horas de caminho à mercê dos caprichos climatéricos.Ou então esperava-se pelo Sr. Doutor (se as circunstancias do doente o permitissem) que visitava as povoações mais ou menos semanalmente, trabalhando em cima de uma mesa, dando ingeções e observando os doentes à luz da candeia. Mas esta regalia nem todas as povoações a tinham.A minha aldeia tinha-a graças ao serviço do médico duma aldeia vizinha, do Paul, que visitava as aldeias proximas usando o seguinte sistema.A esse doutor pagavam as gentes da aldeia uma tença de armonia com o agregado familiar, por exemplo um alqueire (20 litros)de milho, ou de azeite (12 litros) por ano para beneficiarem dos seus serviços.Tal como nos tempos medievais. Assim se vivia do que havia. A maioria das pessoas usavam os productos da terra, como forma de pagamento. De uns tantos em tantos anos, (pelas eleições) apareciam uns <Senhores da Vila> que vinham até ás aldeias e a quem faziam umas grandes festas, mostrando-se-lhes o melhor que havia (?).Ocultando-se-lhes o pior; casas em ruinas, mas habitadas, onde se criavam familias nas piores condições sanitárias, ruas com estrumadas, que sem as mesmas eram intransitáveis no inverno e em que o estrume era necessario para a lavoura, pois para adubo químico não havia dinheiro, nem por vezes tão pouco quem o vendesse. Era nesta altura tambem que a rua principal era varrida.Depois da visita desses <Senhores> ficavam algumas iluzões!!!As pessoas à noite, reunidas na taberna à luz do petroleo ou do gazómetro, vaticinavam: Será desta que arranjam a rua ? Que vem a electricidade ? Esgotos ?…
Isso era fino de mais para falarem em semelhante coisa.Passado algum tempo era enviada para o Sr. Presidente da Junta, uma brilhante placa de mármore, com o nome de um desses <Senhores> para ser colocada no largo principal da povoação, que ficaria a ter o seu nome. E era tudo. Melhoramentos? Talvez para a proxima, diziam as pessoas.Nestes largos normalmente existia um chafariz que fornecia àgua à povoação e um tanque onde os animais iam beber, mas que infelizmente, na maioria dos casos, só dáva àgua no Inverno e pouco mais.No Verão, quando ela era mais precisa, não chegava lá, ou era em tão pouca quantidade que as pessoas tinham que passar horas e horas e por vezes a noite, para conseguir uma vasilha ou duas do precioso lìquido.Esse largo mais parecia uma feira de vasilhas de toda a espécie, ou uma multidão no deserto à espera do maná.Aquele pequenino e precioso caudal de àgua, era disputado por todos com o rigor da sobrevivencia. Alteravam-se os ânimos, as mulheres discutiam e os cântaros de barro partian-se, ou os de chapa amachucavam-se, alvoraçava-se a povoção com o barulho da discussão.Havia gargalhada com fartura pelos que presenciavam em redor; um espectáculo triste, mas que era o unico a que se podia assistir nestas aldeias. Assim se passava o tempo e se perdiam noites para se conseguirem uns míseros litros do precioso lìquido. Infelizmente esta situação ainda hoje se mantem em muitas povoações, embora com menos aquidade do que antigamente.Entretanto as pessoas iam contemplando a brilhante <placa> ali mandada colocar mesmo por cima do chafariz, pelo Presidente da Junta, homem paciente e conservador, um pacífico cidadão que vivia do seu pequeno estabelecimento e algumas propriedades que os seus antecessores lhe tinham deixado, ou duma reforma alcançada ao longo de muitos anos de trabalho numa ocupação do Estado, como cantoneiro, Policia, GNR. etc.Este tipo de cidadão era o preferido para os cargos oficias nas aldeias. Assim se ia vivendo nestes pequenos povoados, e tantos hà, nestas outrora terras de Viriato. Este era o panorama geral do país rural, das pequenas aldeias, mais propriamente do <interior>.


Entretanto no início da década de 1950, começavam a aparecer os primeiros edificios de escolas novas, começou-se a expandir mais o ensino primário; nota positiva, embora tardia, desta época. E esta nova geração começava pelo menos a saber ler e escrever, coisa que os nossos pais não sabiam.Depois de terminados os quatro anos de escolaridade obrigatoria, onde se aprendiam os basicos ensinamentos do ler e escrever (os unicos que adquiri e possuo oficialmente) por vezes graças ao brio profissional de alguns professores/as, dentro de limitadas condições, sem material pedagógico proprio e adequado e sobrecarregados com alunos de diferentes classes, assim apareceu a nova geração dessa época
(na qual me incluo) disposta a tentar viver uma vida mais digna. Mas que fazer ? Dores de cabeça para os pais. A vida na aldeia não dá futuro; ficar-se ali seria ficarmos condenados ao mesmo marasmo em que viviam os nossos pais. Tal como eu, que entretanto tinha saído da escola com a instrução primària, só havia um caminho a seguir: Deixar a aldeia e tentar a vida na cidade, optando-se na maioria dos casos pela grande Lisboa. Outras cidades da provincia, proximas da nossa terra de origem, eram tentadas mas, como maior ponto de atração era a grande Lisboa.Mas como lançar uma criança da aldeia, na cidade, onde não se conhece nada ou quase ninguem ?Era problema de dificil solução para esses pais que desejavam proporcionar um futuro melhor para os filhos.Um familiar ou parente ou amigo, (quem os tinha!) era contactado na capital, para onde era enviada a criança com os seus doze ou treze anos de idade acompanhada de alguns productos agricolas , um saco de batatas ! um garrafão de azeite! sei lá! Qualquer coisa do que havia na aldeia e se podia dispôr.Que mais poderiam dar estes aldeões? Chegados à cidade, que fazer ? Marçano; empregado numa taberna ; carvoaria, etc.


Aí se comia e dormia e se amealhavam alguns poucos escudos, que mal davam para o vestuario, trabalhando desde as 6 da manhã até as11... meia noite, sem dias de folga, sempre no mesmo ambiente de taberna, houvindo o relato do futebol aos domingos para quebrar a monotonia, enquanto se serviam os copos de <três>, coisa que para nós crianças duma aldeia onde não havia electricidade, era jà um passatempo, o ùnico que nos era proporcionado... ouvir o relato da bola. Quando recebiamos carta dos nossos pais, nós crianças ainda a necessitar do carinho da nossa mãe, os nossos olhos enchião-se de lagrimas lembrando a pequena aldeia onde fomos criados atè então e tinhamos os nossos amigos, as nossas recordações de infancia e os que nos eram queridos. Assim, pobres crianças enfrentava-mos cêdo o drama da imigração e a separação dos <nossos>. Ali não encontravamos a palavra meiga da nossa mãe ou o sorrizo inocente e belo dum pequenino irmão, que deixámos no berço e com quem brincavamos ainda, nem as carícias ternas dos nossos avós. Ali encontravamos sim as palavras ásperas dum patrão que as seis da manhã nos acordava pondo-nos o corpo a descoberto, dizendo: vamos là levantar rapaz ! que são horas!… Assim se passavam os primeiros anos da nossa mocidade. Assim convinha aos proprietarios destes estabelecimentos que encontravam mão de obra barata e que alguns, faziam destes pobres moços quase uns escravos; e digo quase porque, a escravidão não era praticada oficialmente. Na aldeia, quantas vezes os nossos pais eram explorados no mesmo sistema, pelos <senhores> das grandes propriedades. Assim se vivia e embora com dificuldades, muitos iam deixando as aldeias em busca de uma vida mais digna , nas grandes cidades. Ai se formavam os chamados “ Bairros da Lata”, verdadeira miséria, onde os pobres aldeões iam viver…em piores condições do que por vezes na sua propria aldeia. Porem havia trabalho e algum dinheiro e a possibilidade de conseguir um futuro melhor para os filhos. Havia a esperança de um dia conquistar uma vida melhor e abandonar aquele Bairro da Lata. Quando? Talvês nunca!... Mas havia a esperança!… Muitos outros tinham vindo e conseguiram alguma coisa.
Não hà que desanimár. Assim diziam e faziam.

Belar Batista Relembrando o passado .

Amândio Sardinha (figura típica dos anos 50/60)

02.11.16, José P. Santos

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MEMÓRIAS DO PESO NAS DÉCADAS 50-60,DO SÉCULO PASSADO. ... Quem foi o Amândio Sardinha, uma figura típica ( embora moço como os demais, era diferente ) nessa época vinha da Covilhã semanalmente o Francês ( dos pirolitos ) e ao chegar ao Cilindro com a carrIpana, lá estava o Amândio para fazer a entrega do produto artesanal nos locais de comércio , Peso, Coutada, Barco, Ourondo etc, jamais o posso esquecer rapaz sensível e sempre amigo de ajudar o próximo. O pirolito foi a bebida deste tempo, refrigerante artesanal à base de açúcar, corantes e outros subprodutos. e era causador da obesidade, diabetes, era um tipo doce disfarçado. O Amândio ainda carregava com os tabuleiros de massa de pão ( à cabeça ) da casa dos fregueses para o forno de seus pais, o Ti Emídio Sardinha e a nunca esquecida a Ti Ana Poiares, que muitos bolinhos de pão quente, me deu. Mas a sua grande Paixão era engraxar sapatos, Montou a sua caixa junto à casa do Ti Artur Pires Morão ( no balcão de granito ) e ai esperava a clientela, que nunca faltava , tinha o preço de 1$00 um escudo, em toda a Freguesia foi pioneiro, dava brilho aos sapatos, ficavam como novos, punha graxa com um pano, fazia brilhar e, dizia que ficava hidratado o couro e, evitava secar o sapato. ( mas, nesse tempo, já Havia engraxadores sem caixa. ) O Amândio, esfregava rápido, e forte, usando a escova. Tinha os seus truques que só por ele os sapatos, tinham aquele brilho, deixando-os como novos. O Amândio, para mim, além de ser um Amigo , foi um exemplo de vida.. Um Abraço.